26.9.16

Inscrições: Festival da Canção da Transamazônica

Em sua quarta edição o Festival Canção da Transamazônica já faz parte do calendário anual da cidade de Altamira onde todas as cidades do entorno participam de forma a extrair um Raio-X da música produzida nesta região. O festival premiar músicas inéditas com temas livres e as inscrições, on line, já estão abertas, até dia 19 de outubro, pelo site www.cancaodatransamazonica.com.br.

Este ano, o festival será realizado dentro da Expoxingu – Feira de Oportunidades, de 10 a 12 de novembro. Além do festival, o evento traz rodada de negócios, oficinas e palestras, exposições e venda de produtos e serviços de vários municípios da região do Xingu. 

A parceria da Expoxingu com o 4º Festival Canção da Transamazônica envolverá compositores e intérpretes da Transamazônica e do Brasil. O objetivo é valorizar e incentivar a produção musical na região, assim como democratizar o acesso à cultura e oportunizar novos talentos.

A banda base que acompanhará os interpretes selecionados e o corpo de jurados contam com artistas, estudantes e professores de música de Belém, que possuem um extenso currículo musical, com apresentações ao lado de grandes personalidades da classe artística paraense e nacional.

Projeto coletivo, o festival traz acessibilidade e integração social que dialoga com dez municípios da Transamazônica, e também faz sua parte social arrecadando alimentos não perecíveis a serem doados para APAE de Altamira-PA.


  • 4º Festival da Canção Transamazônica
  • Premiação: R$ 20.000,00
  • Regulamento e inscrições 
  • www.cancaodatransamazonica.com.br
  • Contatos: cancaodatransamazonica@gmail.com      
  • (91) 99125-9484 


Engrenagem estreia o espetáculo “MamÁfrica”

O espaço cultural Centro de Artes (CALM) recebe “MamÁfrica”, o mais novo espetáculo do Grupo Engrenagem, nos dias 29, 30 de setembro e 1º de outubro, às 20h. A montagem surgiu a partir de cinco histórias retiradas do livro “Lendas Africanas dos Orixás” de Pierre Fatumbi, que trabalha  com pesquisa de mito de origem.

O espetáculo conta em três atos a história de uma mãe que cuida e zela por seus filhos onde quer que eles estejam. No primeiro ato do espetáculo ambientado no continente africano – berço de muitas civilizações – a mãe educa seus filhos e mostra a importância da crença nas divindades conhecidas como orixás. 

No entanto, em uma noite após um longo festejo o Português invade a aldeia e trafica o povo transformando-os em escravos na jovem terra morena. Em meio a desventura o povo mantém-se unido com força e com fé no espírito africano que habita em seu interior.

O sétimo espetáculo do Grupo Engrenagem faz uma homenagem a cultura afro-brasileira, viajando por partes de sua fundação desde o momento em que os povos foram trazidos da África e mesclaram sua cultura com a cultura indígena e portuguesa, formando assim o povo brasileiro.

“Toda vez que vamos apresentar em um espaço que não seja um teatro eu fico ansioso para ver o tipo de público que vai nos assistir. E penso na energia que o espetáculo irá levar para o espaço. Nós fizemos um ensaio lá no CALM e ja percebi que o espetáculo tinha que estrear lá. Por ser acolhedor, por ser íntimo. A plateia vai ver tudo de perto. E acredito que a mensagem de respeito a religião afro vai chegar aos espectadores”, conta o diretor e dramaturgo Kevin Braga.

Sobre o grupo - Criado em setembro de 2012, o Grupo Engrenagem já conta com sete espetáculos em seu repertório com apenas quatro anos de estudo e pesquisa a cerca dos vários tipos de teatro que existem no mundo assim como seus teatrólogos e lugares de origem.

Os espetáculos do grupo possuem como princípio a reflexão e crítica da realidade social – seus aspectos culturais, artísticos, econômicos e políticos -, bem como do próprio indivíduo que a constrói, uma vez que concebemos a construção da subjetividade e a da sociedade como um entrelace dialético.

Cada uma de nossas montagens é acompanhada de estudos teóricos congruentes com as temáticas abordadas nos espetáculos. Os estudos abrangem não apenas os conceitos, técnicas e métodos desenvolvidos pelos estudiosos do campo teatral, mas incluem também o debate e análise da sociedade contemporânea no que tange suas questões mais recorrentes e mobilizadoras. 

Essa associação de estudos corrobora a compreensão do indivíduo como produto e produtor da realidade social, adotada pelo grupo; proporciona o suporte necessário para a criação das cenas e definição da linha de encenação como um todo; ao passo que, consequentemente, alia os estudos práticos aos teóricos, ação pertinente ao fazer teatral responsável.

Acreditamos num teatro a serviço da sociedade; um teatro que não apenas diverte, mas que – principalmente – questiona, e que questionando desloca o público do seu lugar de espectador passivo para compreender-se como ser ativo não apenas no âmbito do espetáculo em si, mas da sociedade em geral. Em suma, acreditamos num teatro que configura-se como um facilitador no processo de desenvolvimento das habilidades sensíveis e intelectuais do homem.

Ficha técnica
Direção e Dramaturgia: Kevin Braga
Elenco: Celso Taynan, Costa Junior, Érika Mindelo, Gabriel Farias, Jorge Costa.
Figurino e Cenografia: Celso Taynan
Iluminação: Malu Rabelo
Maquiagem: Celso Taynan e Patrícia Zulu
Produção: Patrícia Zulu
Percussão: Katarina Chaves
Percussionistas: Aline Martinho, Diego Vatos, Ewerton Oliveira, Igor Moura e Patrícia Zulu
Preparação Corporal: Renan Coelho
Assessoria de imprensa: Laíra Mineiro
Arte: Adrielson Acácio e Celso Taynan

Serviço
Espetáculo “MamÁfrica”
Data: 29, 30 de setembro e 1º de outubro, às 20h
Local: CALM – Centro de Artes (Magalhães Barata, 842, entre 3 de Maio e 14 de Abril)
Ingressos: 30 reais (inteira), 15 reais (meia)
Mais informações:  Patrícia Zulu (Produtora) - 91241512/82422150

(Holfote Virtual, com texto enviado pela assessoria de imprensa)

Eis um novo paradigma para os negócios da criação

Fotos: Shamara Fragoso
A produtora Roberta Mártires vem descobrindo como funcionar neste novo paradigma. No sábado (24), ela realizou pela marca Multifário, a roda de conversa “Colaboração é Solução”. O bate papo foi na Casa Velha, que integra o movimento cultural de 'reinvenção' do Centro Histórico de Belém e compartilha dos mesmo propósitos.

Aplicar talentos singulares a projetos de forma coletiva tem sido um caminho cada vez mais encontrado pelos empreendedores criativos que uma vez na cena do mercado, mobilizam talentos em iniciativas flexíveis e gerenciáveis.

“Temos que achar ferramentas que nos possibilitem trabalhar com qualidade mesmo quando não temos capital de giro, e acho que o trabalho colaborativo é o caminho”, diz Roberta Mártires, que criou, há dez anos, a marca Multifário.Depois de trabalhar com decoupage e customização e pintura “como hobby mesmo”, Roberta resolveu resgatar o crochê que aprendeu ainda criança para criar peças com um visual mais contemporâneo.

“Vi que as pessoas estavam gostando, então nos últimos dois anos resolvi investir profissionalmente na marca, como estava sem emprego, sou produtora, pensei, porque não focar em fazer só isso e ver se pode valer também financeiramente. 

E tenho obtido bons resultados, participei de duas edições do Boulevarte, vendi no Polo Joalheiro e em alguns outros espaços e agora centralizei as vendas no Atelier Na Cidade Velha”, conta.

A ideia de realizar a roda de conversa na Casa Velha surgiu quando ela foi fazer as fotos da nova coleção da Multifário. “Percebi que se tivesse juntado com mais duas marcas que precisassem desse serviço, teria reduzido custos com um trabalho de igual ou melhor qualidade. Esse foi o mote pra propor esse bate papo. E com essa primeira reunião tive certeza que esse é o caminho, pois possibilita infinitas formas de troca, inclusive de experiências e vivências”, comenta.

A parceria da Multifário, com a Casa Velha 226, iniciativa do publicitário Marco Tuma, começou há seis meses. “Ele me cedeu uma sala onde não pago aluguel e em troca, ajudo na produção da programação do espaço. A ideia é que cresçam juntas, um espaço dando visibilidade pro outro”, diz Roberta.

Enquanto a Multifário se organiza enquanto empresa, a Casa Velha 226 vem realizando inúmeras programações. O espaço cultural pensado para oficinas e trocas de saberes, também vem oferecendo apresentações musicais diferenciadas pelas soluções criativas do espaço.

“É um pontinho na alma da cidade que deseja movimentar e criar memória e incentivar um gostar de si mesmo nas pessoas que vem aqui, somos pretensiosos nesse aspecto. Já fechamos praticamente toda sua agenda de outubro, um mês bom por causa do Círio”, comemora.

Roberta diz que ela e Tuma buscam mais parceiros que pensem essa nova forma de fazer “negócios”. A iniciativa da Casa Velha 226 e da Multifário também vem somar com um movimento de revitalização cultural no Centro Histórico de Belém.

Iniciativas trazem novos olhares ao Centro Histórico

Os bairros da Cidade Velha e Campina vêm passando por uma transformação social já há alguns anos. 

Históricos e comerciais, eles hoje concentram muitas das iniciativas da economia criativa da cidade, como galerias de arte, ateliers, pequenos restaurantes, casas voltadas a atividades culturais, empreendimentos coletivos, que juntos se tornam um atrativo a mais, fomentando um novo tipo de turismo à região.

“Quanto mais espaços alternativos de resistência cultural, mais incentivo aos artistas em produzir, melhor. Vejo um movimento lindo acontecendo aqui e posso até estar sendo romântica, mas quero muito que isso faça a diferença tanto na vida das pessoas, quanto no cenário geral engessado que vemos nas políticas públicas relacionadas à cultura, é um enfrentamento sem enfrentamento. Acho que a cidade velha tem uma história de pertencimento maravilhosa que pode e deve ser contada e recriada”, finaliza.

Pergunto à Roberta, se ela acha que Belém está preparada para a economia solidária e para a economia criativa. “Belém não só está preparada pra isso, como já tem projetos dentro dessa linha, bons projetos inclusive, e quanto mais, melhor pra todos nesse caso".

Insisto no tema com ela. Como tu te inseres e analisa tudo isso? “Meu lema na Multifário é ‘somos nós’, e tenho certeza que quando estamos juntos o caminho fica mais fácil, claro que existem problemas a serem superados, principalmente quando se fala de várias cabeças pensando juntas, mas acho que o caminho é esse, tentar burlar as dificuldades se juntando aos nossos”, finaliza.


Serviço
Multifário e Casa Velha 226 - Rua Gurupá, 226, entre Dr. Malcher e Cametá. 

24.9.16

As artes da cena na oficina do Casarão do Boneco

Os grupos Dirigível Coletivo de Teatro, Projeto Vertigem e In Bust Teatro com Bonecos colocam seus saberes para troca em um processo de montagem de espetáculo cênico. A oficina “Iniciação em Artes da Cena” será dividida em três módulos, que resultarão em uma montagem coletiva. De 4 de outubro a 1º de Dezembro. As inscrições vão até dia 30 de setembro, pelo site: http://migre.me/v2p4s

Os três grupos integram o Casarão do Boneco, espaço que ocupam de forma colaborativa e onde desenvolvem suas atividades, como apresentação de espetáculos e oficinas. Além do Dirigível, In Bust e Vertigem, vários outros grupos junto a outros grupos e colaboradores somam no coletivo.

A oficina "Iniciação às Artes da Cena vai trazer a experiência de três grupos, que trazem técnicas e pesquisas diferentes, mas que se unem por entender a arte como um retroalimento da vida. O primeiro módulo “Entre o caos e a ordem: O COLETIVO” será dedicado ao treinamento e à preparação do grupo enquanto coletivo, facilitado por Ana Marceliano ( Dirigível).

O segundo será de preparação corporal “Dança e Circo”, com vivência no experimento de ritmos, formas, resistências peculiares da anatomia de cada corpo, conduzido por Marina Trindade (Vertigem). O terceiro módulo traz as “Possibilidades de atuação no Teatro com Bonecos”, com Paulo Ricardo Nascimento (In Bust), apresentando noções fundamentais para o ator na manipulação de objetos com intuito da ânima. 

Os três módulos serão conectados em mais 24h de atividades de criação e montagem cênica pela direção de Maycon Douglas (Dirigível), que vai acompanha todo o processo para criação da estrutura do roteiro de encenação/performance/intervenção a ser apresentada ao final.

Dirigível Coletivo de Teatro - Este é um grupo colaborativo que produz espetáculos cênicos a partir da pesquisa e experimentação artística entre diferentes linguagens (teatro, literatura, dança, música, vídeo e artes plásticas) em busca de um ponto convergente e inovador da criação teatral.

O grupo transita entre o teatro de rua e o palco, o regional e o universal, a fim de produzir espetáculos lúdicos para todas as idades e classes sociais. Possui em repertório três montagens, além de sete contações de história, na forma de “espetáculos-pocket” (20 min), direcionadas para o público infantil com o objetivo de fomentar a leitura.

Projeto Vertigem - Experimentando as técnicas circenses em interface com outras linguagens artísticas, e consequentemente abrindo o diálogo com outros artistas tanto das artes circenses quanto de outras áreas, a palavra para o Vertigem é experimentar.  O grupo começa a se estruturar a partir da necessidade de ampliar a produção em artes circenses vinculada a transversalidade de linguagens artísticas em cena, relacionando o processo de aprendizagem à criação colaborativa, experimentações e pesquisas.

Em 2011, o projeto é contemplado com o Prêmio Funarte/Petrobrás Carequinha de Estímulo ao Circo 2011, com o qual realiza a montagem de “Te Vira! Tu não és de Circo?” Em 2013, com outra premiação, a Bolsa do Instituto de Artes do Pará (Casa das Artes), iniciam o processo de criação/experimentação do espetáculo mARESia e também ganhou o Prêmio Funarte Caixa Carequinha de Estímulo ao Circo, e montou “Trunfo”.

Em 2015, mais uma vez contemplado pela mesma premiação, só que de circulação, levará o espetáculo “Trunfo”, por outras cidades brasileiras.

In Bust Teatro com Bonecos - Surge em 1996, tendo como base de criação e foco de encenação, o boneco, envolvendo o ator manipulador também vem pra cena facilitando a trama. O humor tem sido a essência desse trabalho e desde a sua criação, investiga a utilização teatral do boneco, sua contracena com o ator e, principalmente, a sua relação com a platéia.

Utilizando as manifestações artísticas populares como principal fonte de inspiração, busca nas lendas trazidas pela tradicional contação de causos e nos recursos naturais da região o material para a o seu fazer teatral. Ou seja, com a pesquisa que envolve a arte de animar bonecos, coleta no lendário e nas culturas populares do Pará, não apenas a história que conta, mas todos os recursos cênicos, como o mirití, o pano de rede, a cantoria, a métrica da rima.

Oficina Iniciação às Artes de Cena
Duração: 3 meses (90 horas)/ 3ª, 4ª e 5ª/ 18h às 21h
Investimento: 200,00 reais.
Idade mínima de 16 anos

INSCRIÇÕES no link:  migre.me/uZubJ 

22.9.16

16 bandas classificadas na 2a etapa do CCAA Fest

Das 36 bandas inscritas, treze bandas de Belém, duas de Castanhal e uma banda do município de Curuçá vão continuar no páreo. As bandas passarão por uma espécie de reality show e as selecionadas, por um júri especializado estarão na final do festival, em outubro. Vão valer os critérios de musicalidade, originalidade e produção.

Estão concorrendo as bandas 3*17 (Três Dezessete), Anubis, Caminho Estreito, CanaRoots, Chuvas e Cataventos,  Divine Sign, Dois na Janela, Feira Equatorial, Junior Saldanha Project, Leone, Paula Mello & Banda, The Steamy Frogs e Zeit, de Belém, e ainda Fusão a Frio e Yarla e Seus Homens, de Castanhal e banda Scândio, de Curuçá.

Nesta fase as bandas participarão de um programa de preparação para gravar vídeos, que serão votados na internet. “As bandas terão que ajustar algumas coisas e eventualmente elas podem até deixar de prosseguir caso não cumpram os critérios da próxima fase, dando vez às bandas colocadas logo abaixo”, explica a produtora Juliana Marruás.

Esta é uma das novidades deste ano. As bandas serão responsáveis em produzir os vídeos que serão veiculados na internet para votação do público. Após essa fase, as oito mais votadas irão à grande final com show ao vivo no Teatro Margarida Schivasappa, do Centur, dia 26 de outubro. 

Em relação aos festivais anteriores, o número de inscritos foi menor. De acordo com a organização do evento, esse número já era esperado. “Todos os anos o festival produzia os vídeos para todas as bandas inscritas, o que demandava muito tempo e custo. Esse ano, as bandas ficaram de produzir seus próprios vídeos, ou seja, elas tinham que investir muito mais em sua própria produção, como bandas empreendedoras”, explica o produtor Elielton Nicolau.

O CCAA Fest 2016 tem entre seus parceiros os empresários Ná Figueredo e Moizés Freire, respectivamente, da gravadora Na Music e da loja ProMusic, de instrumentos e áudio. Outro parceiro que ajuda a realizar o festival este ano é Jayme Katarro, da banda Delinquentes e proprietário do Fábrika Studio. 

As bandas premiadas ganharão gravações e videoclipes produzidos pela Rádio e pela TV Cultura do Pará, oferecimento da Rede Cultura de Comunicação, além de vale compras nas lojas parcerias e ensaios gratuitos por um ano. O CCAA Fest 2016 é uma realização do CCAA em parceria também com o Fábrika Studio.

Mais informações:

Turismo cultural e sustentável no Centro Histórico

Uma nova e fundamentada proposta de intervenção turística e cultural nos bairros do Centro Histórico (Campina, Cidade Velha e adjacências). É o que pretende elaborar o projeto de extensão da Universidade Federal do Pará, intitulado “Viabilidade Turística no Centro Histórico de Belém: intervenções turísticas-culturais integradas ao Projeto Circular no Centro Histórico de Belém /PA”. A palestra de apresentação será realizada, na segunda-feira, 26 de setembro, das 19h às 21h, no auditório do SINDLOJAS.

O projeto será coordenado por Diana Alberto, pela Faculdade de Turismo da Universidade Federal do Pará - UFPA, em parceria com os professores Goretti Tavares, da Faculdade de Geografia, e Silvio Figueiredo, do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos, e Makiko Akao, do Projeto Circular. As atividades já iniciarão em outubro, com objetivo de dinamizar o aproveitamento de diferentes setores presentes nesta área da cidade, para a efetivação de um turismo cultural e sustentável.

A parceria da FACTUR, FGC e NAEA com o Circular vem sendo fortalecida desde o início do ano quando, a partir de um Roteiro Geo-Turístico realizado exclusivamente para produção de conteúdo da edição piloto da Revista Circular, foi levantado o tema do turismo sustentável. A equipe da revista percorreu com a professora Goretti Tavares, por exemplo, o trajeto das entranhas da Campina, para a reportagem sobre uma cidade invisível escondida na Campina, bairro repleto de belezas arquitetônicas e marcos históricos, e para o ensaio fotográfico de estreia da revista, com o fotógrafo Marcelo Lélis.

Oficinas e atividades diversas

Foto: Irene Almeida
O projeto de extensão da universidade vai oferecer dinâmicas culturais, sociais, econômicas e turísticas, que serão aplicadas para fomentar o desenvolvimento de atividades ou temáticas sobre Turismo, Patrimônio e Cultura no Centro Histórico de Belém, num exercício de aproximação e empoderamento das pessoas que vivem e/ou trabalham nestas áreas de patrimônio e diversidade cultural, ou mesmo das que estão de passagem, como turistas, ou ainda simples transeuntes desavisados, interessados no assunto.

“Os moradores, por exemplo, terão a oportunidade de aprender um pouco sobre os temas e entender que o turismo pode ser mais um instrumento para agregar valor e identidade ao espaço cultural e patrimonial ao local em que eles vivem, e quem sabe eles mesmos possam vir a criar roteiros turísticos nos bairros. Teremos oficinas de projetos também, pensando dessa forma, em repassar aos inscritos, ferramentas teóricas e práticas, para atuarem nessa possível consolidação do turismo cultural”, explica Diana Alberto, da Faculdade de Turismo da UFPA e coordenadora do projeto de extensão.

Diana Alberto acredita que o projeto traz uma nova proposta dentro da área do turismo e da cultura para o Centro Histórico de Belém e irá colocar em evidência este potencial, diagnosticando, levantando informações para disponibilizá-las a fim de estimular mais pesquisas e propostas que possam surgir nas instituições de ensino superior, e também de espaços culturais, estabelecimentos públicos e privados.

Foto: Irene Almeida
“O que já tivemos de pesquisa na universidade até o momento foram Trabalhos de Conclusão de Curso TCC sobre o tema do turismo no Centro Histórico, apontando em sua maioria, a possibilidade sim desse espaço da cidade se tornar um espaço turístico, mais consolidado”, revela Diana.

A professora ressalta que para ser consolidado, o turismo no Centro Histórico é preciso de mais investimento em segurança, coleta de lixo, ordenamento de trânsito nas vias, além de programações culturais e sociais, isso tanto por parte do poder público (municipal e estadual), quanto do setor privado.  

"A efetivação de um turismo sustentável e focado na economia cultural e criativa depende disso e de outras coisas, como a valorização dos produtores culturais, seja a (o) pequena (o) artesã (ão) e dos espaços culturais, para garantir os direitos dessas pessoas produzirem e da população poder consumir essa cultura. Acreditamos que o Circular já vem proporcionando essa integração entre esses espaços privados culturais que existem na região, com a população moradora e comerciante. E o turismo pode ajudar muito, desde que haja também a implementação de políticas de cultura que valorizem as iniciativas", diz.

Centro Histórico Comercial, Cultural e Turístico

Foto: Marcelo Lélis
O Centro Histórico de Belém é enfatizado, hoje, como ‘centro histórico comercial’, mas na opinião de Diana e pelos objetivos do projeto, esta área da cidade "precisa se tornar e ser reconhecida como um "centro histórico cultural-turístico e comercial", enfatiza. 

"Os comerciantes do bairro também são convidados a participar do projeto", convida Diana. A ideia é que além de ser lugar da economia da cidade, o Centro Histórico possa se tornar referência cultural e turística no país e lugar de desejo aos que vem de mais longe ainda. "Nesta área temos espaços com música, gastronomia, arte, fotografia, artesanato, e também lojas, camelôs. Tudo isso pode potencializar o Centro Histórico de Belém enquanto espaço criativo de cultura e economia”, diz a professora.

A palestra da próxima segunda, 26, é aberta ao público. “Esperamos ter participação massiva dos moradores e comerciantes dos bairros envolvidos, estudantes seja da UFPa e de outras, que estão ligados ao turismo, cultura, arquitetura, além de instituições publicas a nível municipal e estadual, voltadas ao turismo e à cultura, empresários que tenham interesse na temática, além dos participantes do Circular", diz.

“A palestra será uma ação ainda tímida, digamos assim, mas que esperamos ampliar e trazer as pessoas para mais perto de nós, do projeto, do Circular, e que essa seja uma iniciativa que possa trazer mais parceiros e mais ações não somente para o Centro Histórico e para outros bairros da região metropolitana que tenham essas características”, finaliza Diana Alberto.

Serviço
Palestra de apresentação do Projeto (FACTUR/ FGC/ NAEA/ Projeto CIRCULAR). Na segunda-feira, 26, das 19h às 21h, no Auditório do Sindicato dos Lojistas SINDLOJAS - Rua Gaspar Viana, 858 (entre Tv. Piedade e Rua Gen. Henrique Gurjão) – Bairro do Reduto. Mais informações: 91 98127.2218 e 998831.1480.

A obra de Éder Oliveira é tema do Café Fotográfico

A Fotoativa e o Núcleo de Fotografia do Sesc Boulevard convidam a todos para a próxima edição do Café Fotográfico que recebe o artista visual Éder Oliveira. O bate-papo intitulado “Retrato e Identidade” acontece na próxima quarta, 28 setembro, às 19h, no casarão sede da Fotoativa.

Éder Oliveira trabalha e vive em Belém. E licenciado em Educação Artística – Artes Plásticas pela Universidade Federal do Pará. Pintor por ofício, desde 2004 se dedica sobre a identidade cultural através do retrato, tendo como objeto principal o homem amazônico. 

O artista trabalha em diversos suportes como óleos sobre tela, intervenções, e site-specifics, com esse tema realizou as exposições Você é a Seta (Periscópio Arte Contemporânea – MG, 2016), Páginas Vermelhas (Blau Projects – SP, 2015) e Alistamento (Sesc Boulevard – Belém, 2015), além de participar de diversas Mostras, entre elas: 31ª Bienal de Artes de São Paulo (Pavilhão Ciccillo Matarazzo, 2014).

A fala do artista no Café Fotográfico abordará seu processo de criação e como ele se constrói ao longo do trabalho, além da escolha da fotografia/retrato, como um ponto de partida para representar a identidade de um indivíduo, mas também de um coletivo, e como isso se desdobrando em pintura e outros suportes como a própria cidade, causando um afastamento entre o sujeito retratado e a obra artística.

Éder já realizou  também itinerâncias em Campinas (Sesc Campinas, 2015) e Museu de Serralves (Porto – Portugal, 2015), “Pororoca: A Amazônia no MAR” (Museu de Arte do Rio – MAR, 2014), “Amazônia, Ciclos de Modernidade” (CCBB Rio de Janeiro e Brasília, 2012), “O Triunfo do Contemporâneo” (Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul – MAC, Porto Alegre, 2012). 

Obra de Éder Oliveira (Foto: Marcelo Lélis)
Por meio de bolsas e premiações, destacam-se o Lingener Kunstpreis 2016 (Lingen – Alemanha), Programa Rede Nacional Funarte Artes Visuais – 11ª Edição (2015), Prêmio SEIVA Projetos Artísticos (Fundação Cultural do Pará, 2015), Bolsa Funarte de Estímulo à Produção em Artes Visuais (2014), Prêmio SIM de Artes Visuais do Sistema Integrado de Museus (2008) e o 2º Grande Prêmio do Salão Arte Pará (2007), possui trabalhos em acervo de instituições como Museu de Arte do Rio, Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul, Museu Casa das Onze Janelas e Museu da Universidade Federal do Pará.

O Café Fotográfico tem coordenação de Irene Almeida, recebendo mensalmente artistas e pesquisadores para refletir sobre a produção e veiculação da imagem a partir de relatos de experiências e apresentações de pesquisas no campo das artes e áreas afins.

Serviço
Café Fotográfico com Éder Oliveira - “Retrato e Identidade”. Na quarta-feira, 28 setembro, às 19h, no Casarão sede da Fotoativa. Praça das Mercês, 19 – Centro Histórico de Belém. Entrada Franca. Realização: Fotoativa e Sesc Boulevard.

20.9.16

Aparelho abre residência artística no Porto do Sal

Intervenções no Porto do Sal (Fotos: Irene Almeida)
Contemplado pelo Programa Rede Nacional Funarte de Artes Visuais – 12ª Edição, o projeto Margem: Encontros e devires sobre o rio, do Coletivo Aparelho, abre convocatória para residência artística no Porto do Sal. As inscrições foram prorrogadas até 24 de setembro no site do Coletivo, onde também estão informações sobre do edital.

A residência será realizada entre os meses de novembro e dezembro de 2016. Das quaro vagas oferecidas, duas vagas são direcionadas a participantes residentes em estados da Amazônia Legal Brasileira (Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins) e mais duas vagas, para residentes dos demais estados. Podem se inscrever artistas brasileiros e estrangeiros, residentes no país há mais de dois anos, com idade mínima de 18 anos.

Espaço de fluxo, o Porto do Sal é um vai e vem de comércio, de cultura e tradição às margens das águas doces e escuras da Baía do Guajará, em Belém do Pará. Área periférica e portuária da Amazônia localizada no arrabalde mais antigo da capital, o Porto mira uma paisagem insular, e concentra, a um só tempo, signos urbanos e ribeirinhos. Tamanha efervescência humana e espacial convida a experimentações artísticas em diálogo com seus moradores e seu contexto. 

Elaine Arruda, do Coletivo Aparelho
Criado em fevereiro de 2015, o Aparelho é um projeto de arte e cidadania que atua no Mercado do Porto do Sal e seus arredores, desenvolvendo atividades educativas com a comunidade, e ocupações artísticas. 

O coletivo é composto por artistas e gestores advindos predominantemente do campo das artes visuais: Elaine Arruda, Josianne Dias, Vivian Santa Brígida, Verônica Limma, Débora Oliveira, Elisa Arruda, Luíz Júnior e Manoel Pacheco.

O Coletivo ocupa o Porto do Sal, um reduto de conhecimento tradicional, potencialmente aberto a diálogos e trocas com artistas, inserido em um conjunto de paisagens complexas que refletem uma Amazônia contemporânea, a um só tempo urbana e ribeirinha. Neste contexto humano e espacial, o Aparelho promove múltiplas linguagens artísticas, estabelecendo dinâmicas com os trabalhadores, artesãos e moradores da localidade.

Contação de histórias 
Neste contexto, o Aparelho desenvolve múltiplas linguagens artísticas, estabelecendo dinâmicas com os trabalhadores, artesãos e moradores da região. 

“Nossas ações são atravessadas pelo intuito de democratização da arte, cuja presença é negociada pelas relações por ela estabelecidas. Nosso interesse é provocar encontros que desdobrem-se em trocas, estranhamentos, inquietações. Deslocar sujeitos-sentidos-vidas dos seus contextos naturalizados e agregá-los em um espaço-tempo que propicie novas formas de ser-estar no mundo”, diz a artista visual Elaine Arruda.

Com essa perspectiva, a primeira chamada pública do Coletivo Aparelho prioriza a participação de artistas que em suas trajetórias já desenvolvam linhas de atuação frente a contextos similares, mobilizando práticas, aproximações e estratégias de estabelecimento de diálogo e produção de sentidos junto a comunidades locais e seus respectivos contextos.

Oficina de música para crianças (Foto Divulgação)
“A busca é nos deslocarmos para o espaço público, criar uma cena aberta, acionando uma rede de relações disforme, rizomática, cuja tática é o encontro veiculado pela arte. Como artistas, nosso modo de operação é estar em relação, pois em rede, a trama é uma cadeia, uma sequência, um conjunto de nós”, defende Elaine.

Mais recentemente as ocupações artísticas do Mercado do Sal, realizadas pelo Coletivo Aparelho e também pelo Coletivo Pitiú, foi destaque na Revista Circular N. 1, que aborda nesta edição o patrimônio humano do Centro Histórico de Belém. 

Em entrevista à reportagem, vários moradores e trabalhadores do Mercado do Sal ressaltam que o trabalho desenvolvido pelo Coletivo Aparelho tem estreitado os laços da comunidade com o fazer artístico, provocando assim, verdadeiras mudanças de paradigmas na área.

Mais informações sobre o edital: http://www.aparelho.org/

18.9.16

Jorane Castro estreia o 1º longa no Festival do Rio

Será a primeiríssima projeção de “Pra Ter Onde Ir” (Brasil, 2016. 100min, DCP), o primeiro longa metragem de ficção da diretora paraense. “Somewhere to Go”, seu título em inglês, será exibido no Festival do Rio, em outubro, na Mostra Novos Rumos, ao lado de outros cinco filmes escolhidos por suas qualidades e ousadias estéticas e temáticas. 

Os filmes integram a Première Brasil, com um total de 35 longas e 13 curtas competindo no festival pela preferência do público, que escolhe o melhor nas categorias de ficção, documentário e curta, através do voto popular, e pelo júri especial, que elege os vencedores do Troféu Redentor, nas demais categorias. Jorane divulgou a notícia pelo facebook esta semana e a gente quis saber mais. O blog bateu um super papo com a diretora.

A mostra na qual "Pra Ter Onde Ir" está escalado, é um espaço dedicado a diretores que têm olhar diferenciado de cinema. "Fiquei lisonjeada de terem me colocado nesta mostra”, diz Jorane Castro, em entrevista ao Holofote Virtual.

“Será uma estreia mundial, como se diz no jargão do cinema a filmes que terão a primeira exibição de sua trajetória. É a primeira exibição, e será numa sala de cinema do Festival do Rio, excelente janela”, disse.

Produção da Cabocla Filmes e co-produção da Rec Filmes, “Pra Ter Onde Ir”, título também do livro do poeta Max Martins, foi filmado, ano passado, ainda com o nome de “Amores Líquidos”,  um título provisório, como nos conta Jorane.

"Não se adequava ao roteiro, tinha uma carga muito já pré-estabelecida de todo o trabalho do Bauman”, explica a diretora, referindo-se a obra do autor francês Zygmund Bauman  “Amor Líquido”, que trata da fragilidade dos laços humanos.“Achei melhor mudar e acabou ficando esse Pra ter onde ir, que tem muito mais a ver com a história e todas as possibilidades de interpretações que esse título tem.

É importante que tenha mudado”, afirma. Filmado no Pará, em Belém e Salinas, o filme traz no elenco principal Lorena Lobato, Keila Gentil e Ane Oliveira, que interpretam três mulheres com diferentes visões sobre a vida e o amor. 

“Essa história fala de cumplicidade feminina, afirma que você pode ser diferente do outro e pode querer bem a quem é diferente de você. Isso tem a ver comigo, contigo e tuas outras amigas, tua filha. É um filme que fala do amor incondicional pela vida e pelas pessoas que você encontra em seu caminho”, diz a diretora.

Novo momento na trajetória da diretora

Há 15 anos construindo a carreira com direção de curtas e documentários, a estreia do primeiro longa de ficção traz um novo momento na trajetória da cineasta.

“Eu já filmei um longa-metragem, o documentário ‘Lugares do Afeto’, e outro filme pra TV Francesa, também um documentário sobre música na África. Então eu já tinha experimentado uma narrativa longa, mas agora a sensação é de que daqui pra frente tudo será inédito e a descobrir. Talvez tenha valido à pena passar tantas horas trabalhando, feito tanto sacrifício”, reflete.

Jorane diz que o longa ainda não nasceu porque ainda não foi exibido, mas sabe que ele lhe abre um novo caminho. “É mais um estirão na minha frente, com a certeza de que vou continuar fazendo cinema”. A diretora disse também que a sensação de lançar este filme “é de frio na barriga”, mas que tem segurança de que terá boa repercussão. “Sei que o filme está bem resolvido, bem construído, e que tem suas qualidades”, definiu.

Cineasta analisa os processos do filme

Nesta entrevista, Jorane Castro diz que a parceria com a produtora pernambucana foi uma decisão acertada, e que não pensa em parar de fazer cinema. A estreia em Belém ainda está sem data até este momento, mas o lançamento já está sendo pensado.

Holofote Virtual: Em essência “Pra Ter Onde Ir” é um roadie movie, um filme de personagem ou um filme de diretor?

Jorane Castro: É um roadie movie, um filme de personagem e é um filme de diretor. Acho que estes três elementos se mantiveram apesar de não ter um protagonista, uma história central. A narrativa é muito sensorial, é um filme em que as afirmações não são fechadas, o que provoca uma participação do público, que vai interpretar e participar da construção narrativa, que talvez se identifiquem com a história. Roadie movie ele é até no nome...

É um filme autoral, de diretor, porque que ali tem a síntese de tudo que fiz até agora. Tenho a impressão de que tudo que já tinha experimentado e dado certo em outros filmes, eu coloquei ali, além de outras pesquisas também, em termos de luz, interpretação, de construção narrativa. E é de personagens porque são três mulheres incríveis em cena, fortes, bonitas, encantadoras, seguras e inseguras, isso que vai oscilando e dando esta riqueza de textura e possibilidades de personagens.

Holofote Virtual: Chegar ao primeiro longa, principalmente de ficção, deve ser o sonho da maioria senão de todos os diretores. E melhor ainda, estrear no Festival do Rio, uma vitrine muito bacana pelo caráter e repercussão que tem o evento. O que muda daqui pra frente?

Jorane Castro: Você agora percebe que está entrando no mercado e não está mais provando qualidade.  É outra dimensão, então eu não sei ainda o que vai vir, o que eu sei é que a pressão vai ser maior e os retornos também, muita coisa vai acontecer em função disso, não sei como vai ser, passarei pela primeira vez por isso, mas tenho certeza de que vem coisa boa.

Vamos focar no lançamento, mas tenho projetos de longa-documentário prontos pra captar e outros três já financiados que estou tentando produzir, ainda não sei como vou conseguir, mas agora que eu vi que funcionou, quero fazer de novo e logo.

Na fronteira da ficção com o documentário

Holofote Virtual: Escrever o roteiro, filmar e depois ainda montar um filme. Definitivamente muito da concepção inicial da obra pode mudar entre um e outro processo. Isso aconteceu isso com Pra Ter Onde Ir? 

Jorane Castro: Esse filme tem uma evolução muito grande, embora ele mantenha a mesma história desde o inicio, a narrativa foi evoluindo com os processos. Evoluiu do roteiro para a filmagem. Daí para a montagem evoluiu mais ainda. Trabalho muito com documentário e ficção, tanto um quanto. Na ficção, a gente tem impressão é de que a narrativa tem que ficar presa naquele roteiro. Mas com esse filme foi tratado como se fosse uma ficção, mas montado como documentário. 

Trabalho muito com documentário e ficção. Na ficção, a gente tem impressão é de que a narrativa tem que ficar presa naquele roteiro, mas eu acho que esse filme tem uma concepção final, e foi tratado como se fosse uma ficção, mas montado como documentário.

No roteiro tinha muita fala, dai na filmagem isso já foi enxugada e houve improvisação. Outra, é que eu colocava uma atriz no carro, dizia pra ela ir pra tal lugar e faz tal coisa. Então as pessoas foram sendo filmadas sem saber. Depois passávamos e pegávamos autorização. Então tudo isso foi muito processo evolutivo sim, na linguagem, e isso se deu porque o filme precisava crescer e dar este salto. Na montagem tivemos dois processos revolucionários para o filme. Foi muito interessante.

A montadora do filme é uma pessoa fantástica. Joana Collier é uma profunda conhecedora de cinema e também assimilou muito rapidamente a minha maneira de pensar cinema. Foi um dos mais agradáveis processos e de colaboração. Também foi muito bacana trabalhar com o Edson Secco, no som. A edição de som teve uma importância incrível no filme.  Deu uma vibração e deu importância a vários elementos. Foi muito importante isso pra mim.

Parceria produtiva e de pegada paraense

Holofote Virtual: A Cabocla já tem uma trajetória longa em produção, mesmo assim você contou com uma coprodução. Deu certo então a parceria com Pernambuco? 

Jorane Castro: É longa de ficção e a cabocla não tem experiência de gerenciar um projeto tão grande quanto esse. Quando a Rec Produtores Associados entrou, a gente ganhou um solidez, uma segurança de que as coisas iam acontecer da forma correta. 

O Ofir (Figueiredo), sócio da Rec, já morou muitos anos em Belém, tem muita proximidade e interesse pela nossa história, tínhamos que fazer esta parceria. Foi uma necessidade da Cabocla. E Pernambuco me parece muito próximo de nós, tenho admiração pelos filmes que a Rec produz, sempre tive esta admiração e vontade de trabalhar com eles. Então quando surgiu a possibilidade de fazer um filme, a gente já andava se “paquerando”. 

Holofote Virtual: O filme traz música da Gang do Eletro, a paisagem de urbana e litorânea é paraense, mas teria o filme ficado também com alguma pegada pernambucana?

Jorane Castro: É um filme de pegada paraense, isso é inegável.

Pernambuco é um lugar que é muito vibrante para o cinema, hoje, e os parceiros que vieram foram de grande qualidade e me ajudaram a fazer um filme muito bom, mas eles conseguiram se adequar à visão de um filme amazônico.

O filme teve uma equipe de pessoas competentes que contribuíram com os demais. Éramos 90 pessoas da equipe, seis vieram de Pernambuco e um do Ceará, os demais são paraenses. A parceria pra mim foi muito produtiva. 

Depois da estreia, distribuição e novos desafios

Holofote Virtual: Quais os próximos passos após o Rio de Janeiro e o quais as expectativas?

Jorane Castro: Estamos fechando com uma distribuidora para programar o lançamento dele nas salas comerciais, mas ainda queremos fazer um circuito de festivais e perceber melhor a aceitação.

O distribuidor vai nos ajudar a mapear isso e na construção da trajetória. Eu me sinto chegando nessa praia dos longas metragens, mas eu gostaria que as pessoas guardassem preciosamente as imagens desse filme pra sempre e carregassem suas histórias com elas. Isso seria muito gratificante. 

Holofote Virtual: Pra gente encerrar, queria saber como enxergas a cena atual do cinema brasileiro, em meio a tantas turbulências políticas?

Jorane Castro: A impressão que eu tenho é que nunca se filmou tanto no mundo inteiro. Os festivais selecionam 10, 15 filmes entre 150 inscritos, de todo tipo, toda qualidade. Temos um cenário de filme brasileiros muito bons, filmes de grande qualidade, somos grandes documentaristas, temos tradição de fazer documentários e estamos cada vez mais próximo de ter uma cara do cinema brasileiro.

Acredito que estejamos saindo da teledramaturgia, pois o cinema ainda tem muita influência desse meio, porque temos uma supremacia das narrativas da televisão, para chegar aos filmes autorais, bem fotografados, com música boa, qualidade técnica e de interpretação. Nosso cinema está sim num bom momento, estamos fazendo filmes regularmente há mais de 20 anos. Cada festival receber cerca de 150 filmes de inscrição? É uma abundância e pra mim isso é positivo.


16.9.16

Encontro discute cena da música autoral em Belém

O 1º Encontro da Musica Autoral Independente Belém acontece neste sábado, 17, na Casa Velha, espaço cultural situado no Centro Histórico de Belém, no bairro da Cidade Velha. O evento pretende reunir músicos e demais profissionais envolvidos e atuantes na cadeia produtiva da música independente. Na mesa de debate, os temas que compõem o mercado local, anseios e expectativas de veteranos e de quem está chegando agora. Entrada franca.

Encontrar (novas) alternativas de gestão e sustentabilidade para os novos empreendedores criativos da esfera musical - com enfoque nas bandas - por meio de explanações, esclarecimentos, apreciações, trocas de experiência e afins que ajudem a apontar novos caminhos dentro do nosso (velho) sistema.  O evento traz como proposta organizar as experiências, métodos, saberes, vivências e conhecimentos relativos à produção da música autoral independente feita na capital paraense.

Os organizadores entendem que para o (re)conhecimento formalizado das demandas necessárias à classe artística, é preciso “promover a dignidade humana, social e cultural podendo significar um passo a frente para o amadurecimento de uma identidade (ou entidade) política, que possa ter representatividade em questões que envolvem a cena musical autoral de Belém”, explica Leonardo Vicente, mediador do debate, a convite de Alex D'Castro, músico, idealizador e produtor do evento.

Entre os temas do debate serão discutidos itens como custos de produção, público, infra estrutura, estúdios, equipamentos, financiamento coletivo, cachês, divulgação, espaço pra apresentações, "Vitrine", a relação custo x benefício, ente outros.

“Não visamos lucros. Não temos bandeiras partidárias envolvidas...”, diz Alex D'Castro, que é também vocalista da banda A República Imperial. De acordo com ele, o 1º EMAIB é uma reunião para aproximar quem faz musica em Belém. Alex acredita que muitos têm as mesmas inquietações e precisam conversar sobre isso.

Debate terá convidados na Casa Velha

Casa Velha
O encontro terá espaço na Casa Velha, um espaço cultural e colaborativo, desenvolvido pelo músico e publicitário Marco Tuma e pela produtora cultural Roberta Mártires. 

O debate contará com os convidados Pedro Vianna (poeta, músico e produtor cultural), Ed Guerreiro (Na Music), Ná Figueredo (Na Music), Anderson Moura e Ana Paulo Guerreiro (Apoena), Carlos Correia Santos (jornalista e escritor), Bruno Benitez (músico que teve seu projeto recentemente aprovado na plataforma Eu Patrocino) e Lázaro Magalhães (músico e jornalista).

“O encontro vem abrir a discussão de uma agenda e para tomada de decisões, assim como promover a avaliação de uma política pública que seja benéfica a todo o ciclo da cadeia produtiva da musica autoral independente feita na cidade” , diz Leonardo Vitor, mediador do debate. 

Alex D’Castro diz que o EMAIB “não tem o compromisso de, no fogo da discussão, forjar a ferramenta derradeira para ‘concertar’ as coisas. O trabalho, sabemos, é de formiga. A argamassa que vai construir a ponte pra melhoria é, e precisa ser, retirada do interesse de todos. Mas pra isso é preciso que todos saiam de suas casas e venham fazer de perto/parto”, convida o músico.

Experiências e dificuldades impulsionaram o evento

A República Imperial
A ideia do encontro partiu de um grupo formado por ele, que é músico há 15 anos. “Tenho uma referência familiar com a arte e desde muito jovem e reconheço a importância da música na minha vida”, Leonardo Vicente. 

Desde 2003, o artista está envolvido com a produção musical e já participou de diversas iniciativas autorais. “Após coletar algumas experiências, percebo que existem problemáticas que envolvem o trabalho e do oficio como músico em Belém”, continua. 

Focado na experiência desses 13 anos dentro da cena autoral independente, o músico analisa a estrutura da cadeia da música em Belém como deficiente, “principalmente em torno da sustentabilidade de sua base produtiva (ou mão-de-obra para os práticos) que somos nós, os músicos, arranjadores, letristas e compositores dos quais representamos uma parcela da produção artística da cidade, na qual é responsável pela difusão dos significados da cultura paraense, seja nos ambientes alternativos, espaços culturais, praças ou em casa de shows”, finaliza o mediador. 

Serviço
1º Encontro da Música Autoral Independente Belém", na Casa Velha. Neste sábado, 17, a partir das 15h, com entrada gratuita. Haverá venda de comidinhas e bebidinhas. Travessa Gurupá 226 entre Dr Malcher e Cametá – Cidade Velha.

(Holofote VIrtual, com informações de Alex D'Castro e divulgação do evento)