15.12.17

Amostra Aí inicia com bazar no Casarão do Boneco

A última edição em 2017 começa mais cedo, em todos os sentidos. Abre neste sábado, 16, a partir das 14h, com o Bazar do Casarão e, em seguida, a partir das 18h, o AMOSTRA AÍ, que se antecipa ao final do mês e traz contações de histórias e espetáculo. Tudo no Casarão do Boneco. Pague Quanto Puder.

As atividades do Amostra Aí iniciaram em abril, sempre ocupando o Casarão do Boneco, espaço auto gestado por fazedores de cultura de Belém, que integram 7 grupos ocupantes da casa além de artistas independentes. Em dezembro, além de se antecipar ao final do mês, será antecedido pelo Bazar do Casarão, que reunirá os expositores Sanntta Encadernação, Espumas de Inaê, Franco Atelier, Bazar das Grrrl, Ateliê de Nanan e Morenaflo.

No Amostra Aí, a Cia Lama (Michel Amorim) traz ao público “Ananse e a História das Histórias”, lenda africana que fala de um tempo em que na Terra não havia histórias para se contar, pois todas pertenciam a Nyame, o Deus do Céu, mas Kwaku Ananse, o Homem Aranha, queria conta-las ao povo de sua aldeia. Um dia, ele teceu uma imensa teia de prata que ia do céu até o chão e por ela subiu. Ananse queria comprar as histórias de Nyame, que para conceder isso pediu um árdua tarefa a ele.

O Grupo Balariuê, de Alana Lima e Bárbara Monteiro, conta “Histórias de Sapo”. São três histórias de três obras diferentes sobre os sapos que rondam os contos de todos os tempos. Além das histórias, o grupo apresenta cantigas de roda e brinquedos cantados.

A programação vai encerrar com “Magavilha”, espetáculo premiado pela Funarte e Secretaria de Cultura de Sergipe, protagonizado pela palhaça Carmela (Iris Fiorelli), que participou como palhaça convidada do 3º Seminário de Palhaços e o 1º Encontro de Palhaças de Belém. 

O espetáculo será apresentado pela segunda vez no Casarão do Boneco, sendo mais uma oportunidade de prestigiar e dar muitas risadas. Em cena, uma palhaça tímida, atrapalhada, que não sabe muito bem onde se colocar. Ela espera a chegada de um mágico, curiosa, mexe numa mala misteriosa, passa por uma transformação e mostra que de tímida, não tem nada. 

Todas as ações realizadas no Casarão do Boneco proporcionam formação de plateia e movimento de capital financeiro e cultural, possibilitando a continuidade de existência do Casarão do Boneco, aberto para a cidade de Belém.

Serviço
Casarão do Boneco - Sábado, 16 de dezembro. A partir das 14h: Bazar do Casarão. A partir das 18h: Amostra Aí, com Cia Lama- Michel Amorim e Grupo Balariuê + Espetáculo Magavilha (Palhaça Carmela). Ingresso: Pague o Quanto Puder. Livre para todas as idades. Av. 16 de Novembro, 815, próximo à Praça Amazonas - São José Liberto.

12.12.17

Rock in Rio Guamá reforça caráter independente

De hoje a 15 de dezembro, o 10º Festival Rock Rio Guamá traz para dentro da Universidade Federal do Pará, uma programação diversa, com bandas selecionadas e convidadas, exibição de docs, bate papo e pockets shows no Ciclo das Quartas. Tudo em parceria com a Faculdade de Música da UFPA. A programação é completamente gratuita e aberta a toda comunidade. Como cresceu este menino!!!

Ele nasceu da cena independente de rock de Belém, da qual vários estudantes universitários faziam parte, e se fortaleceu motivado por vários outros alunos da Universidade Federal do Pará. 

A primeira edição veio no finalzinho da década de 1980 e fez referência ao que tínhamos de maior em matéria de festivais no país, o Rock in Rio. A proposta inicial já era a de mostrar a produção musical existente dentro e fora da Universidade Federal do Pará. 

A primeira edição foi daquele jeito mas foi incrível, tomou conta do Ginásio de Esportes e reuniu as bandas que na época incendiavam o cenário rock de Belém, como Mosaico de Ravena, Espargo de Marfim, Nó Cego, Solano Star entre tantas outras que ficaram na história ou ainda estão entre nós.

“A gente está caçando informações sobre os primeiros Rock in Rio Guamá. Não temos informações sobre os primeiros organizadores ou bandas que tocaram. Sabemos que o evento foi acontecendo de forma intermitente e que voltou a ser organizado de forma mais contínua desde 2012 pelo Coletivo Sala Livre, formado por estudantes de Ciências Sociais da UFPa”, diz Filipe Almeida, do Circuito Caninana, atual organizador do evento. 

O atual grupo agrega estudantes, produtores e realizadores da cidade e do interior. “Trazemos para montar os espaços com a gente pessoas que produzem eventos de Hip Hop e que estão ligados à cena do carimbo, por exemplo”, diz ele, o que demonstra também uma mudança de comportamento cultural no meio da música. 

Imagina nos anos 1980, quem era do carimbo mal se misturava com quem tocava guitarra. “A partir da nossa gestão agregamos um palco alternativo, onde damos espaço pro Hip Hop e para o Carimbó. Por meio desse intercâmbio já tivemos encontros bem interessantes”, diz Filipe.

Após diversos hiatos o festival tem sido restabelecido com uma nova roupagem e a vontade de dar voz aos diversos segmentos da produção cultural dentro do Estado do Pará. De caráter independente, privilegiando a cena autoral, não são permitidos covers como em outros eventos. 

“Ele é essencialmente uma mostra do que está sendo produzido aqui. Contamos unicamente com um apoio estrutural da UFPa e todo o trabalho pra levantar ele é feito por voluntários e parceiros do projeto. Gostamos disso, apesar do trabalho duro sem muito retorno, mas continuamos nessa realização por entender a importância de feitos assim pra cultura como um todo e acreditamos muito nisso”, conclui Filipe.

Desde que assumiu o festival, em 2015, o Circuito Caninana investiu na circulação por outros municípios e o Rock in Rio Guamá chegou a outros rios como o Caeté, em Bragança, onde a cultura popular é muito expressiva, e Capanema, que tem uma cena rock com várias bandas autorais. O Rock Rio Guamá conta com ainda com a parceria da Pró Reitoria de Extensão da UFPa, através do V Prêmio de Arte e Cultura da PROEX.

A 10ª edição traz programação musical que reflete bem o espírito da música paraense, diversificada e alternativa, baseada nos grupos culturais da cidade de Belém e do interior do Pará que vão do Rock, Rap ao Carimbó. O incentivo ao intercâmbio reúne novos e antigos artistas, alunos, professores, funcionários da instituição e comunidade em torno do campus.

“Já conseguimos fazer uma radiografia muito interessante da musica independente e isto nos surpreendeu muito. Hoje a gente visualiza o Rock Rio Guamá como um dos maiores festivais universitários de música do Norte e entendemos que a continuidade dele é de suma importância pra cena da música independente no Pará. 

Este ano recebemos na nossa chamada aberta 115 inscrições de bandas querendo participar do festival, mas só pudemos abrir para 12 projetos musicais. Isso por um lado mostra a diversidade e um número expressivo de produções locais, por outro, que essa produção carece de espaços para se expressar”, comenta o produtor.

“O Rock Rio Guamá é muito importante para a cidade, é um momento de celebração da produção local e podemos compartilhar isso com o público universitário e comunidade em geral. O festival se mantém e através dele podemos difundir nossas ideias e unir a todos ali presentes. Acredito que vai ser um momento bem catártico para todos”, comenta Lari Xavier, uma das artistas contempladas.

PROGRAMAÇÃO

Terça, 12, às 16h, no Auditório do Ateliê de Artes da UFPA

  • Exibição dos Docs: “Mestres Praianos do Carimbó de Maiandeua” e “Batalha de São Bráz”
  • Bate-papo com Pierre Azevedo e Everton MC
  • Pocket show com Everton MC

Quarta, 13, às 17h, no Hall do Ateliê de artes da UFPA

  • Mostra Ciclo das Quartas com: Pratagy, Versos Polaris e Max David
  • Quinta, 14, a partir das 18h, Beira do Rio da UFPA,  no estacionamento do Vadião
  • Palco Principal: Zimba Groove, Mastodontes, Steamy Frogs, Lari Xavier,  Jacaré Junkie, Simetria Oposta
  • Palco Alternativo (Hip Hop): Slam Dandaras do Norte, Duelo de MC's, Cypher Breakingdance, Tem Que Ser Sagaz, MangaCity, Agang Crew e Grafitte

Sexta, 15 - a partir das 18h, Beira do Rio da UFPA,  no estacionamento do Vadião

  • Palco Principal: Cérebro de Galinha, All Still Burns, Sisa, Ovo Goro, Ultranova e Moonges do Vietnã
  • Palco Alternativo (Carimbó): Batucada Misteriosa e Caruanas

Serviço
Festival Rock Rio Guamá. De 12 a 15 de dezembro, Universidade Federal do Pará, UFPA. Entrada franca.

8.12.17

Um Jardim Percussivo no palco do Teatro do SESI

Das percussões brotam as melodias dos ritmos que se fundem como Afro-Amazônicos, foco da pesquisa de Márcio Jardim, desenvolvida ao longo de dois anos com um grupo formado por jovens estudantes de música e de grupos de bairros de Belém. Em 2016, gravaram o CD Jardim Percussivo, cujo lançamento será neste sábado, às 20h, no Teatro do SESI, com apoio do Sistema Fiepa, Cultura Rede de Comunicação, Doceria Amorosa e Promusic. A realização é da Central de Produção Cinema e Vídeo na Amazônia e do Holofote Virtual.

Cada um ali tem uma história para contar de como chegou ao grupo. Katarina Chaves estudou com Nazaco Gomes (Trio Manari) e também passou pela Orquestra Vale Música. Teve outras experiências com grupos e viagens para apresentação em outras cidades, já dá aulas também. "Quando vi pela primeira vez o Jardim Percussivo tocar, desejei entrar para o grupo", conta ela.

Tâmara de Aviz lembra que conheceu Márcio Jardim quando ele dava aula de pandeiro na Orquestra de Choro da Fundação Curro Velho e que desde então vinham mantendo contato até que houve oportunidade dela entrar no Jardim Percussivo. "Todo mundo aqui tem uma história parecida, mas com suas particularidades. O fato é que estamos felizes com o lançamento do CD. É como parir um filho", comenta.

Marcelino Santos toca desde os oito anos de idade e vem fazendo duo com um senhor bem mais velho, um mestre, o Curica, um craque do carimbó, e integra a Orquestra Pau e Cordista de Carimbó. No Jardim Percussivo toca também pandeiro e outros instrumentos percussivos.

"É uma grande honra tocar no Jardim Percussivo, o grupo promove um encontro de gerações de músicos", comenta ele que, recentemente apareceu na Globo, em cena gravada na novela das oito tocando seu banjo ao lado de Lia Sophia.

São onze jovens, atualmente, a formar o grupo, que conta ainda com Edgar Matos, nos teclados, o próprio Márcio Jardim, além de Wesley e William, os irmãos Jardim, no baixo e guitarra, respectivamente.

O show vai contar ainda com as participações especiais de Davi Amorim (guitarra) e José Maria Bezerra (guitarra), além de o maestro Luiz Pardal (violino), Jacinto Kahwage (teclado), grandes músicos e parceiros.

"Luiz Pardal e Jacinto Kahwage, por exemplo, foram os primeiros a me darem oportunidade, abriram portas pra mim, são meus mestres, e agora chegou a minha vez também de dar oportunidade a estes novos talentos", diz Marcio Jardim, idealizador de tudo e que assina, claro, a direção musical do show.

Das aulas de percussão a um projeto social

O estudo e prática do Jardim Percussivo, sob a direção de Márcio Jardim, busca manter a sonoridade de instrumentos percussivos, trazendo, além de ritmos, a melodia, fazendo uma ligação entre a mãe África e o pulmão do mundo, a Amazônia.

Uma parte dos integrantes tem formação erudita. Estudam ou estudaram no Conservatório Carlos Gomes, Escola de Música da UFPA, outros vem de bairros da periferia e tocam em grupos de carimbó ou já fizeram parte de outros projetos musicais. No Jardim Percussivo eles aprendem a ler e escrever música também, mas agora, todos eles, se lançam ao desafio da performance no palco, de forma mais livre e contagiante, fazendo de fato emergir os tons e naipes de um aroma musical Afro Amazônida. 

"Vejo o Jardim Percussivo como uma nova geração de músicos desta cena instrumental percussiva da Amazônia, acredito que o show chegue com uma carga de emoção muito grande ao público", diz Carlos Canhão, músico percussionista e baterista, que assina a Direção Artística do show.

Depois de gravar o CD e lançar o clipe da música Correnteza, que está no disco, a ideia é que ano que vem o Jardim Percussivo se torne de fato um projeto social de educação musical, recebendo outros alunos, mas paralelamente siga fazendo shows, projetos e participações em festivais com o grupo. Por enquanto, porém, a semana foi repleta de ensaios, o último realizado hoje (8), com direito a entrevistas à imprensa, em meio a dedicação em passar todo o show de amanhã (9).

Uma trajetória dedicada aos ritmos afro-amazônicos

Tímido, Márcio vem de uma família que sempre esteve envolvida com música. "Sempre tivemos muito incentivo na família. Estão chegando aí mais tios, sobrinhos e tias para ver o show", refere-se ele aos parentes que chegam neste sábado do Maranhão. É onde estão as raízes deste jardim.

Pesquisador, compositor com vasto conhecimento nos ritmos da Amazônia, Márcio Jardim é integrante fundador do  Trio Manari, grupo de referência mundial na percussão amazônida.

O grupo fez participação em mais de 120 discos de diversos artistas, além de presença em DVDs, shows e apresentações em todo o Brasil e países da Europa e Américas. É notória também a pesquisa e produção de instrumentos executados nos shows e agora herdados pelo Jardim Percussivo, conduzido por Márcio Jardim, músico reconhecido também por mestres como Sebastião Tapajós.

Os irmãos Jardim, com o tio, um dos incentivadores 
da música na família.
"Ele é um dos melhores percussionista baterista do país, pode anotar o que estou dizendo", afirmou o violonista, em uma vídeo mensagem veiculada no Instagram do grupo (@jardimpercussivo). "Esse CD que ele tá lançando é maravilhoso... Eu indico este disco pra quem gosta de melodias e percussão, muita percussão", disse o grande mestre.

Depois de já ter levado a sonoridade paraense para quase todos os estados brasileiros e festivais de música apresentados em outros países, Márcio vem desenvolvendo este novo trabalho.

"O Márcio é um grande músico. Há dois anos ele resolveu dar aula de percussão para um grupo de jovens. Depois, não satisfeito ele formou este grupo e ainda não satisfeito resolveu gravar este CD que eu considero um divisor de água na percussão paraense", diz Carlos Barra, que fez a produção executiva do álbum de estreia do grupo e apoia agora o show de lançamento.

Disco traz grandes participações

O disco contou com a participação especial de Eraldo Santos (curimbó), Sebastião Tapajós (violonista), Ney Conceição (contrabaixista), Sérgio Abalos (violonista argentino) e Adelbert Carneiro (contrabaixista), e ainda Beresix (vocal), Rubem Costa (vocal), Jeremias Costa (vocal).

Também gravaram Thiago Albuquerque (programações), Príamo Brandão (contrabaixo acústico), Jacinto Kahwage (teclados), Davi Amorim (violão e guitarra), Hélio Silva (teclado), Bianca Menezes (flauta), Luiz Pardal (sax midi, piano, violino Zeta, teclados), Gileno Foiquinhos (violão), Nego Nelson (guitarra) e Kim Freitas (guitarra).

O disco passou pelo Estúdio Midas, em Belém, e Publik Music, em São Paulo. A mixagem é de Flávio Souza, na Bahia, que traz, como experiência, a mixagem de trabalhos musicais de vários artistas brasileiros, entre eles Ivete Sangalo e Carlinhos Brown.

A cantora Lia Sophia já fez a audição do disco e o recomendou pelas redes sociais.(@jardimpercussivo). "Jardim Percussivo, registro importante de sotaques, ritmos entre a Amazônia e a África, um laboratório feito sob a batuta de Márcio Jardim, que reuniu estes jovens artistas e fez um trabalho primoroso", disse a cantora.

Jardim Percussivo - Show

Músicos: Márcio Jardim, Lucas Miranda, Ruth Saldanha, Marcelino Santos, Tâmara Aviz, Ana Katarina Chaves, Jonielson Marques, Francielly Oliveira, Gabriel Oliveira Gomes, Taiguara Melo (percussionistas). Edgar Matos (teclados), Wesley Jardim (baixo) e Willian Jardim (guitarra). Participações: Davi Amorim (guitarra), José Maria Bezerra (Guitarra), Jacinto Kahwage (Teclados), Luiz Pardal (Violino).

Ficha Técnica
Direção Musical: Marcio Jardim.
Direção Artística: Carlos Canhão Brito
Produção Executiva: Carlos Barra
Direção de Produção: Luciana Medeiros, com Carlos Canhão Brito e Thiago Ferradaes.
Estagiários de Produção: Paulo Henrique Andrade e Fabrício Santos.
Projeto de Som e Técnico de PA: Silvio Amorim
Técnico de Monitor: Sérgio Brito
Desenho e operação de luz: Cláudio Castro
Roadie: Patrick Moraes

Arte Design: Márcio Alvarenga
Fotografa: Débora Flor
Comunicação: Holofote Virtual e Guiart
Registro de vídeo: Jambú Filmes

Serviço
Show de lançamento do CD Jardim Percussivo. Sábado, 9 de dezembro, às 20h, no Teatro do Sesi - Almirante Barroso, 2540 (entrada pela Dr. Freitas. Ingressos à venda no teatro e on line, na Bilheteria Digital: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia). Mais informações: 91 3088.5858 e 98134.7719.

6.12.17

Black Soul Samba comemora oito anos de festa

O show da noite será com a banda Lauvaite Penoso que traz repertório dedicado ao criador da Nação Zumbi e do Movimento Manguebeat. Festa terá ainda participação do DJ Igor Alves. Nesta sexta-feira, 8 de dezembro de 2017, no Bar Palafita.

Há 20 anos o Brasil perderia seu último grande gênio da música e da cultura, Chico Science, o pernambucano que criou o Movimento Manguebeat, responsável por um novo cenário antropofágico na música brasileira no final do século passado. Com sua morte prematura, causada por um acidente de carro, seu legado ficou restrito aos álbuns “Da Lama Ao Caos” e “Afrociberdelia”, ambos na lista dos 100 melhores discos da música brasileira pela Revista Rolling Stone. Homenageá-lo, então, se torna uma necessidade histórica que a Black Soul Samba evoca como comemoração aos oito anos do aniversário do coletivo.

Quem sobe ao palco para essa homenagem é a banda Lauvaite Penoso, que realiza o tributo pela segunda vez na Black Soul Samba, numa proposta que surgiu com o próprio coletivo BSS, que empre associou a musicalidade do Lauvaite ao manguebeat. 

Lauvaite Penoso (Foto: Antonia Muniz)
“Nós sempre nos identificamos com eles, pois também somos periféricos e ligados à culturas populares tradicionais. Mas nossa musicalidade é diferente, pois temos referências musicais específicas do Pará como o carimbó e o tecnobrega de aparelhagem”, explicam os vocalistas.

Rodrigo Ethnos e Júnior Dusik dizem que “homenagear Chico Science é uma honra, pois ele foi um grande visionário da música brasileira, usou a música para denunciar a miséria e a desigualdade na sua cidade. Além de valorizar as culturas populares tradicionais que até então eram sempre esquecidas e subjugadas pela sociedade”, completam os artistas.

O repertório do show-homenagem trás músicas dos dois álbuns deixados por Science: Da Lama ao aos e Afrociberdelia, além de algumas canções da Banda Nação Zumbi (pós-Chico) e de Jorge DuPeixe, incluindo ainda o próprio repertório autoral do grupo aliado ao seu novo projeto: A Bença. Segundo a Lauvaite, a “expectativa é fazer o Palafita balançar ao som das alfaias do Maracatu e dos curimbós do Lauvaite Penoso.”

Festa ampla trás ainda DJ convidado e brechó coletivo

Quem também aporta na noite é o DJ Igor Alves, convidado especial para a noite. Igor Alves é atuante na cena alternativa da cidade, tem seus sets marcados pelo ecletismo (quase esquizofrênico), abrangendo os mais diversos gêneros, do brega ao hard rock, estabelecendo um fio narrativo peculiar à sua discotecagem.

Iniciou seu trabalho como DJ na  festa Limonada Sonora, em 2011. Tocou depois em diversas casas, e foi um dos principais DJ’s do Oito Bar. Ultimamente, vem produzindo o "Baile da Maldade" na Espaço Cultural "Casa Velha".

Além da homenagem ao Chico Science com a banda Lauvaite Penoso, a noite de aniversário da Black Soul Samba também faz um retrospecto dos oito anos de ações do coletivo, com a exibição de fotos no telão do Palafita.

O espaço também terá um brechó coletivo com diversos expositores convidados, muitos dos quais frequentadores que se tornaram amigos da BSS, firmando ainda mais o conceito de coletividade proposto pela Black Soul Samba. Desta forma, o Coletivo Black Soul Samba chega ao seu oitavo aniversário ampliando ainda mais a pluralidade musical no cenário noturno de Belém e mantendo-se como uma das principais incentivadoras da música brasileira na cidade.

Serviço
Aniversário de oito anos da Black Soul Samba com homenagem à Chico Science e show de Lauvaite Penoso. Sexta-feira, 8 de dezembro de 2017 – a  partir das 21h. Bar Palafita – Rua Siqueira Mendes, Rua Siqueira Mendes, 134, Cidade Velha. Ingressos: R$ 20,00. Informações gerais: (91) 98362.1793.

III JACOFEST vai até este domingo em Belém

A terceira edição do Jacofest-Jazz da Amazônia Contemporânea Festival iniciou ontem (5), com as Ladainhas Marajoaras de Cachoeira do Arari, e Mestre Tatu, do Coco do Sul do Pará. O evento segue no sábado, 9, e domingo, 10, no anfiteatro da Estação das Docas, trazendo atrações locais e nacionais, além de um duo alemão. Entrada franca.

 O Jacofest, que tem como referencia o lendário baixista Jaco Pastorius, presta homenagem este ano, ao baixista paraense Kzan Gama, que tem em seu currículo, a gravação histórica do famoso “Saudades do Brasil”, de Elis Regina. 

Kzan, acometido de um enfarto isquêmico, não poderá participar do evento, mas não fica de todo de fora da festa. Em sua substituição, seu irmão, o baixista/tecladista, Joista Kzan e o Cumbuca Jazz tocarão algumas pérolas do seu vasto cancioneiro.

No sábado, além desse show, o público ainda confere Minni Paulo Quarteto Equilibrium e, pela primeira vez em Belém, o Duo Balakumbala (Alemanha) e o trombonista Raul Souza Quarteto (RJ). Já no domingo, tem Delcley Machado Quinteto, Albery (Albuquerque) Project e Rafael Lima, três pioneiros da música instrumental paraense, e ainda Mauro Martins e Juçara Abe, convidados de Rafael, além da dupla paulista Vanessa Moreno e Fi Maróstica.

O Jacofest III tem a coordenação geral de Rafael Lima e na produção/execução, além de Rafael, Juçara Abe, Andrea Barbosa, Samira Rodrigues e Nao Abe, numa realização do Governo Federal/Ministério da Cultura, através da Lei Rouanet, com patrocínio do Atacadão e apoio do Governo do Estado/Estação das Docas e Cultura Rede de Comunicação. 

Serviço
Jacofest – Jazz da Amazônia Contemporânea Festival. Dias 9 e 10 de dezembro, no Anfiteatro da Estação das Docas, a partir das 19h. Entrada gratuita.

4.12.17

Zienhe Castro lança curta inspirado em fotonovela

Uma das lendas urbanas mais populares de Belém une o trabalho de duas reconhecidas artistas paraenses e se projeta na tela do cinema. A fotógrafa Walda Marques se inspirou na ‘Moça do Táxi’ para criar uma fotonovela feita exclusivamente para colecionadores, e a cineasta Zienhe Castro se inspirou neste trabalho para realizar o curta metragem “Josefina”, que será lançado nesta terça-feira, 5, às 19h, no Cine Líbero Luxardo do Centur.

Baseada na lenda urbana “A Mulher do táxi”, e livremente inspirado na fotonovela de Walda Marques, a cineasta Zienhe Castro realiza “Josefina”, um foto-filme experimental de narrativa poética e estética noir, resgatando a história real da Jovem Josephina Conte, que morreu em 1931, aos 16 anos, de tuberculose. Contam que quando estava viva o pai lhe presenteava no aniversário com um passeio de carro pela cidade. 

Reza a lenda, que um belo dia, um ano depois de sua morte, um motorista de carro de praça (não se chamava de Táxi naquela época) chegou à residência dos pais da moça cobrando uma corrida e foi surpreendido com a foto dela na parede e a notícia de estava morta. Desde então essa história vem sendo repassada oralmente de geração em geração. Foi publicada pelo escritor Walcyr Monteiro, em 1972. 

Fotos: Walda Marques
Há diversas versões que hoje fazem parte do imaginário popular. Josephina Conte se tornou uma santa cultuada por vários devotos que oram por sua alma, à beira de sua sepultura, no Cemitério de Santa Isabel.

Embora já se conheçam há muitos nãos da cena cultural de Belém, é a primeira vez que as duas fazem um trabalho em parceria. “Sempre ressaltei o talento e sensibilidade da Walda para a Direção de Arte, além da estética do olhar sensível dela como fotógrafa" diz Zienhe Castro. 

"Este ano, assim que retornei para Belém, recebi um convite dela para adaptar a fotonovela “JOSEFINA – A moça do Táxi”, para o cinema, e aí surgiu a oportunidade de inscrever o projeto no edital SEIVA de produção artística e foi uma alegria, ter sido selecionado”, comenta.

É um projeto duplamente premiado. “Josefina” foi um dos cinco projetos selecionados pelo Museu de Arte Moderna de São Paulo, que a cada ano seleciona artistas para produzirem uma obra a ser entregue aos associados do Clube de Colecionadores, núcleos criados anualmente para fomentar o colecionismo e incentivar a produção artística brasileira.

“Esse trabalho teve uma tiragem de apenas 117 exemplares, não posso nem reproduzi-la. Só quem recebe são os associados do clube de colecionadores, e então esse desdobramento de transformá-la em filme eu achei maravilhoso”, finaliza Walda Marques.

Atmosfera romântica na releitura de Walda Marques

“Josefina”, com direção de Zienhe Castro, da Z Filmes, é livremente inspirada na história recontada por Walda Marques. Desta vez, Josefina se apaixona por Waldomiro e convida Waldomiro para seu baile de 15 anos. Ele vai e o clima de romance fica no ar, mas depois nunca mais a vê e nem sabe de sua morte.  

“O que eu fiz foi colocar amor nessa história. Na minha leitura, Josefina se apaixona da janela de sua casa”, diz Walda Marques. Sem saber que a moça havia morrido, anos e anos depois, ele, motorista de táxi, a pega, sem a reconhecer e passeia com ela pelas ruas da cidade. No desfecho, a descoberta assombrosa.

A adaptação de Zienhe mergulha neste clima romântico. “Gravamos várias coisas na minha casa, pois guardei todas as coisas da fotonovela e da Josefina, quando a fotografei. Então tinha tudo. A proposta da Zienhe foi misturar as coisas, fiquei muito feliz, tudo foi feito com um cuidado incrível”, comenta Walda Marques.

Dois meses de trabalho: "cinema de guerrilha"

Além das fotos que ocorreram na casa da Walda, foram realizadas filmagens no Cemitério Santa Isabel, no Theatro da Paz e pelas ruas de Belém, em particular da Cidade Velha, à noite, que de acordo com a diretora, foram as que mais deram mais trabalho, porque o filme é de época, década de 60/70. 

“É um projeto de micro-orçamento, que foi desenvolvido, executado e finalizado em apenas 60 dias por força do Edital. 

Não houve nem tempo, nem verba para a preparação devida das cenas: tinha-se que ir para as ruas e filmar, simplesmente. Às vezes acontecia de um ‘take’ sair belíssimo, mas eis que no fundo passava um carro ‘último tipo’, e o  ‘take’ ia pro lixo”, conta Zienhe.

A cineasta diz que mesmo com todas essas dificuldades, nesse “cinema de guerrilha, com pouco dinheiro e pouco tempo, fomos abençoados por muitos acertos e por uma equipe em plena sintonia e que abraçou o projeto com amor. Digo que fomos abençoados pela própria Josefina”, finaliza.

No elenco estão Paola Pinheiro (Josefina), Diogo Souza (Waldomiro novo) e Cláudio de Melo (Waldomiro mais velho). A direção de fotografia é assinada por Neto Dias, com fotografias adicionais de Walda Marques, que assina a direção de arte, figurino e a maquiagem do filme. 

1.12.17

Humor: A Liga do Teatro estreia no bar Woodstock

"Serenata de Humor" traz o teatro de volta às noites de Belém, onde já foi comum estar num bar e de repente ser surpreendido por uma trupe de teatro. A Liga do Teatro estará, neste mês de dezembro, sempre às quartas-feira, 20h, no Espaço Cultural Woodstock. 

Sentar, relaxar, tomar uma cerveja e assistir as situações cotidianas mais absurdas da vida virarem cena. "Serenata de Humor é um trabalho comprometido em fazer um final de ano mais leve, porque a vida já é muito dura para não se fazer piada dela", concordam os envolvidos. A iniciativa de levar o trabalho inaugural para o bar é um resgate de um fazer teatral há algum tempo esquecido na capital paraense. 

“Há pelo menos dez anos não temos notícia de algum trabalho teatral indo aos bares e achamos que ocupar também esses espaços é importante para o movimento da cidade e formação de platéia”, pontua Bárbara Gibson, que além de atriz, assume a direção do projeto.

O grupo convida o público a rir do azar e ver como pode ser hilário namorar a distância quando se tem uma internet lenta, odiar ir para o trabalho chato todo dia, passar horas no trânsito maluco das obras do BRT, terminar com aquele namorado que se pegou ranço só de olhar para a cara e até ter que ouvir aquele embuste que acha que canta bem nos karaokês da vida.

A peça é composta por doze cenas separadas, divididas em três blocos, garantindo o dinamismo necessário para a linguagem teatral feita no bar. 

Como não poderia deixar de ser em uma serenata, todas as cenas são permeadas por muita música ou inteiramente cantadas, o que deixa claro uma paixão em comum dos integrantes: os musicais. Todas as músicas são composições do dramaturgo paraense Haroldo França, radicado em São Paulo, que também produziu arranjos eletrônicos especiais para esta temporada.

A Liga do Teatro é formada pelos atores Bárbara Gibson, Erllon Viegas, Leandro Oliveira, Luiza Imbiriba e Valéria Lima. Amigos, já de longa data desenvolvem trabalhos juntos, além de terem passado pela formação técnica da Escola de Teatro e Dança da Universidade Federal do Pará. Para este trabalho o grupo convidou para assumir os arranjos musicais a Drag Queen Condessa, que, além de performer, é musicista e compõe o elenco do coletivo Noite Suja, que também fará participações em algumas cenas.

Serviço
Serenata de Humor. Todas as quartas de dezembro, às 20 horas, no Espaço Cultural Woodstock (Conselheiro Furtado, 1662, entre Generalíssimo Deodoro e Quintino Bocaiúva). Ingressos a R$ 10 | Entrada para maiores de 18 anos. Informações: 98492 7371 | 98824 2404 | 98442 5445 | 98111 4207 | 98131 2298. 

Cia Sorteio de Contos estreia "O Jogo Oriental"

O mais novo espetáculo da Cia. Sorteio de Contos é contemplado pelo prêmio SEIVA - Pauta livre 2º Semestre do Governo do Estado e da Fundação Cultural do Pará. “O Jogo Oriental” terá sua pré-estreia no Teatro Waldemar Henrique, neste domingo, 3, às 11h, com entrada R$ 10,00 e R$ 5,00 (meia). 

Inspirado em histórias populares de três nações de imigrantes que chegaram até o norte do Brasil, “O Jogo Oriental” é o primeiro espetáculo da trilogia dos baralhos. “Escolhemos como mote as histórias das regiões dos imigrantes orientais que aportaram no estado do Pará”, diz Lucas Alberto, ator, contador de históricas, realizador audiovisual e criador da companhia. 

Foram escolhidos três países: Arábia Saudita, Japão e Líbano. A companhia mantem neste novo espetáculo a característica de escolher contos populares e se debruçou sobre as histórias de cada região, trazendo ensinamentos do Zen Budismo, vestígios do rígido código do Bushido e da arte de vencer sem armas. 

“A partir desse mergulho, caminhamos sobre as pegadas na areia dos contos sufis e fomos levados a palácios por Nasrudim e a cavernas misteriosas em montanhas desérticas cheias de tesouros. Ao retornar, nos inspiramos e criamos as histórias: Ali Bábá e os quarenta ladrões, Nasrudim, A História da grande mestra Yama, que são agrupadas junto com outras duas: Savitre - a princesa que enganou a morte e Os contos das areias”, explica Lucas. 

O espetáculo traz consigo a diversidade e a tolerância como palavras chaves do trabalho, uma humilde homenagem aos que também construíram a sociedade nortista vindo de terras distantes a procura de um lar. 

A pesquisa principal da Cia. Sorteio de Contos é a busca de encontro nas artes cênicas e na cultura popular de raiz. “Para esse espetáculo nos aprofundamos nas artes marciais em especial o wushu tradicional e nos contos populares principalmente os Sufis. Como resultado trouxe para cena uma exigência física, rítmica do ator e um trabalho de narração muito vivido”, continua Lucas.

A "trilogia dos baralhos" traz um apanhado histórico sobre o trabalho desenvolvido na Cia. Sorteio de Contos durante o ano de 2016 e a estreia do seu primeiro espetáculo. 

Lucas diz que o objetivo deste espetáculo era lhe possibilitar, como ator, ter um leque grande de histórias e contos que ele pudesse apresentar sozinho. Para pesquisa artística, o ator utilizou a cultura popular (Capoeira Angola, Samba-de-coco, Samba-de-roda), como base da criação e treinamento físico. 

“E como eu tinha de começar por algumas histórias decidi escolher histórias de três regiões que durante minha infância me foram negadas as referência e que na idade adulta me maravilhei. O continente Africano, O continente Asiático e a América Latina. Cada região tem um Baralho de historias, que são sorteadas para serem apresentadas, resultando em 3 espetáculos: O Baralho Oriental, Africano e Amazônico”, finaliza. 

Serviço
Espetáculo O Jogo Oriental. Domingo, 3 , às 11h, no Teatro Waldemar Henrique, Praça da Républica s/n. Ingresso: R$ 10,00 e R$ 5,00 (meia).

30.11.17

Jean-Paul e Edyr Augusto na Aliança Francesa

Jean-Paul está em Belém desde domingo, 26. Na Aliança ele ministra no sábado (2) um atelier de escrita jornalística, mas nesta sexta, 1º, às 19h, participa de uma palestra, junto com o escritor paraense Edyr Augusto, em que os dois vão falar de seus trabalhos, abrindo um diálogo literário sobre obras publicadas na França e no Brasil. Na Aliança Francesa, na Rui Barbosa, 1851. Entrada gratuita.

Com Bossa Nova, não somente descobrimos uma das fases mais rica da música brasileira mas percoremos uma das páginas mais importante da História deste pais. Escrito no forma de um romance, Bossa Nova faz « la part belle » a uma certa forma de « joie de vivre » mas vai mais longe e decripta, pela primeira vez, os motivos que fizeram que esse movimento nasceu com um retorno a democracia e desapareceu com a chegada brutal da ditatura.

Das relações ambíguas entre os políticos de Brasília e de Washington aos artistas esquecidos da Bossa Nova, da bela juventude branca da Avenida Atlantica ao racismo e machismo ambiantes, do passado sulfuroso de Vinicius à personalidade mal conhecida do João Gilberto, do papel pertubador de Aloysio De Oliveira ou do produtor americano Sidney Frey aos bastidores do concerto de Carnegie Hall em 1962, Bossa Nova oferece uma nova leitura desta música, tanto amorosa e apaixonada quanto sem concessão.

Pela primeira vez, entrevistas realizadas pelo próprio autor há mais de trinta anos saíam dos cartões. Até hoje nunca publicadas, sem papo na língua, sem discursos mornos, na contra mão do politicamente correto atual, os criadores da Bossa Nova se abram. Entre eles : Nara Leão, Baden Powell, Ronaldo Bôscoli, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, o poeta Afonso Romano De Sant'Ana, Gilda Mattoso, Georges Moustaki, Claude Nougaro, Pierre Barouh, etc. Sem esquecer a entrevista de João Gilberto...

SOBRE O AUTOR - Nascido na comuna francesa de Aix-en-Provence, Delfino cresceu em Berre-l’Étang, em uma família de professores. Três carreiras rodearam a vida do francês. A primeira foi a de jogador de futebol profissional, entretanto, uma lesão no joelho o impediu de seguir jogando para a França. Após isso, tornou-se professor, mas lhe faltou convicção. Em seguida, veio o amor pela escrita, que permanece até os dias de hoje, quando segue como escritor e jornalista.

Em um projeto editorial específico, o francês veio conhecer a bossa nova e acabou entrevistando grandes nomes como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Nara Leão. O resultado foi a produção de uma série de livros, “Suite brésilienne” (Editions Métailié/Le Seuil/Le Passage) composta por oito livros que contam, através de romances históricos, as grandes etapas da história do país durante mais de 300 anos. 

O autor publicou também uma antologia da música brasileira com 40 canções, nomeada de “Couleurs Brasil”, a obra acompanhou uma série de 40 emissões sobre todas as frequências da rádio France Bleu na França. Além de mais de 15 livros publicados, o autor escreveu também para televisão e cinema.

Edyr Augusto: escritor da urbanidade amazônica

O estilo marcante, a escrita alucinante e implacável de Edyr já havia chamado a atenção de editoras internacionais, a começar pelo romance Casa de Caba, publicado na Inglaterra com o título Hornets’nest pela Aflame Books, em 2007. O paraense também teve alguns contos traduzidos no Peru, pela editora PetroPeru, e também no México, pela editora Vera Cruz. E dois de seus livros estão sendo adaptados para o cinema. 

Ele é jornalista e escritor paraense, vencedor do prêmio Caméléon. Nascido em Belém, em 1954, inicia sua carreira como dramaturgo no final dos anos 1970. Escritor e diretor de teatro, Edyr trabalhou como radialista, redator publicitário, autor de jingles além de produzir poesia e crônicas. A estreia como romancista se dá em 1998, com a publicação de Os éguas. Quadro desolador da metrópole amazonense, o "thriller regionalista" mergulha no ritmo frenético da decadência e da violência urbana.

Muito apegado à sua região do Pará, Edyr Augusto ancora lá todas as suas narrativas. Em 2001 lança Moscow, seu segundo romance, seguido de Casa de caba, em 2004. Seu mais recente romance é Selva Concreta (2012). Os thrillers escritos por Edyr Augusto são conhecidos por representarem o que há de mais interessante na literatura contemporânea paraense, mas com temas identificáveis em qualquer cenário urbano. 

Sua linguagem é coloquial, típica da região, compondo um retrato perfeito da oralidade local. A temática urbana, com uma trama de suspense que se desenrola por bares, botecos, restaurantes, delegacias, clubes e motéis, ecoa a tradição policialesca noir. É nesse encontro que se configura o estilo singluar da obra de Edyr Augusto.

Em 2013, com a publicação de Os éguas em francês (sob o título Belém), a obra de Edyr ganhou grande destaque na cena literária parisiense. Amplamente aplaudido pela crítica, o romance recebeu, em 2015, o prêmio Camaléon de melhor romance estrangeiro, na Université Jean Moulin. Concorreram com ele Milton Hatoum (Orphelins de l’Eldorado), Adriana Lisboa (Bleu corbeau) e Frei Betto (Hôtel Brasil). 

No mesmo ano, Edyr participou do festival Quais du Polar, em Lyon. O evento é mundialmente conhecido por celebrar o gênero noir na literatura e no cinema e recebeu neste ano cerca de 65 mil visitantes e nomes consagrados como Michael Connelly e Harlan Coben. 

Em 2014, o escritor também participou como convidado e palestrante do festival Étonnants Voyageurs em Saint-Malo, e em 2015, foi convidado a participar do Salão do Livro de Paris. Desde então, seus romances vêm sendo traduzidos para o francês. Em 2014, foi a vez de Moscow (2014) e em 2015, Casa de caba (publicado com o título Nid de vipères).

A Fuga inicia temporada em sua escola de origem

Fotos: Victoria Rapsódia
A peça foi construída a partir de texto da dramaturga e diretora carioca Maria Clara Machado e teve uma bem-recebida pré-estreia no último dia 25 de novembro dentro da "Amostra Aí" do Casarão do Boneco. Agora o grupo segue em temporada na própria escola nos dias 4 e 11 de dezembro, sempre às sete da noite.

O que pode acontecer quando dez adolescentes se unem em um plano para fugir de casa e passar vários dias juntos, como protesto contra atitudes de suas mães e pais? Esse é o enredo de “A Fuga”, novo espetáculo do grupo de teatro Arlequinas e Coringas da Escola Rotary, formado por alunos da Escola Municipal Rotary, no bairro da Condor, em Belém, e dirigido pelo ator e professor da escola Arthur Ribeiro. 

Grupo de teatro que nasceu em meio às aulas de língua portuguesa e apresenta proposta, partindo de referências da literatura e dos jogos teatrais e interagindo com a escola e a comunidade, é montar espetáculos com uma linguagem genuinamente juvenil, que provoque reflexão sobre temas que começam a ser vivenciados pelos jovens, voltando-se assim a um público muitas vezes negligenciado pelas produções artísticas.

Arlequinas e Coringas nasceu a partir da iniciativa do professor e diretor do grupo Arthur Ribeiro, que, em 2015, convidou alunos de três turmas do 6º ano do Ensino Fundamental para participar da montagem de O rock das estrelas, baseado na obra homônima de Carlos Queiroz Telles. 

O espetáculo foi apresentado na escola no final daquele ano, marcando, para muitos dos alunos, a primeira participação em uma peça de teatro. Com o sucesso do trabalho, os ensaios continuaram no ano seguinte, e a segunda temporada foi realizada no mês de maio, com mais duas sessões na escola e uma apresentação no Teatro Waldemar Henrique, contemplada pelo edital Pauta Livre, da Fundação Cultural do Pará.

No início deste mês de novembro de 2017, o diretor Arthur venceu as etapas estadual e regional do Prêmio Professores do Brasil, do Ministério da Educação, sendo classificado para disputar a etapa nacional do mesmo com o projeto intitulado “Festa solidária: leitura, escrita e intervenção na comunidade”.

O reconhecimento desse trabalho de expansão realizado pelo professor se mostra como uma ação fundamental para concretizar novas formas de educação. O fato do grupo ter nascido a partir da continuidade de um projeto que se inciou durante as aulas afirma isso. “Quando eu percebi que estar fazendo teatro aqui com eles era o lugar onde eu podia ter mais liberdade pra ensinar e pra aprender também, eu quis continuar e eles também toparam. Então pra mim continuar com o grupo foi uma questão de sobrevivência dentro da escola”, explica Ribeiro.

Para o diretor, o processo de A Fuga representa uma nova etapa da história do grupo, permitindo que todos, atores e diretor, cresçam e compreendam melhor seus ofícios. “O ano de 2017 marcou a saída de vários membros antigos do grupo e a entrada de novos. Com isso, saímos de nossas zonas de conforto e começamos a nos olhar com mais atenção e profundidade. O espetáculo é um resultado disso, pois a construção dos personagens foi feita considerando a personalidade dos atores que os interpretam”, diz.

Maria Clara Machado e a experiência da livre dramaturgia

Levado para o grupo como sugestão de uma das atrizes, Thais Braga, de 13 anos, que o encontrou num livro didático perdido em sua casa, o texto de A Fuga conta a história de dez meninos e meninas que, na expectativa de que sejam atendidas diversas queixas suas a respeito das mães e pais, fogem de casa e instalam-se em um casarão abandonado. Porém, a falta de planejamento, o medo, o cansaço e doenças vão progressivamente abalando os planos do grupo.

O texto original de A Fuga é um pequeno esquete criado para os alunos d'O Tablado, escola de teatro fundada por Maria Clara em 1951. A montagem do grupo Arlequinas e Coringas da Escola Rotary ousa ao reproduzir o início do texto original e modificar os nós e o desfecho da trama, inserindo novos conflitos e aprofundando a tensão dramática da obra. 

A dinâmica da vida infantil que ecoa no enredo criado por Maria Clara Machado se transforma em uma história com mais nuances, que retrata de forma realista e crítica os fatos vivenciados pelos adolescentes e jovens, desde os conflitos interpessoais e com autoridades e os relacionamentos amorosos até a violência urbana e contra a mulher. O resultado é uma trama com a marca própria do grupo, que, sem cair em argumentos moralistas, permite a reflexão sobre o crescimento, a busca tateante pela maturidade e os acertos e desacertos entre pais e filhos.

Serviço
Espetáculo “A Fuga” do Grupo de Teatro Arlequinas e Coringas da Escola Rotary. Quando: Dias 4 e 11 de dezembro - 19h. Onde: Escola Municipal Rotary - Lauro Malcher, entre Apinagés e Tupinambás – Condor Entrada franca.

(Texto enviado pela assessoria de imprensa do espetáculo)