16.1.17

Projeto Camapu prepara "O Conto das Duas Ilhas"

Fotos: Alexandre Yuri
A estreia é dia 3 de fevereiro, 18h, no Teatro Roc Roc, o espaço dedicado aos espetáculos e atividades do Projeto Camapu. A proposta é que a comunidade acompanhe o desenvolvimento da peça até a apresentação, com visitas monitoradas ao atelier, ao estúdio e durante os ensaios de marionetes e construção das cenas do espetáculo. 

Baseado no texto homônimo de San Rodrigues, “O Conto das Duas Ilhas” une a técnica de manipulação de marionetes com a animação em stop motion. No palco, a vida em movimento e em transformação. A busca permanente por sonhos e conquistas. E como esse caminhar no mundo afeta nossas escolhas, nossas atitudes e crenças mais íntimas. A relação entre os personagens procura despertar no público o sentimento de perseverança, persistência, compaixão e solidariedade.

Os fios que tecem as histórias de Horácio e Marília contam a narrativa de afetos que floresceu no Jardim Sideral: o Camapu. A fruta germina até mesmo nos ambientes mais hostis e empresta o nome ao Projeto localizado no bairro do Coqueiro. Ela exige paciência, dedicação e carinho, exatamente como nascem as marionetes no atelier do Projeto Camapu, premiado no Edital Funarte de Teatro Myriam Muniz 2015 para a montagem da peça “O Conto das Duas Ilhas”. 

Na obra, as marionetes Horácio e Marília vivem os heróis de uma trama de busca e esperança. O trabalho pode ser acompanhado todos os sábados de janeiro durante a abertura do atelier para a comunidade, que é convidada a participar da construção do espetáculo, previsto para estrear em 3 de fevereiro.

Duplas, trios e gente solitária, ligam, agendam, chegam perto para compartilhar e aprender essa arte de criar uma teia de afetos. É que cada fio conectado à marionete, carrega toda uma vida de sentimentos. É a relação estabelecida entre criador e criatura. 

O jeito de caminhar, a forma de se apresentar, a lapidação de uma identidade, a medida exata de cada movimento da marionete leva tempo, definido pelo empenho e pela história construída ali. “Só estando muito próximo, é preciso ficar íntimo do boneco e isso acaba sendo transmitido na manipulação”, avalia a marionetista e cenógrafa Nina Brito, uma das idealizadores do Camapu, ao lado de San Rodrigues.

Essa afetuosidade é a marca do trabalho de San e Nina, que desde 2013 espalham a semente de sua arte por onde passam. No palco e nos bastidores dos espetáculos. A experiência do atelier aberto é essa oportunidade de partilha, de troca para disseminar uma arte rara, milenar. 

San e Nina mostram o que aprenderam, conversam, contam a narrativa de aprendizados nos livros, nos ensaios, nos cursos, nas horas exaustivas e diárias de trabalho, dedicados a perseguir o resultado, apresentando muitas e muitas vezes os espetáculos “Borbô” e “O Jardim de Alice”, que antecedem o “O Conto das Duas Ilhas” no repertório do grupo e funcionam como um laboratório sempre vivo. “Nossa pesquisa é intensa, todo dia, o tempo todo”, lembra o artista plástico e marionetista San Rodrigues.

Nina e San não ensinam nada. Porque não há papéis para professores e alunos ali. Há apenas aprendizados conjuntos, experiências que deram certo. “A marionete te convence quando ganhou vida (o ânima), quando você olha para o boneco e ele te convence que tem uma vida própria. A gente não aprendeu isso do nada. Tem muita intuição, muita vontade, não é um bicho de sete cabeças”, diz San. 

A mesma intuição que vai conduzindo cada detalhe desse afeto. “Não estabelecemos gênero para a marionete, por exemplo. Como é uma relação afetuosa, está na mais na percepção do público dessa nossa relação. O público estabelece isso na cena. Ele se vê ali, porque fazemos com verdade. Nosso sentimento não é interpretado. Ele está ali, presente. Talvez seja por isso que emocione tanto”, acredita o artista.

Não há segredos nem técnicas avançadas na arte semeada pela dupla. No começo do trabalho, há três anos, começaram comprando equipamentos, montaram uma marcenaria na sede do Projeto para conceberem os bonecos. 

Logo perceberam que o caminho deveria ser outro, com técnicas de confecção e manipulação mais simples, possíveis de serem feitas em qualquer lugar, sem muitos recursos. É o tipo de aprendizado propagado nas visitas ao atelier e que o palhaço e bonequeiro Shita Yamashita colheu nas passagens pelo espaço no ano passado. Agora, ele tenta reproduzir em casa, ao lado da mulher, em Vitória (ES).

“Depois da madeira pré-organizada e limpa, vem a parte mais fascinante, colocar na madeira o projeto desenhado e estudado no papel. Uma vez montado esse boneco, você começa a tomar um amor por ele, que parece que nunca lixou o bastante, sempre tem algo mais para arredondar, deixar vivo, dar a forma mais perfeita possível. O  marionetismo é um teatro diferente, pra ser feito com calma, pensando na vida, pensando na transformação da madeira e na transformação do ser humano. É um teatro que só funciona se for um teatro feito com muito amor”, afirma Shita.

Serviço
Para conhecer e acompanhar as atividades do espetáculo, basta agendar uma visita pelo e-mail camapu.arte@gmail.com ou pelo telefone 98114-7149. O atelier funciona no conjunto Jardim Sideral, no bairro do Coqueiro em Belém. O espaço fica aberto à visitação todos os sábados até 18 de fevereiro, das 10h às 17h.

(Holofote Virtual, com informações da assessoria de imprensa)

Diego Santos lança CD em noite especial no Gilson

Diego Santos
A noite integra a programação de reabertura do maior reduto do choro e samba do Pará. Após a reforma, contemplada pelo Prêmio Funarte de Programação Continuada para a Música Popular 2015, os chorões, que ficaram sem a Casa do Gilson, por seis meses, agora estão rindo à toa. Além do lançamento do 1o e super aguardado álbum do violonista Diego Santos, o espaço reunirá, nesta sexta-feira, 20, a partir das 20h, outros nomes consagrados do choro paraense. Gratuito.

Biratan Porto, Paulinho Moura e Cardosinho marcam presença e apresentarão canções do disco "Terça de Cordas", recebendo como convidados, Andréa Pinheiro, Delcley Machado, Márcio Jardim, Nego Nelson, Marcos Puff e Lany Tavares.

O jovem músico Diego Santos acredita que não poderia haver lugar melhor para lançar seu primeiro disco, produzido com o edital Seiva 2016, da Fundação Cultural do Pará, e leva o próprio nome do artista. "É gratificante porque esse lugar é uma escola, um marco na minha vida. Foi onde conheci grandes músicos e percebi que precisava tocar de outra forma, estudar mais, e agora é o momento de agradecer a esse espaço e aos músicos que sempre me incentivaram a seguir em frente”, comemora o violonista de 32 anos, um dos destaques da nova safra de chorões do Pará que tem sua história entrelaçada a da Casa.

Com sete faixas instrumentais realizadas em parceria com Carla Cabral, Cardosinho e Leandro Dias, o disco demonstra a versátil formação musical de Diego: baião, lundu, samba, valsa e, claro, choro, ritmo que há dez anos acompanha o violonista, que já participa de projetos como "O Mercado do Choro", com disco lançado no final de 2016; e "Sapecando no Choro", que gravou “De encomenda”, em 2009. Diego participou ainda do álbum duplo Violões do Pará, lançado por Salomão Habbib e Sebastião Tapajós em 2014.  

Sobre as terças feiras na casa do Biratan Porto

Paulinho Moura
Lançado em 2004, o álbum Terça de Cordas é fruto dos encontros que aconteciam na casa do músico e cartunista Biratan Porto. Lá, durante anos, Paulo Moura e Cardosinho passaram as terças-feiras celebrando a vida entre doses de vinho, boa comida e muitos acordes. 

“Nos encontrávamos sempre às terças porque era o dia que a gente tinha livre. Vinha todo mundo para minha casa e cada um trazia um instrumento, outro trazia uma letra. Várias composições e parcerias surgiram e resolvemos registrar em disco”, conta Bira.

Paulinho Moura, outro músico fundamental para a história atual do ritmo no estado, é responsável pelo projeto “Choro do Pará”, que desde 2006 oferece oficinas gratuitas de cavaquinho, bandolim, flauta, violão 7 cordas e percussão, e formou uma nova geração de chorões no estado. 

O que a Casa do Gilson tem a ver com isso? Para Paulinho, muito.  “A Casa do Gilson é um espaço catalizador, onde ocorrem os encontros que fazem as coisas acontecerem. Todos os músicos de renome que visitam Belém vão para lá, assim como a nova geração passa e surge ali”, diz

Nego Nelson
O disco "Terça de Corda"  reúne 15 canções e traz participação de convidados ilustres, que voltam a tocar o fruto da confraria na Casa do Gilson: Andréa Pinheiro, Delcley Machado, Márcio Jardim, Marcos Puff, Nego Nelson e Lany Tavares. 

Nego Nelson começou seus estudos com Tó Teixeira, histórico mestre instrumentista e compositor, e é autor de uma centena de músicas, com repertório eclético, que passa por eruditos, valsas, carimbós, sambas, jazz, boleros, blues, bossas e ritmos latinos. 

Criador de 33 choros, Nego Nelson vai apresentar canções interpretadas por Andréa Pinheiro, que estão no Terças de Corda. Ele resalta a importância da Casa do Gilson.

"Ela manteve o choro em Belém. Esse movimento do choro não existe em qualquer lugar do Brasil. Tanto que agora, na reabertura, vemos uma garotada tocando, frequentando. Dá gosto”, diz Nego Nelson, reconhecido nacionalmente pelo seu virtuosismo.

Maior reduto do choro no paraense

Reduto dos chorões do Pará e dos que chegam por aqui
Em outubro de 1987, a Casa do Gilson surgia nos fundos da residência no bairro da Condor, em Belém. Naquele barracão com teto de palha, músicos amigos se reuniam aos finais de semana para tocar samba de raiz e os clássicos de Pixinguinha e Jacob do Bandolim. 

De lá para cá, são muitas histórias. Diversos artistas consagrados já passaram pelo espaço: Sivuca, Paulinho da Viola, gente do Época de Ouro, como César Farias, Ronaldo do Bandolim.

“Essa casa tem alma”, garante Gilson Rodrigues, responsável por insistir ao longo de quase 30 anos em manter sua casa aberta aos chorões. “Tenho a impressão que a minha vida toda foi em torno da música. Desde quando eu era garoto, meu pai tocava violão. É de família”, diz o artista, na tentativa de explicar o motor que manteve aceso o desejo de criar e manter um espaço independente dedicado às alegrias do encontro entre bandolim, cavaquinho e violão.

Registros em documentário e CD aos 20 anos

Em 2008, comemorando os 20 anos da casa, foi lançado um CD, com 33 faixas. O documentário “Casa do Gilson, Nossa Casa”, de Chico Carneiro (2003), mostra as atividades no espaço e o clima de amizade entre os músicos. Atualmente, a Casa do Gilson mantém a programação voltada às rodas de choro, samba e música brasileira. De sexta a domingo, grupos como Gente do Choro e Galo Garnizé fazem a programação do lugar.

Serviço
Programação de reabertura da Casa do Gilson. Shows de Diego Santos, lançando o primeiro álbum, e "Terça de Cordas", com  Biratan Porto, Cardoso, Paulinho Moura e os convidados Andréa Pinheiro, Delcley Machado, Nego Nelson, Marcos Puff, Lany Tavares e Márcio Jardim. Nesta sexta-feira, 20, às 20h. Entrada gratuita. Endereço: Av. Padre Eutíquio, 3172, bairro da Condor, Belém. Informações: 91 3272-7306 / 3271-0295.

(Holofote Virtual com informações da assessoria de imprensa)

15.1.17

Temporada de Espetáculos no Casarão do Boneco

Três dias para ver “Sorteio de Contos” e “Trunfo”. É assim que o Casarão do Boneco inicia o ano de 2017. A programação traz ainda a exposição do acervo de bonecos da In Bust - Teatro com Bonecos e uma super novidade, a Rádio do Casarão, cujo protótipo será lançado durante a temporada. De quinta, 19, a sábado, 21, sempre a partir das 18h.

A programação é aberta e paga-se quanto quiser, como forma de contribuir para a manutenção do espaço, que funciona como base de produção artística de vários grupos de teatro e circo independentes da cidade. Veja a chamada que o coletivo publicou no seu Canal de YOUTUBE e soltou, neste domingo (14), nas redes sociais.

O público terá tempo de circular pela lojinha com roupas exclusivas do Ateliê de Nanan Falcão, ver a mostra de bonecos e ainda desfrutar de comidinhas saudáveis -  ante e após as apresentações. A primeira apresentação, às 19h, será "Sorteio de Contos", espetáculo teatral fundamentado em três brincadeiras tradicionais de roda: O coco-de-roda, o samba-de-roda e a capoeira-angola. 

Foto: Pierre Azevedo
Espetáculo-brinquedo, denominação surgida durante o processo de criação do espetáculo, tem em cena o ator-brincante, Lucas Alberto, por sua vez, conta com um jogo de cartas, que são sorteadas no ritual em que uma pessoa é escolhida aleatoriamente e é perguntado: Você quer ser o sorteador do sorteio de contos? Se a pessoa aceitar, é feito o sorteio das cartas e as histórias são contadas.

O nome do espetáculo dá nome a Companhia de Teatro Sorteio de Contos, que tem como objetivo pesquisar o entrelaçamento da cultura teatral e a cultura tradicionais de raiz. No ano de 2016 foi contemplado pelo Programa SEIVA - Produção e Difusão Artísticas, com o qual realizou apresentações no Curro Velho e na Festividade de Santarém Novo.

Lucas Alberto, é ator, em 2004 começou a trabalhar com teatro, participou de grupos em Belém, como: Nós Outros, Usina Contemporânea de Teatro, In Bust- Teatro com Bonecos e Núcleo de Atores Independentes. Em 2010 a 2014, na ocasião em que estava em Belo Horizonte cursando Formação Técnica em ator teve oportunidade de trabalhar no Centro Cultural Galpão Cine Horto, grupo de capoeira Eu Sou Angeleiro, Fala Tambor e Coco da Gente.

As cartas de tarô e o circo em "Trunfo"

Foto: Débora Flor
Já o "Trunfo", que inicia às 20h, e que também traz cartas em sua montagem, é o terceiro espetáculo do Projeto Vertigem.  Em cena,  Luan Weyl, Katherine Valente e Marina Trindade, que conduzem o respeitável público junto ao velho companheiro de viagem do circo, o baralho do Tarô. 

Na trama os trunfos são embaralhados, 5 são escolhidos pela plateia e a sorte dita a ordem da encenação. Em cena, estão também malabares, danças, histórias, acrobacias aéreas e de solo, que traduzem em formações corporais a leitura circense dos signos do tarô.

Criado em 2015, "Trunfo" voltou à cena em 2016 e agora se prepara para uma Circulação Nacional por quatro estados brasileiros, já neste início de 2017. A criação coletiva é dirigida por Paulo R. Nascimento, conta com trilha sonora de Armando de Mendonça, cartas produzidas por Victoria Rapsódia. 

Casarão do Boneco - Você que já curte o Casarão do Boneco, ou que gostou do que leu aqui e vai conheceré bom anotar também que o coletivo de grupos de produção artística e cultural que ocupam o Casarão do Boneco irá desenvolver atividades regulares, este ano, voltadas principalmente para a formação de plateia com mostras de produções dos integrantes da casa e temporada de espetáculos, além de atividades educacionais de iniciação e oficinas livres.

Para acompanhar e saber mais:

Serviço
Temporada de Espetáculos. Dias 19, 20 e 21 de janeiro. Abertura da exposição às 18h. Apresentação dos espetáculos Sorteio de Contos, às 19h, e Trunfo, às 20h. O ingresso é PAGUE O QUANTO PUDER. Casarão do Boneco- Av.16 de Novembro, 815. Mais informações: 32418981 (salvecasarao@inbust.com.br). 

Mais informações à imprensa: 91 98134.7719 (Parceria Holofote Virtual e Casarão do Boneco).

14.1.17

Landa de Mendonça canta em espetáculo no Rio

Morando no Rio de Janeiro, a atriz paraense, estreou ontem (13), como cantora, na Casa Olho da Rua, espaço cultural em Botafogo, na 1a edição do “Divas: Mulheres cantam músicas de cinema”, projeto de empoderamento feminino de expressão artística. Além das cantoras envolvidas, toda equipe técnica do evento é comandada por mulheres. 

Lembro de ter visto aqui em Belém a Landa de Mendonça cantando, em projetos que somavam teatro, música e poesia, mas ontem ela literalmente subiu ao palco como cantora. A estreia, me disse a pouco, foi um sucesso. A próxima apresentação será no dia 27 de janeiro, às 20h, também no Olho da Rua.

No projeto "Divas', cada uma das cantoras convidadas, são três, escolhe uma trilha sonora de filme para interpretar. Landa Mendonça escolheu cantar as músicas da trilha sonora do filme “Noel, o poeta da vila”, drama biográfico dirigido por Ricardo van Steen sobre o Poeta da Vila, que foi projetado em um telão, enquanto o show rolava no palco. 

“Eu já tinha cantado Chico Buarque em Belém", relembra. Na época, a atriz integrava o grupo "Verbus", que apresentou “Sobre nós, sobre Chico, sobre todas as coisas”, ao lado de Carlos Vera Cruz e Thales Branche.  "Escolhi o Noel agora por uma dívida minha como artista por nunca tê-lo incluído em trabalhos com cena. E é lindo apresentar Noel às novas gerações. 

"Ontem vários jovens de vinte e poucos anos vieram me perguntar mais sobre ele”, comemora, ao lado dos amigos paraenses que abraçam com ela o projeto, a jornalista Daniela Damaso e o ator Carlos Vera Cruz, que também estão morando no Rio.

E depois da apresentação de ontem, novas ideias surgiram, ampliando o projeto. “Eu vou escrever um roteiro maior com Dramaturgia minha, feita com colagens de depoimentos dos que eram próximos de Noel. Quero reunir músicos lá de Vila Isabel, onde ele morava”, revela.

Atriz e cantora, ela assina a direção geral do show traz os músicos Rafael Oliveira (violões), João Felipe da Fraga (violino), Adyr Francisco (viola de arco) e Marcelo Amaro (percussão), além do maestro Mateus Araújo, casado com a atriz, na direção musical e arranjos. O espetáculo conta, ainda com participações de Luan de Almeida e Ana Paula Rodrigues.

“É um grande desafio como artista. Sou atriz e essa é a primeira vez que subirei ao palco como cantora. É uma honra trabalhar com o Mateus, importante referência para mim na música, um profissional que me abriu várias possibilidades de conhecimento sobre a música. Ensinou que música não é fundo para alguma coisa, é a própria personagem. E é essa a proposta do espetáculo”, explica Landa. 

Mateus foi regente titular da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, em Belém, entre 2005 e 2009 e atualmente integra o Departamento Artístico da Fundação Orquestra Sinfônica Brasileira, assumindo, desde 2011, o cargo de regente titular da OSB Jovem. 

“Quando viemos morar no Rio, trabalhei muito tempo como agente dele, pois precisava ter tempo para cuidar da nossa filha, ainda pequena”, diz Landa que também aproveitou o tempo para estudar artes cênicas na Escola Técnica Estadual de Teatro Martins Pena, com o grande ator de cinema, TV e cinema, Anselmo Vasconcelos, e chegou a fazer alguns espetáculos, dentro da própria faculdade.

Landa diz que está em um momento especial. Investiu nesta apresentação. “Recebemos o convite e temos cachê, mas precisamos produzir cenário e figurino e também na divulgação do trabalho. Estou muito entusiasmada e querendo mais”, disse pra mim quando a abordei pelo facebook, assim que vi a notícia sendo postada em sua página esta semana.

Após o espetáculo em homenagem a Noel Rosa, também se apresentam as cantoras Nivia Terra, integrante do bloco “Filhos da Martins”, que escolheu a trilha sonora de “Cazuza, o Tempo não Pára”; e Renata Zé, da banda “Os Zéz”, cantando a trilha sonora de “À prova de Morte”, do consagrado diretor Quentin Tarantino. 

A arte de multiplicar talento no palco

“Ator tem que ser curioso, estar antenado e ver de tudo, tudo que é peça. Ouvir vários estilos de música e assistir diversos filmes. Além disso, nunca parar de estudar e de pesquisar”, disse ela em uma entrevista concedida quando chegou na capital carioca, ao blog Ver o Pop, do jornalista Sidney Oliveira, também radicado no Rio de Janeiro. 

A carreira de atriz é retomada trazendo junto seu dom natural para cantar. Olhar para trás é ter certeza de que escolheu o caminho certo, fortalecendo o caminho que se aponta em 2017. Para Landa, o ator precisa somar em sua formação, aprendendo a cantar, dançar e ser acróbata.

O primeiro espetáculo ela faz questão de citar, foi “Chapeuzinho vermelho”, que fez aos 4 anos, na escola aqui em Belém. O interesse pela atuação veio cedo, mas ela acabou indo estudar, primeiro, Direito. Foi só no ano 2000, que o teatro veio à tona e entrou definitivamente em sua vida, com a matrícula na Escola de teatro e Dança da UFPA.

A primeira montagem já na escola foi “Amor-te-mor”, dirigido por Wlad Lima e Karine Jansen, baseada no livro 100 anos de solidão, de García Marquez. Landa interpretou nada menos que Úrsula Buendía. Depois fez “Laquê”, do grupo Cuíra, também com direção da Wlad e também Cláudio Barros. Ao longo dos anos em que estudou na ETDUFPa, as várias aparições do grupo "Verbus", agitavam as noites em bares que abriam espaço às intervenções artìsticas em Belém.

DIVAS

Direção geral e voz: Landa de Mendonça
Direção musical e arranjos: Mateus Araujo
Violão: Rafael Oliveira
Violino: João Felipe da Fraga
Viola de arco: Adyr Francisco
Percussão: Marcelo Amaro
Participações especiais: Luan Almeida e Ana Paula Rodrigues
Arte Gráfica: Carlos Vera Cruz
Assessoria de imprensa: Daniela Damaso
Consultoria de figurino e cenografia: Darlon Silva
Produção: Kika Hamaoui

Serviço
Show “Divas, mulheres que cantam músicas de cinema”. Dia 27 de janeiro, das 20h às 22h, no Espaço Olho da Rua. Rua Bambina, 6 – Botafogo. Ingresso: R$ 20,00. Meia entrada R$ 10,00.

13.1.17

Renata Del Pinho dá um baile em seu aniversário

Allan Carvalho, Andréa Pinheiro, Cactus ao Luar, Félix Robatto, Gina Lobrista, Gláfira, Jeff Moraes, Joelma Klaudia, Liége, Marcelo Sirotheau, Nean Galuccio, Olivar Barreto, Pedrinho Callado, Pedro Vianna e Renato Lu são algumas das atrações que a cantora Renata Del Pinho traz para comemorar seu aniversário junto com o público, nesta sexta-feira, 13 de janeiro. O evento também está arrecadando na portaria, material escolar para estudantes ribeirinhos. A festa é no Fiteiro e conta também com show da Orquestra Pau e Cordista de Carimbó.

“Logo depois das festas de fim de ano, começam os preparativos para a volta às aulas e com ela vem a necessidade de compra de material escolar. Sendo que a realidade da maioria da população de Belém não consegue adquirir material por conta da situação sócio-econômica, especialmente comunidades ribeirinhas que vivem em extrema pobreza e carecem de recursos. Por isso quero comemorar arrecadando material escolar para ajudar no aprendizado e desenvolvimento de vários alunos de Belém”, explica Renata.

O show da cantora trará um repertório com algumas faixas do primeiro disco solo da artista Som de Cafuzo, projeto que Renata trabalha para colocar em prática em 2017. O single Tic Tic, faixa que mistura Black Music com Carimbó, foi lançada em novembro e estará no repertório, que vai misturar músicas autorais a releituras de clássicos da música mundial. Para este evento, Renata estará acompanhada por Kim Freitas (guitarra), Príamo Brandão (baixo), Edvaldo Cavalcante (bateria), JP e Paturi (percussão).  

“O projeto do disco faz um passeio pela música negra e indígena das Américas, passeando por diversos gêneros, como Carimbó, música latina e até jazz. É essa mistura dançante que queremos apresentar neste show”, avisa.

Encerrando a noite, uma grande roda com a Orquestra Pau e Cordista de Carimbó, que vai apresentar um repertório que mistura canções tradicionais a grandes sucessos de mestres como Verequete, Pinduca e Dona Onete. Criada em julho de 2016 na Lambateria, festa de música paraense realizada toda quinta-feira em Belém, a Orquestra foi destaque do Festival Se Rasgum em 2016, sendo muito elogiada pela crítica especializada. Para já entrar no clima do Carnaval, a festa terá um concurso de fantasia que vai premiar a mais criativa com um balde cerveja e uma cachaça de jambu. 

Som Misturado – Em apenas três anos, já se apresentou no Festival de Carimbó de Marapanim, Festival de Música Popular Paraense e Festival de Ourém e vem se destacado no cenário musical de Belém como um dos destaques da nova geração de artistas e dona de uma das mais belas e expressivas vozes da música paraense. Plural, a cantora tem influências de várias vertentes musicais, sobretudo ritmos de raízes negras e indígenas.

Foi regado por essas influências que, em 2014, surgiu o projeto do primeiro CD: Som de Cafuzo, que faz um grande passeio pelas sonoridades das três Américas, com ritmos que são heranças das matrizes indígenas e negras (Carimbó, Zouk, Merengue, Blues, Jazz e Rock) e algumas experimentações e fusões de sons.

E gravar o disco Som de Cafuzo é o grande desafio da artista para 2017. O projeto do disco prevê um passeio por várias sonoridades das Américas: do Sul, Central e do Norte que influenciaram a artista ao longo de sua trajetória. Nele, Renata propõe misturas com Carimbó, gêneros latinos como Zouk e Merengue, Blues e pitadas de Rock e Jazz. 

Para Renata, o projeto é importante para mostrar sua pluralidade, o quanto gosta de passear por diversos gêneros e também para valorizar seu trabalho como compositora. Som de Cafuzo pretende misturar referências indígenas com a música negra, caso do Carimbó.  Parte dessa mistura poderá ser conferida ainda no início do ano, já que a artista gravará seu EP Digital a partir de janeiro pelo selo Ná Figueredo.

Conheça a artista:

Serviço
Baile Del Lápis com Renata Del Pinho e convidados + show da Orquestra Pau e Cordista de Carimbó. Nesta sexta-feira, 13 de janeiro, a partir das 21 horas no Fiteiro (Doca, 555). Ingressos antecipados a R$ 10,00 no Sympla (http://bit.ly/2iYo3gI) 2º lote: R$ 15,00 e 3º lote a R$ 20,00.

(Holofote Virtual, com assessoria de imprensa - Sonia Ferro)

Aline Muller e Casa Oiam abrem a exposição Ciclo

Refletindo sobre o quanto o ciclo interfere na vida da mulher, das mudanças que ocasiona no corpo, no humor e no dia a dia, a exposição Ciclo será aberta nesta sexta-feira, 13, a partir das 19 horas, na Casa OIAM.

Nada melhor do que falar sobre um tabu para naturalizá-lo. Foi pensando nisso que a fotógrafa Aline Müller, artista radicada em Nova Iorque, resolveu fazer o ensaio Ciclo, que fala dos ciclos mensais vividos pelas mulheres, do sacode  que o corpo dá, a cada mês, da possibilidade de renovação através do sangue, que prepara o corpo feminino para gerar vida. 

Atualmente morando em Nova Iorque, Aline fez o ensaio no terraço do prédio onde mora, no Brooklyn. As fotos foram feitas assim que ela se mudou para a cidade americana durante um momento intenso de reclusão, totalmente influenciado pelo ciclo e no auge do processo de adaptação à nova cidade.

“Já tinha tempo que vinha pensando no quanto o ciclo influencia nossa vida. Resolvi parar de tomar pílula e fiquei muito mais atenta e sensível aos sinais do meu corpo. 

Deste então, venho matutando sobre como eu poderia trazer o poder desses ciclos no meu dia-a-dia pra minha fotografia, como eu poderia “ressignificar” a minha relação com a menstruação através da imagem. 

Estas fotos originadas de um encontro inesperado são a primeira fase desse projeto que é uma abertura dentro de mim pra abordagem desse tema e que está, aos poucos, tomando vários outros caminhos”, explica.

A modelo da foto é a paulista Rafaella Meneguetti, que foi hospedada por Aline em sua casa durante uma temporada. “Rafaella me trouxe anseios e experiências que misturadas com o meu momento resultaram nesse ensaio que toma diferentes formas pra nós duas e pra outras mulheres com o passar do tempo”, relembra. O projeto Ciclo espera despertar o sentimento de respeito pelo que somos, pelos que escolhemos e naturaliza a relação da mulher com os ciclos pelos quais ela passa.

A exposição na Oiam, idealizada por Aline e pelas também fotógrafas Tereza Maciel e Aryanne Almeida, donas do espaço, espera proporcionar aos visitantes um pouco dessa atmosfera. As fotos selecionadas serão expostas em uma sala preparada exclusivamente para isso, com outras intervenções como declamação de poesia, projeções e outras surpresas, além da apresentação da cantora Lariza Xavier, que vem se destacando na cena musical paraense com composições autorais.

Fotografia para a vida – Quem conhece o trabalho sensível e contemplativo de Aline não imagina que há pouco tempo ela trabalhava em uma multinacional, vivendo em uma correria, cheia de prazos e cobranças. Foi durante um intercâmbio nos EUA (2004 a 2005) que ela começou a fotografar para compartilhar momentos com a família e amigos que ficaram no Brasil. No retorno, ainda sem equipamento, começou a descobrir pequenos prazeres relacionados à captura de imagens. 

“Eu costumava esperar um trem pra ir pra cidade onde eu morava regularmente e comecei a observar e fotografar as pessoas e chegando, partindo, esperando e isso virou um vício amador. Voltei pra Belém, um tempo depois e em 2007 fiz o meu primeiro curso lá na Praça das Mercês no Fotoativa com Miguel Chikaoka. O curso foi incrível, ecoa aqui até hoje, me acordou pra forma de ver o mundo e alimentou o que eu acho que hoje é meu ponto forte: minha intuição”, relata.

Em setembro de 2015, ela decidiu largar tudo e ir morar em outro país para estudar fotografia (a fotógrafa estuda no International Center of Photography). Na nova casa, descobriu o poder da imagem.

Atemporal e feminino – Tendo como referências fotógrafos locais tais como Miguel Chikaoka (seu primeiro professor), Guy Veloso e Luiza Cavalcante, Aline também admira o trabalho de Karen Marshall, Kate Izor e Pinelopi Girasimou. Seu trabalho vem se destacando por duas linhas: a feminilidade e a atemporalidade. 

O flerte com o empoderamento feminino vem de uma experiência vivida por ela. Foi em momento difícil na vida de Aline, quando fazia transição profissional e pessoal, que descobriu o poder que a fotografia tem de transformar. 

“Encontrei no desejo de ser fotografada uma forma de me ver diferente, fui lindamente fotografada pela paraense Luiza Cavalcante em Buenos Aires, pra onde fui especificamente com essa intenção. 

Por conta do poder transformador dessas fotos, quis compartilhar a experiência com minhas amigas no intuito simples de fazê-las se enxergar sem tantos véus de auto-crítica. A coisa foi crescendo, amigas indicavam amigas e até mulheres em processo terapêuticos me procuram em parceria com a terapeuta pra usar a própria imagem como ferramenta de auto-estima. Esse retorno foi o mais lindo de todos e o que me fez achar que uma das missões da fotografia, pra mim, poderia ser essa”, releva Müller. 

A nova Casa Oiam
Já outra marca de Aline é a atemporalidade das fotos de rua feitas pela fotógrafa. Suas fotos poderiam ter sido tiradas em qualquer época e em qualquer lugar do mundo. 

“Em uma exibição de final de curso no Centro Internacional de Fotografia, comecei a fazer uma brincadeira com isso, pego fotos que fiz em Belém, no Rio e em Nova Iorque e instigo as pessoas a adivinharem em qual dos três lugares elas foram tiradas e isso sempre rende assunto”, diverte-se a fotógrafa. Outro trabalho que brinca com isso é a série Silêncio no metrô, onde a artista usou o metrô como cenário.

Aline em dose dupla – Além de Ciclo, Aline está com a exposição Fora do Tempo, que mistura imagens feitas em Belém, no Rio e em Nova Iorque, na Lambateria, festa realizada toda quinta-feira no Fiteiro. O trabalho que brinca com a atemporalidade ficará exposto nos telões da festa durante todo o mês de janeiro. A estreia foi nesta quinta, 12 de janeiro, na edição especial de aniversário de Belém.

Serviço
A exposição Ciclo, de Aline Müller, com intervenções e participação da cantora Lariza Xavier, fica aberta de 13 a 20 de janeiro, na Casa OIAM (Arcipreste, 616 - Campina).  A abertura nesta sexta, 13, será às 19 horas. Entrada franca. Já a exposição Fora do Tempo ficará em exposição na Lambateria, festa realizada toda quinta-feira no Fiteiro (Doca, 555), durante todo o mês de janeiro. Informações: (91) 98026-1595. Mais sobre a artista: http://www.alinemuller.com/.

(Holofote Virtual, com assessoria de imprensa)

12.1.17

Uma leitura poética para o aniversário de Belém

"A gente não quer só comida". Nada de bolo de dez, vinte ou cem metros para comemorar. Neste aniversário de Belém, o blog oferece poesia como alimento de 401 anos e mais, festeja junto com a cidade a parceria com o poeta Paulo Nunes, autor de Banho de Chuva e Gitos, e professor da Universidade da Amazônia, que passa a colaborar mais ativamente por aqui. 

Há alguns dias que se planeja esta postagem. O poeta colaborador e leitor do blog, o que muito me deixa feliz, selecionou cuidadosamente os poemas oferecidos abaixo, fisgado da antologia “Belém 400 anos”, lançada ano passado com curadoria e organização de outro poeta, não menos colaborador e leitor do Holofote Virtual, Vasco Cavalcante, que escreve e organiza também o Cultura Paráum site, que há mais de 30 anos, se faz precioso e indispensável, ao reunir e apresentar os artistas diversos da literatura, teatro, fotografia e artes plásticas paraense. 

As fotografias fui buscar no acervo do blog. Não que eu pretenda, aqui, ilustrar a essência de cada poema, mas simplesmente também imprimir um olhar poético que sempre me toma ao caminhar pela cidade. E agora é com você. Leia e mergulhe. Hoje temos lua cheia, com maré alta anunciando águas de março que estão por vir. Evoé, Cidade das Mangueiras! 


O poeta-paradigma

"Já se pode afirmar, observando-se o acumulado de quase um século, do início dos anos 20 do século passado até hoje, século XXI, que o Pará fez-se uma terra de poetas, bons poetas. Como e por que se fez esta tradição, é coisa que se deve investigar melhor. 

Justifico-me logo, que toda seleção e escolha parte de critérios pessoais e da cultura de um tempo. 

Belém, carrilha este vagão estético (desde que tornou-se uma das capitais referenciais do Modernismo brasileiro), mas não só, não devemos esquecer Bragança (Alfredo Garcia,  por exemplo, que carrega o nome de sua cidade), Santarém, Marabá (Ademir Braz, um dos maiores, e mais recentemente Airton Souza, à frente).

Tenho defendido em minhas aulas de Literatura que criamos simbolicamente, como manifestação de cultura literária, a figura do “poeta-paradigma”, assim mesmo, com hífen, que funciona como uma ponte de ligação entre dois significantes que se metamorfoseiam num só. Para ser um poeta-paradigma não basta ser influente em seus tempo, junto a seus contemporâneos (e espraiar esta influência ad eternum), é preciso construir com disciplina, uma obra consistente, de valor, que extrapolem os liames de escolha da província. 

Um poeta-paradigma precisa ser universal, nada de rimar “açaí com bacuri”… Nosso poetas paradigmas, Segundo meus critérios são: Bruno de Menezes, Ruy Barata, Max Martins, João de Jesus Paes Loureiro e, mais recentemente, Antonio Moura. Não estou sendo de todo justo, nesta lista tem lugar Antônio Juraci Siqueira, o trovador poeta-performático. 

E o leitor dirá, mas Paulo Plinio de Abreu está fora da lista? Sim, embora grande escritor, ele não preenche os critérios de interinfluências. Dou-lhes um exemplo: Bruno de Menezes, nos Vândalos do Apocalipse e na Academia do Peixe Frito (principalmente a segunda) interferiu na Negritude e na Modernidade do Pará (Segundo estamos descobrindo eu e Vânia Torres no projeto de pesquisa que realizamos agora na Unama).

Escrever sobre Belém como tema, sem os derramamentos liricistas e demagógicos, é difícil (vide os textos publicados nas redes sociais sobre a capital do Pará), por isto eu sempre lembro, em datas laudatórias, a antologia lançada ano passado, em mídias virtual e convencional, por Vasco Cavalcante (este grande poeta, designer e editor) no sítio Cultura Pará, que ao lado de Pelas Ruas de Belém, do Roberto Jares, e deste Holofote Cultural, ajudam a difundir o que se produz por aqui. 

Pois bem, minha sugestão neste momento de aniversário de Belém são os poemas de Marcílio Costa, Ademir Braz, Alfredo Garcia-Bragança, Airton Souza, Vasco Cavalcante, Lilian Chaves e Antonio Moura, Vicente Franz Cecim, Rosângela Darwich. Boa leitura." Paulo Nunes.




“Belém dos poemas” - Paulo Nunes 

Belém descortina
seu som, que caminha
numa chuva fina.

As sombrinhas
fecham-e-abrem
seus sinais de chuva e sol.

Pessoas
passeiam pisam e passam
e os pingos piam
pela praça...

(Poema “Chuvisco”, Paulo Nunes, do livro Banho de Chuva, editora Amazônia)





Rainforest
Antonio Moura

Chove sobre as folhas de Belém
Chove sobretudo em King´s Cross

Céu branco, árvore negra, floresta
distante – rio serpente esta seiva

deslizando pelos canais do corpo – o re
tumbar da selva – o sangue levantando-se

ao silvo som de tua memória – o uivo
do feiticeiro invocando a voz do fogo,

o lobo sobre a neve – a tua face escura
impressa sob a pele desta noite branca

em que o céu macho e a terra fêmea
matam sua fome de fundir-se no poema

Enquanto chove sobre as folhas de Belém
Enquanto chove sobretudo em King´s Cross

Londres, Novembro de 2012






“Varandais” 
Ademir Braz

Cidade Velha! ... Telhados
À luz da tarde estival...
Pelos antigos sobrados
alegres roupas acenam
há deuses sobre o varal

Retidos entre azulejos
Da Casa senhorial,
Fantasmas brancos antigos
Falam com negros cativos
Que andam pelo quintal:

- “Que fim levaram as rendas
 Que as almas lusas vestiram?”

- “Perderam-se pelas fendas
Das casas que já ruíram...”



“A Cidade tem...” 
Rosangela Darwich

A cidade tem patas e asas
E quando mergulha
Respira debaixo da água.

O céu que amanhece a cidade
É feita de flores, esta
floresta.

Os faróis anoitecem as ruas
E os passantes de todas as épocas
Recolhem conjuntamente o azul.




“Belém”
Para o Poeta Paulo Nunes 
Airton Souza


Belém já não é a imagem
Que passa nas retinas
Na dialética de quadro e parede
É a força de caladas estátuas
Na praça da república

E as paredes de outros séculos
a mastigar solidões
durante as chuvas das tardes

Belém é o muro do poeta
& algumas linhas subscritas
de apressados homens e mulheres
enfáticos de atravessar alardes
e o relógio de sina impassível
que rasga ecoas na praça

enquanto no cais da Baia do Guajará
barcos surdos arquitetam
estórias de amor, desamor e a força
de naufrágios
O poeta tira da garganta
O pó da história de outras beléns.





“Outubros em Belém (Mater)” 
Alfredo Garcia

I

Outubros nascem
na hóstia das Horas
à flor das promessas,
no sal do suor
da romaria dos gestos.

II

Outubros florescem
na hóstia das palavras,
no suor das promessas,
nas hostes dos gestos,
no sal das horas.

III

Outubros naufragam
no sal do suor
de horas e promessas,
romaria de hóstias
à flor das palavras.

IV

Outubros caminham
na floração das horas,
no suor das hóstias,
no sal das promessas,
à sombra das palavras.

V

Sob o silêncio das horas,
sob as vestes das palavras,
sob o sal do suor
das genuflexões,
Outubros vivificam em Belém.



“Poema aos quatro séculos” 
Lílian Silvestres Chaves

minha cidade conta-se em séculos
entregue à prosa desgastada do tempo
beijo seus olhos, como o poeta à pátria
e meu lamento é murmúrio de amor

são séculos de distância percorrida talvez sombras
luz de velhos postes e clarões inusitados
e se homens desa(l)mados assolam as cidades
há sempre quem a desenha com a alma em sonho

assim como a música transfigura a noite
poemas acendem em Belém a leveza dos Círios
- milagres de palavras talhados em miriti –

e meu poema afaga a cidade
com límpidas e ternas mãos de chuva




“Muro Soledade”
Marcílio Costa

Um silêncio de cimento
atravessa a vida de mãos dadas com a morte.

Do lado de fora
Uma voz afronta a fúria luminosa dos metais:
carros e passos passos passos - soluções da pressa.
Uma voz envolta em fúria e fuligem
e saber qual boca a insinua, ultrapassa este
gesto da ferrugem
Daqui não distingo forma alguma,
se humana ou ave estranha vinda de um nunca mais
Vez em quando brilha entre a fenda do olvido,
colorindo a falta com um abissal mistério.
Uma voz insiste. Não reconheço sequer uma cor.
Segue o dia, mar entre pedras, e na espuma
alguma coisa, arfando seu soluço, afoga-se
na praia de motor e passos - sem imprimir seu segredo.

Do lado de dentro,
uma oculta voz; que a todos, um dia, impõe a sua língua;
une Babéis ao chamado irrecusável do tempo
e lembra o corpo, em sussurro, sua irrevogável sentença:
- pasto para os cavalos alados do esquecimento.




“Para alegrar uma rua deserta” 
Vicente Franz Cecim

e é assim que habitas uma
Meditação

De Estrelas e Árvores e se apagando ao teu redor

Onde

não todos choram juntos não
Todos riem juntos, e Não se sabe

até Saber:
que uma Lágrima é Meditação de Tudo
E o Riso: Meditação de Tudo

E se são esses os Dons

Escuta: O Eco.

o sermos

O sorrindo chora O chorando ri



“Poemas para Belém”
Vasco Cavalcante*

a)

Belém,
sob tuas folhagens
navego-me indizível,
e remonto histórias 
em afãs de luas 
nas noites em que me vi 

as tardes 
fremem 
desta urbe ensolarada(s),
nos mastros rotos
que vagueiam
repuxando a água
em suas encostas.

Arde
Range cidade, e desperta 
as rimas, que teci sobre as calçadas
nos quintais dos mundos
no esplendor de outrora.

Urde, Belém, minhas pegadas...

*único poema que não integra a antologia “Belém 400 anos”, integrante do acervo pessoal deste curador.

Mestres de Icoaraci no coração da Cidade Velha

O aniversário de Belém é nesta quinta, 12, mas a festa da cultura paraense, da resistência e de muita alegria em tocar, não tem dia e nem hora para se fazer presente e pulsante. Neste sábado, 14, o show de Mestre Jaci ocupa o centro histórico com a tradição do carimbó pau e corda. O projeto reúne mestres de carimbó da Vila Sorriso, enaltecendo as rodas de batuques e troca de vivências na Casa Velha, em Belém, na Rua Gurupá, 226 - Cidade Velha. A partir das 18h.

Patrimônio e resistência. Carimbó Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro. O que já resistiu antes e não acabou, permanece à beira da perseguição e preconceito. Os Mestres e Mestras, porém, resistem. O tempo passa e muitos ficam debilitados. É preciso políticas públicas de reconhecimento, não bastam alguns mil reais, o feijão com arroz de sempre.

A valorização e o apoio às atividades da Cultura Popular ganham novos aliados. Em janeiro, a SubVersiva Produção Cultural Independente comemora um ano de iniciativas de difusão da cultura alternativa. Em 2016, a homenagem ao Centenário do Mestre Verequete e o lançamento do CD "Toque de Mestres", do Tambores do Pacoval, do Marajó, além do Carimbó Itinerante no Círio, foram algumas das atividades realizadas pela produtora independente pela difusão da Cultura Popular. 

Agora, em 2017, em uma super temporada, o Projeto Mestres Urbano, realizado em parceria com o Cobra Venenosa | Carimbó & Poesia e Tamaruteua e a Casa Velha 226, apresentará por todo este mês, sempre aos sábados de janeiro várias rodas de carimbó. A cada novo encontro, um mestre icoaraciense para partilhar suas vivências e tocar carimbó até o romper da madrugada. 

Mestre Jaci é contemporâneo de Mestre Verequete, e o primeiro vocalista do grupo Irmãos Coragem, que marca a história do carimbó em Belém. Hoje com 64 anos, mostra vitalidade e disposição para manter vivo o seu conjunto Os Caçulas da Vila, grupo tradicional pau e corda em plena atividade, que já participou de festivais como o Serasgum.

Através d’Os Caçulas da Vila, Jaci faz um resgate de grande importância para o carimbó. Mestres que outrora vinham esquecidos e afastados do cenário ganham nova vida passando a integrar o grupo, tendo suas composições de volta às rodas de carimbó de Icoaraci. 

Mestre Coutinho e Mestre Saraiva (em memória), antigos integrantes do conjunto Uirapuru do Mestre Verequete; Mestre Bené (em memória); e Mestre Thomaz (Os Africanos de Icoaraci) são alguns nomes que integraram o grupo.

“A poética de Jaci é uma viajem pela Baía do Guajará e seus braços de rios que lhe abastecem. Um olhar sensível à realidade de um pescador urbano que passou a vida entre o rio e o asfalto. A dura realidade de quem vive a depender dos rios, a devoção aos Santos padroeiros, as praias e ilhas encantadas e a charmosa Vila de Icoaraci ganham ritmo nas composições desse poeta pescador de sonhos”, diz Priscila Duque, vocalista do Cobra Venenosa, grupo que representa a potência poética, política e estética da nova safra de carimbozeiros do estado.

Projeto Mestres Urbanos 

O Projeto Mestres Urbanos da Vila de Icoaraci, idealizado por Hugo Caetano, banjista e vocalista do grupo Cobra Venenosa | Carimbó & Poesia, busca dar visibilidade ao trabalho e dedicação dos mestres da Vila Sorriso. 

Realizada pela SubVersiva Produção Cultural Independente, em parceria com a Casa Velha 226, a programação contará com vivência, troca de experiências e roda de carimbó. 

O que vem a seguir!

Dia 21 -  Mestre Thomaz Cruz, filho de Dona Georgina - centenária, foi dançarina de carimbó - e mestre Zito Nunes, um dos fundadores do primeiro grupo da antiga Vila do Pinheiro, em 1968, “Os Africanos de Icoaraci”, herança que Thomaz assume a condução a partir de 2005.

Dia 28 - Show de Ney Lima Pela Paz, multi-instrumentista autodidata, com mais de 20 anos dedicados ao carimbó, trabalha com artesanato e reciclagem, sendo dono de um banjo de sonoridade única, feito de materiais reciclados.

Serviço
Neste sábado, 14, Mestres Urbanos da Vila de Icoaraci - Vivência/troca de experiências às 18h. A partir das 19h, Roda de Carimbó com o Mestre Jaci - participação Cobra Venenosa | Carimbó & Poesia e Luizinho Lins do Carimbó de Icoaraci. Local: Casa Velha 226. Travessa Gurupá, 226 entre Dr. Malcher e Cametá, no bairro da Cidade Velha. Entrada: R$ 5.

(Holofote Virtual, com assessoria de imprensa - Gil Soter)

11.1.17

Henry Burnett faz audição de "Não Para Magoar"

Radicado em São Paulo, há anos, ele está na “terrinha”, com novidades. Henry Burnett lança , novo disco, nas próximas semanas, e faz audição de "Não Para Magoar", já nesta quinta-feira, 12, dia do aniversário de Belém. O álbum acabou de completar dez anos e será executado ao vivo pelos mesmos músicos que o gravaram, Renato Torres (violão e guitarra), Charles Matos (bateria) e Maurício Panzera (baixo). A partir das 22h, na Casa do Fauno - Aristides Lobo, 1061.

Vai ser com certeza uma noite memorável. Henry Burnett apresentará ao púbico as 12 canções que integram o álbum. Conversei com ele sobre o novo trabalho, o que rendeu uma entrevista que será publicada semana que vem, e com Renato Torres, que falou sobre a apresentação desta quinta e das afinidades múltiplas que tem com Henry e que proporcionam trabalhos tão coesos quanto brilhantes.

De visões artísticas aproximadas e uma evidente admiração mútua, Renato e Henry comungam de uma despreocupação com o "sucesso". “A liberdade criativa, o pensamento sobre as canções, a elaboração da melodia, o foco na palavra, são traços coincidentes. Não Para Magoar (2006) foi o primeiro disco que gravamos juntos. Acredito muito que as melhores parcerias se resolvem pela amizade forte que jaz na base de tudo”, diz Torres, cujo encontro com Burnett, em 1997, vem resultando até hoje em uma trajetória de colaborações, shows e composições.

“Não Para Magoar” é de 2006, uma década depois de “Linhas Urbanas”, o primeiro da carreira. Parece meio cabalístico isso, lançar um disco a cada dez anos, mas não é bem assim, como diz o músico Renato Torres, amigo, parceiro e produtor musical.

“Na verdade, ele gravou outros discos em menor tempo. mas esse tempo reflete, além da própria personalidade do Henry, que matura bastante suas canções e trabalhos antes de lançá-los, um pouco do modus operandi independente anacrônico que temos em comum, com o qual me identifico muito. 

A urgência e a velocidade, tão próprias do mundo contemporâneo, são demandas às quais permanecemos um tanto alheios, ainda que já tenhamos produzido dois discos em tempo recorde”, diz Renato referindo-se a Retruque Retoque, de 2010, e “Belém Incidental”, agora em 2017.

O músico, que só não participou do Linhas Urbanas (1996) e do Interior (2007, gravado em Buenos Aires), colaborou em todos os demais trabalhos de Henry. “No mínimo como engenheiro de som (caso de Depois da Revoada, 2012, disco lançado apenas virtualmente, masterizado por mim no Guamundo Home Studio)”, relembra Renato. 

Disco levou o músico ao "Prata da Casa" em São Paulo

É nesse preciosismo, rigor e senso estético incomum, que Henry Burnett tem levado a carreira, o que inclui sua vida acadêmica, ele é professor de filosofia da música, com aulas e conferências espalhadas pela Europa. "Não Para Magoar" teve um resultado equilibrado entre o uso dos elementos regionais e tradicionais da música popular brasileira. 

“Gosto de poucos elementos, de poucos efeitos, por isso o disco tem um som meio distinto do que se ouve normalmente. Tem uma aridez muito nítida”, disse Burnett, à imprensa, na época do lançamento.

Não à toa, o “Não Para Magoar”, que foi gravado no Estúdio APCE, em Belém, em dezembro de 2005 e lançado no ano seguinte, logo foi selecionado pela curadoria musical do SESC São Paulo e lançado no Projeto Prata da Casa - unidade Pompéia, em de outubro de 2006. 

A curadoria foi do jornalista Pedro Alexandre Sanches, que também já tinha levado ao projeto nomes como Zeca Baleiro, Chico César e Lenine. O CD foi um dos quatro selecionados dentre 400 inscritos no projeto.

“Em Não Para Magoar condensamos, em arranjos, o desejo de Henry de modificar seu trabalho, retirando-o de um nicho tradicional da MPP (mormente em seu disco Linhas Urbanas) para o cerne da experimentação pop que vigorava no underground da cena roqueira de Belém”, explica Renato. 

“Revisitar esse trabalho é confirmar que fizemos escolhas muito acertadas em termos de concepção musical, de arranjos, porque as ótimas canções do Henry continuam nos dando muito prazer em tocá-las. pra isso se grava um disco; para permanência”, complementa o músico.

Agenda - Depois do show na Casa do Fauno, Henry Burnett inicia a maratona de apresentações do novo álbum, “Belém Incidental” , que será lançado nas próximas semanas aqui em Belém. Haverá um pré-lançamento na Discosaoleo, dia 21, às 17h, e no dia 27, às 19h, o lançamento oficialmente o disco no Sesc Boulevard.

Já conversei com Henry Burnett somente sobre o novo trabalho, o que rendeu numa longa entrevista que será publicada em breve, na próxima semana. Vamos ouvir “Não Para Magoar”, ao vivo, nesta quinta-feira, 12. Desejo que a audição e a essência do disco no inspire neste dia de aniversário de Belém, cidade que move o novo álbum a ser lançado, e que é constantemente revisitada por Henry Burnett e que assim seja também por nós, que aqui estamos e a recriamos todos os dias. 

Serviço
Casa do Fauno – Brechó, Sebo Livraria, Galeria e Bistrô. Funcionamento das 10h às 19h, de segunda a quarta-feira, e de quinta a sábado, até meia noite. As apresentações de quinta e sexta iniciam às 22h, com entrada a R$ 10,00. Na Rua Aristides Lobo, 1061, entre Benjamin e Rui Barbosa. Mais informações sobre a programação cultural : 91 98134.7719 e 3088.5858.

10.1.17

Etnias reabre com novidades em novo endereço

O espaço ficava num casarão antigo na Conselheiro Furtado, pertinho da minha casa. Fui poucas vezes, mas não faltava vontade de estar mais por lá. O espaço fechou ano passado e muita gente se perguntou para onde iria e se ainda resistiria. Pois a resposta é sim. O Etnias Cultural reabre suas portas neste sábado, 14, a partir das 16h, com direito a muita música e batuque, a especialidade do anfitrião da casa, o percussionista Dimmi da Paixão. O novo endereço é na Av. Alcindo Cacela, nº 2110, entre as Avenidas Gentil Bittencourt e Conselheiro Furtado, continuando, portanto bem pertinho de mim.

Chegando com novidades, o Etnias Cultural vai continuar apresentando ao público o melhor da cultura regional, agregando agora o estúdio da Rádio Web Idade Mídia e seus projetos de comunicação e cidadania, o conceituado trabalho de produção e comércio de instrumentos artesanais da Luteria DuDimmi, Escola de Iniciação Musical e a novidade culinária com a cozinha do EtiniaVeg. Além de ser um espaço aberto para ensaios, palestra e workshops.

O show de reabertura, neste sábado, 14, traz ao público o talento de artistas, como o Maestro Tynnoko Costa (MPB Instrumental), a cantora Dayse Addario e Ziza Padilha, o Trio Brasileirices (SESC), Projeto LP, Cactus ao Luar (reggae, carimbo e xote), Carimbó Sancari, Carimbó da Maria e o Batuque Etnias.

Tenta ir, chega junto, mas se não der, vai a dica. "O evento será transmitido Ao Vivo pela Rádio Web Idade Mídia (ouça no site www.idademidia.org ou baixe o aplicativo RadioFlix.FM e busque idademidia)", avisa Angelo Madson, que comanda a rádio web mais resistente e insistente dessas bandas de cá. Evoé, Madson!

Dimmi, o idealizador do espaço Etnias Cultural, ressalta que o público contará com atmosfera que é a marca de uma trajetória com mais de 30 anos de produção musical em Belém. “Estamos recomeçando em um novo endereço, mas com a perspectiva de tornar maior e melhor o mesmo trabalho que já desenvolvemos e vem agradando a clientes e amigos”, afirmou.

Serviço
Etnias Cultural / Idade Mídia. Av. Alcindo Cacela, nº 2110. Entre Gentil e Conselheiro. Neste sábado, 14 de Janeiro, a partir das 16h. Ingresso: R$ 10,00. Mais informações, ligue: 91 98346-3865 (Fernanda Freitas, do Etnias Cultural) ou 91 98338-9044 (Angelo Madson, da Rádio Web Idade Mídia).