12.2.18

Theatro da Paz de Portas Abertas em seus 140 anos

Imagem frontal do teatro (Foto: Eliseu Dias/Secom)
Difícil de acreditar, mas tem muita gente em Belém que nunca entrou no Theatro da Paz, uma oportunidade que pode ser abraçada neste mês de aniversário com o projeto de visita guiada, que receberá o público gratuitamente, a partir desta quinta-feira, 15, quando a festa traz ainda um concerto da Amazônia Jazz Band, às 20h.

Um dos orgulhos do paraense, o Theatro da Paz  completa no dia 15 de fevereiro 140 anos de fundação. São muitas histórias para contar. Algumas delas foram relatadas por Vicente Salles, Benedito Lima de Toledo, Allan Watrin Coelho, Fabiano Bastos Moraes e Gilberto Chaves no quinto volume da Série Restauro, obra cujos textos complementam e rememoram o significado do Theatro da Paz para a cidade de Belém. A publicação foi lançada em 2013 pelo Governo do Pará, Secult e Academia Paraense de Música.

No plano das pesquisas, outra boa indicação de leitura sobre o assunto é “Histórias Invisíveis do Theatro da Paz”, em que a jornalista Rose Silveira reconstrói o percussos e encalços da construção do teatro, em meio ao crescimento urbano de Belém, no auge do ciclo da borracha. Há inúmeras outras publicações e pesquisas que trazem olhares e nuances desses quase século e meio.

Sala de espetáculo (Foto: Cláudio Santos)
Para além das páginas dos livros, porém, o desafio de manter a história do teatro pulsante, com ele na ativa e bem conservado, também depende do nível do quanto temos consciência sobre sua relevância enquanto patrimônio histórico. É um dos objetivos das visitas que iniciam nesta quinta, dia do aniversário de fundação do Theatro da Paz, guiar o público num passeio pelo tempo, conhecendo um pouco mais dessa história que continua a ser escrita por todos nós.

“Todos precisam conhecer o teatro, que o público venha para as visitas guiadas e que participe dos concertos, que também são gratuitos. O Theatro da Paz é muito importante para os paraenses, para o país e tem reconhecimento internacional, nada mais justo que as pessoas que moram aqui também tenham acesso a ele e sua história”, diz a diretora Célia Cavalcante, que assumiu o carga há seis meses.

Visitas Guiadas vão até o final do mês

Portas Abertas - Visita guiada (Foto/Divulgação)
O Projeto "Portas Abertas" conta com onze dias de visitação pelas instalações do Theatro da Paz. E são várias sessões, de terça à sexta-feira, nos horários de 09h, 10h, 11h, 12h  e 14h, 15h, 16h, 17h; aos sábados às 09h, 10h, 11h, 12h e, aos domingos, às 09h, 10h e 11h. É só chegar, retirar uma senha e participar de uma visitação histórica. Cada grupo será formado por até 80 pessoas. 

Também haverá visitação destinada ao público infantil, com a retomada do projeto “Contação de História”, que recebe crianças e estudantes da rede pública de ensino público. As visitas guiadas para o público adulto não restringe crianças, que também podem participar, mas para o Contação de História é necessário agendar participação previamente. 

Para a primeira ação, no dia 28 de fevereiro, já estão confirmadas as crianças do ProPaz, E.E. Ida de Oliveira, E.M. Maria Stellina Valmont e E.M. Republica de Portugal. Nos meses subsequentes o projeto acontecerá regularmente, uma vez por mês.

História que atravessa o tempo

Contação de História (Foto/Divulgação)
A pedra-fundamental do Theatro da Paz foi lançada pelo bispo D. Macedo Costa, em 1869. A construção iniciada no auge do período da exploração da borracha, terminou em 1874, mas devido a denúncias contra os construtores só foi inaugurado após a conclusão do inquérito, no dia 15 de fevereiro de 1878. Tombado pelo Iphan, em 1963, é o maior teatro da Região Norte e um dos mais luxuosos do Brasil. 

Durante todos esses anos, o teatro passou reformas, que mantiveram suas linhas arquitetônicas originais, um universo secular pelo qual o público passeia quando entra ali. As poltronas são de palhinha, escolha da época, pensada por ser mais adequadas ao clima local. No saguão, dois bustos em mármore de Carrara: de José de Alencar e de Gonçalves Dias, dois primeiros indianistas da literatura brasileira. Há também o busto de Carlos Gomes que regeu ali sua mais famosa ópera, “ O Guarani”.

Durante todo o ciclo da borracha as mais importantes companhias líricas e de dança se apresentaram no Theatro da Paz, que recebeu Ana Pavlova, considerada uma das maiores bailarinas clássicas de todos os tempos, e a grande cantora lírica brasileira, Bidu Sayão. Depois veio o declínio da exportação do látex e o teatro passou por uma período em decadência, para ser reerguer no século XX, quando passa pelo primeiro restauro. 

Cuidados permanente e bilheteria eletrônica

Entre 2001 e 2002, grande reforma (Foto/Div. Agência Pará).
"Não é fácil manter um teatro monumento, é preciso cuidados específicos e muita atenção. Além de nossas programações, um dos maiores desafios é esse, a sua manutenção", comenta Célia Cavalcante, lembrando que da última grande reforma pela qual passou o teatro entre os anos de 2001 e 2002. 

"Temos um trabalho constante, de trocas das palhinhas das cadeiras, lâmpadas que queimam, entre outros zelos, pois é um teatro secular, pedimos sempre que o público que vem ao teatro também tenha cuidado com esse patrimônio", diz Célia. 

Todo esse cuidado vem permitindo que programações pontuais sejam realizadas, como os concertos da OSTP e Amazônia Jazz Band, o Festival de Ópera, que este ano chega a sua 17ª edição, além de espetáculos locais ou que estejam em turnê pelo país.  Uma boa novidade é que não é mais necessário enfrentar filas para retirada de ingressos pagos ou gratuitos. Foi implantada no final de 2017 a bilheteria eletrônica, permitindo que os ingressos possam ser adquiridos pela internet (www.ticketfacil.com.br

"Além da gente abrir as portas para as visitas guiadas do público, este mês, de forma especial, sem cobrança de ingressos, apenas retirada de senhas aqui mesmo, também já estamos oferecendo o serviço de bilheteria na internet. Isso facilita, para quem não tem tempo de ficar na fila, retirar seu ingresso mesmo que seja gratuito", conclui Célia Cavalcante.

Amazônia Jazz Band rende dupla homenagem

Amazônia Jazz Band (Foto: Thiago Gomes/Ag. Pará-Secom)
Além de contar sua história, o Theatro da Paz também oferece um belo espetáculo na noite de seu aniversário. O concerto da Amazônia Jazz Band, nesta quinta-feira, 15, renderá todas as homenagens ao Da Paz e também ao maestro Waldemar Henrique, que nasceu na mesma data de fundação do teatro, e se estivesse vivo, completaria 113 anos. 

No repertório obras como “Foi Boto, Sinhá!”, “Maracatu”, “Uirapuru”, “Minha Terra” e “Boi Bumbá”, com arranjos especiais de Tynnoko Costa, todas composições de Waldemar Henrique, além de ‘The Phat Pack’, de Gordon Goodwin; Baião de Lacan, de autoria de Guinga e Aldir Blanc, com arranjo de Nailor Azevedo “Proveta”; e um pout-pourri de Trem da Onze, Disparada, Cidade Maravilhosa, com arranjos do próprio Nelson Neves.

“Sempre é um prazer homenagear o nosso templo das artes dos paraenses e, sobretudo, o maestro Waldemar Henrique, tão querido por toda classe de músicos, não só daqui, mas de todo o Brasil. É um privilégio a AJB participar dessa homenagem. Escolhi as músicas mais conhecidas dele, que foram significativas na carreira de compositor. E para celebrar o teatro, vamos apresentar uma canção do tempo de ouro dos musicais americanos, com ‘The Phat Pack’, feita para homenagear Frank Sinatra, Sammy Davis Jr e Dean Martin”, comenta Nelson Neves, regente da Amazônia Jazz Band.

A apresentação conta com a participação da cantora Simone Almeida. Natural de Igarapé-Mirim, ela diz que esse concerto será um marco na sua carreira. “Estou me sentindo muito honrada com esse convite. Canto as canções do maestro desde que comecei a cantar em coral, há mais de 10 anos, onde pude conhecer melhor as suas obras. E quando comecei meu trabalho solo, mantive as composições nos shows”, diz a cantora.

PROGRAMAÇÃO 140 ANOS

  • CONCERTO AMAZONIA JAZZ BAND
“Celebrando Theatro da Paz e Waldemar Henrique” 
15 de fevereiro, às 20h - Os ingressos podem ser retirados a partir das 9h do dia 14/02, na bilheteria do teatro e no site www.ticketfacil.com.br (limitada a dois ingressos por pessoa, com taxa de conveniência de R$ 2 cada).
  • PORTAS ABERTAS
Visitações gratuitas de 15 a 27 de fevereiro/2018
Com distribuição de senhas na Bilheteria do Theatro.
De 3ª à 6ª feira: 9h, 10h, 11h, 12h, 14h, 15h, 16h e 17h
Aos sábados: 9h, 10h, 11h e 12h
Aos domingos: 9h, 10h e 11h
  • CONTAÇÃO DE HISTÓRIA
Cronograma 1º semestre de 2018 - (de 10 às 11 h)
28 de fevereiro - 21 de março
25 de abril - 23 de maio - 18 de junho 
Público atendido: Crianças e adolescentes de escolas da rede pública de ensino.
Lotação: 100 pessoas. Duração: 50 minutos

Theatro da Paz (Avenida da Paz, s/n)
Entrada gratuita
Informações: 40098769/ 40098758/40098759

7.2.18

O IX Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia

O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia realiza em 2018 a sua 9ª edição.“Realidades da Imagem, Histórias da Representação”, temática escolhida, tem como objetivo selecionar e premiar obras que proponham uma reflexão ampla sobre a prática social por meio da arte e o fazer artístico como expressão histórica. As inscrições estão abertas e seguem até 13 de março de 2018, no site www.diariocontemporaneo.com.br

Toda produção artística está ligada ao seu tempo e aos seus autores, sendo assim uma expressão histórica desde já. Por mais que a fotografia tenha alcançado o patamar de arte, abraçando a ficção, ela nunca deixou de ter relação com o mundo real. O que mudou foi a forma de se relacionar. O que antes tinha a obrigação de ser a cópia fiel da realidade, hoje se apresenta como um recorte dela, um olhar, uma possibilidade sensível que convida para ao diálogo.

Mariano Klautau Filho, curador do projeto, propõe vários questionamentos acerca do tema, “quais os mecanismos da arte diante do contexto social? Quais os papéis que desempenham as imagens fotográficas na arte em face de realidades tão concretas? Quais reflexões podemos construir sobre a prática social por meio da arte e o fazer artístico como expressão social? Qual o lugar do artista nas representações históricas e nas histórias da representação? A fotografia oferece, desde seu surgimento, vários desafios. É o que o IX Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia propõe para o ano de 2018”.

Que obras representariam esta nossa realidade tão complexa? A crise de representação atual tem a ver com a falta de reconhecimento político, questões de raça, classe social, gênero e sexualidade.
Os artistas narram o mundo em que vivem. Ao acolher as diversas ideias, grupos e debates o Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia reforça a potência da arte em resistir e de se fazer presente no que estar por vir.

O PRÊMIO

Serão concedidos três prêmios no valor de R$10.000,00 cada, sendo dois deles na forma de bolsa para residência artística nas cidades de São Paulo e Belém. Os selecionados e premiados participarão da 9ª Mostra Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia, no Museu do Estado do Pará – MEP, que ocorrerá no período de 08 de maio a 09 de julho de 2018.

O Diário Contemporâneo abre espaço também para propostas em vídeo, instalações, projeções e trabalhos que misturam suportes. O artista poderá inscrever-se livremente e concorrer a qualquer um dos prêmios de acordo com a sua linha de trabalho. Serão selecionados no máximo vinte e três artistas, incluindo os três premiados.

Aberto a todos os artistas brasileiros ou residentes no país, o Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia trata-se de um projeto nacional, que em seus anos de atuação contribuiu para a consolidação do Pará como lugar de reflexão e criação em artes, além de proporcionar o diálogo entre a produção local e nacional. É uma realização do jornal Diário do Pará, com apoio institucional do Museu do Estado do Pará – MEP, do Sistema Integrado de Museus/ Secult-PA e do Museu da UFPA.

Serviço
IX Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia já está com inscrições abertas. Informações: Rua Gaspar Vianna, 773 – Reduto. Contatos: (91) 3184-9310; 98367-2468.

6.2.18

"Terra Sem Mal" na Galeria do Banco da Amazônia

A mostra do fotógrafo Rafael Gamba foi contemplada com o edital de pautas 2018, apresentando 19 fotografias e um vídeo, realizado em parceria com a artista visual Viviane Gueller. As imagens revelam o período em que o pai de Rafael, Isidorio Gamba, viveu em Manaus em meados da década de 1970, quando comprou uma câmera fotográfica e passou a retratar a paisagem - em plena mudança. A curadoria é de Fernando Schmitt.  Abertura nesta terça-feira (6), às 18h30, no Espaço Cultural Banco da Amazônia, em Belém. A entrada é gratuita.  Na quarta (7), ele recebe o público para um bate-papo. 

Trata-se de um precioso registro do desenvolvimento urbano da capital do Amazonas e de locais próximos, à época do governo militar, com a implantação de projetos industriais e de exploração dos recursos naturais da região. A princípio, Rafael pensou em fazer um projeto que fosse voltado para o caráter afetivo sobre a cidade onde nasceu e viveu até os três anos de idade, já que mora há muito tempo em Porto Alegre, de onde sua família é natural. 

“Percebi que meu pai, transferido para trabalhar na indústria, acabou captando um momento histórico, desde queimadas até paradas militares, o porto da cidade, as áreas urbanas, povos indígenas, posseiros. Por isso, o projeto acabou se reelaborando”, explica.

Ao conviver por um período com as imagens, observá-las diversas vezes, Rafael Gamba passou a desviar o olhar das cenas principais, em uma tentativa de tecer uma narrativa que para além de um testemunho de um espírito de época, atribuísse visibilidade para um sentimento dominante de expectativa um tanto messiânica do futuro do país. Para Rafael, portanto, a proposta da exposição não se restringe à reconstrução de uma memória documental, mas de um projeto estético de problematização da noção de desenvolvimento.

As imagens feitas pelo pai, hoje com 80 anos, foram registradas com uma câmera analógica Nikon. Com essa mesma máquina, Rafael fotografou as imagens projetadas a partir de slides, selecionou detalhes, fez recortes e acentuou cenas que o chamaram mais atenção. 

“Foram diferentes aproximações do arquivo de meu pai, às vezes reproduzindo quase integralmente o que ele registrou em slide, outras modificando os enquadramentos, reservando meu olhar para detalhes das fotografias originais, extraindo pequenos fragmentos, nuances, a ação do tempo, fungos, manchas, desbotamentos”, conta Rafael.

Além de serem reapresentados em impressões fotográficas, estes slides aparecem também no vídeo da artista visual Viviane Gueller, na execução do processo de visualização empreendido pelo projetor, na passagem mecânica entre as imagens, no foco e na luz intercalada entre uma fotografia e outra, o ruído da ventuinha e do mecanismo do trilho que executa o avanço dos cromos. 

“No trabalho da Viviane há uma proposta de modificar a maneira como usualmente percebemos a imagem a partir do som, especialmente neste caso da cadência empreendida pelo mecanismo do projetor que nos remete a outro tempo, um tempo anterior ao digital, próprio da década retratada nas imagens desta exposição”, explica o artista.

Serviço
Exposição “Terra Sem Mal”, de Rafael Gamba. Abertura: 06/02/2018 (terça-feira)
Hora: 18h30. Endereço:  Banco da Amazônia (Av. Pres. Vargas, 800 - Campina). Conversa com o artista dia 07/02/2018 (quarta-feira). Hora: 18h30. Entrada gratuita. Visitação: 07/02 a 06/04, de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h. Agendamento de visitas monitoradas: (91) 99116-4988.

2.2.18

Mestre Vieira: uma luz guitarrando nas estrelas

Acordes do Círio, outubro de 2017 (Foto: Débora Flor)
Partiu para o outro plano Mestre Vieira, criador da guitarrada paraense. Lutando contra um câncer desde 2016, ele apresentou melhoras no segundo semestre do ano passado e chegou a realizar shows, além de participar e ser homenageado em Barcarena no seu aniversário de 83 anos. Mas em novembro em complicações de uma anemia aguda seu quadro foi agravando e ele voltou a sentir muitas dores. Vinha recebendo cuidado médicos em casa e nesta quinta feira, 1º, pela manhã, foi internado às pressas em Barcarena, em leito na UPA, na Vila dos Cabanos. Agora pela manhã não resistiu. 

Nós todos, que compartilhamos momentos de alegria com ele agora dividimos também a dor de sua partida, mas sabendo que agora ele descansou. O velório será em Barcarena, na igreja Matriz na frente da cidade, e o sepultamento amanhã pela manhã. Ele parte mas sua memória e obra continuarão vivas.

Foram dez anos de convivência e muito trabalho. Mestre Vieira foi e continuará sendo um guitarrista amado e admirado em todo o mundo. Ligado em música, desde criança, foi muito jovem que ele começou a animar as festas de sua cidade tocando choro e outros ritmos, munido de bandolim, cavaquinho ou violão, e foi só alguns anos depois que ele se apaixonou pela guitarra. Viu num filme, indo ao Cinema Universal, no largo de São João, na Cidade Velha, em Belém. 

Coisa Maravilha (Foto: Renato Reis)
Vieira contou essa história em nosso primeiro encontro, em 2008, me incitando a ideia de levar essa história dele ao cinema, onde supostamente tudo tenha começado. Porque depois daquele dia ele não sossegou até ganhar uma guitarra, que chegou desmontada, vinda da Alemanha, num navio da Marinha Mercante. Montou não só a guitarra como um amplificador para dar voz ao instrumento. E a partir daí tirou dela o som que ficaria conhecido como guitarrada. Executando como ninguém o instrumento, inspirado pelo gosto pelo choro e a prática do bandolim, ele acabou criando um estilo único de guitarra brasileira. 

Aquele encontro acontecia logo após a primeira explosão da guitarrada no país, que veio com outro projeto, Os Mestres da Guitarrada. E a ideia era dar continuidade em sua carreira. Produzir um documentário, DVD e site foi a ideia inicial que se estendeu a um trabalho de salvaguarda e difusão da obra de Mestre Vieira, dando visibilidade as suas fases musicais, revelando e retratando o homem, o músico e o mito que ele acabou se tornando, ao criar um ritmo na Amazônia, morando na beira do rio e que se propagou mundo afora. 

Coisa Maravilha, com Mestre Vieira Os Dinâmicos, 2011
Foto: Renato Reis 
Entrevistando Os Dinâmicos, soubemos que, como ninguém sabia direito o que era uma guitarra, na cidade, naquela época, o chamavam de Vieira e Seu Violão Dinâmico. Olha de onde veio o nome de seu segundo grupo, antes de se tornar Vieira e Seu Conjunto, batizado pela Gravadora Continental, pela qual ele gravou e lançou o primeiro LP Lambada das Quebradas, em 1979.

Dando sequência ao projeto de ir em busca de suas histórias, desde os tempos dos LPs, até o momento atual, desenvolvemos entre 2016 e 2017, a série de animação “Os Dinamicos”, que ficou pronta e deve ganhar as TV Públicas e Culturais em 2018. O filme rodado em 2011, porém, ainda não foi lançado. Este ano teve sua edição mais uma vez interrompida. Não temos nova previsão. 

Nos 50 anos de guitarrada

50 Anos de Guitarrada no Theatro da Paz (Foto: Renato Chalú)
Ficam muitas lembranças, com boas risadas e muita música. Os shows do projeto “50 Anos de Guitarrada”, em 2012, foram realizados no Theatro da Paz, que recebia pela primeira vez a guitarrada. E que quase veio abaixo. Lotado, no primeiro dia um público que ficara do lado de fora, arrombou a festa e acessou a sala de espetáculos. Como mandar todos embora? Foram dias intensos que resultaram em duas noites de muita emoção no palco, e que reuniu junto ao mestre, vários convidados, todos especiais e imbuídos da homenagem a Vieira. 

Gang do Eletro, Lia Sophia, Pio Lobato, Gaby Amarantos, Os Dinâmicos, Luiz Pardal, Sebastião Tapajós, Paulinho Moura, Trio Manari, Mestre Curica, Felipe Cordeiro, Manoel Cordeiro, Fernando Catatau, Iva Rothe, Vovô, Breno Oliveira, Otávio Gorayeb, Toninho Abenatar, além de sues filhos Waldecir, Wilson, Kim e seu neto Eric Vieira e um amigo já saudoso, Beto Marques.

Nos bastidores e direção do projeto, uma equipe implacável. Mais de 70 pessoas totalmente engajadas na missão. Enquanto tudo era preparado no palco, nos camarins, e montávamos som, luz, Mestre Vieira circulava pelo teatro se ocupando com várias entrevistas. Por telefone ele falou com jornalistas do Rio e de São Paulo. Ao lado dele, ia ouvindo histórias que ainda não conhecia, mesmo tendo feito já inúmeras entrevistas com ele. Percebemos que sua memória estava se avivando, sendo provocada e dando excelentes respostas. Ele estava então com 77 anos.

Félix Robatto, convidado para a direção musical, montou uma banda base também apaixonada, e que no segundo dia de apresentação levou todo o repertório que contemplou as fases instrumentais do nosso guitarreiro, dos anos 1970 até 2009, com músicas dos Mestres da Guitarrada e Guitarrada Magnética, o álbum mais recente até aquele momento. 

No primeiro dia tivemos a honra de contar com Os Dinâmicos, grupo formado por Dejacir Magno, Idalgino Cabral, Luiz Poça e Lauro Honório, músicos que gravaram vários LPs de Vieira e Seu Conjunto, e que tinham se reconectado musicalmente em 2011, nas filmagens do documentário “Coisa Maravilha”. 

Ensaios para o Porto Musical, 2015 (Foto: Luciana Medeiros)
O repertório com Os Dinâmicos trouxe as músicas cantadas de maior sucesso além de algumas pérolas como “Você voltou pra mim”, cantada por Lia Sophia e seu banjo, e “Esse Bode dá Bode “e “Eu vendi esse bode”, músicas do segundo e terceiro LPs, executadas pelo guitarrista Fernando Catatau, um dos convidados, que também arriscou cantar os refrões com Dejacir Magno. 
Circulando com Os Dinâmicos

O reencontro de Vieira com os músicos de seu Conjunto gerou um primeiro show apresentado no Festival Se Rasgum, e depois uma circulação que chegou à Feira da Música de Fortaleza, em 2012. Mestre Vieira e Os Dinâmicos se apresentaram num palco gigante montado no Dragão do Mar, emocionando a plateia formada por muitos jovens curiosos, outros já cientes do tamanho da obra de Vieira, artistas, músicos  e pessoas que tinham na memória a passagem deles pelo Ceará nos anos 1980, ou ouviram essas histórias de seus pais, tios ou avôs. Após 37 anos, eles estavam juntos, novamente, na terra dos bodes que inspiraram aquelas músicas.

Coisa Maravilha (Foto: Renato Reis)
Em 2013 realizamos o lançamento do DVD, em mais um mega show, cheio de convidados, entre eles o carioca Mig Martins, do Conjunto Noites do Norte. O músico veio do Rio especialmente para conhecer e tocar com Mestre Vieira. Tocou e se tornou um amigo da cena musical paraense, recebendo artistas daqui nas festas que realiza em sua cidade. 

Em outubro de 2017, uma dessas festas contou com participação de Vieira. Estávamos nos preparando para ir ao Rio de Janeiro para realizar um show em Niterói, no evento Interculturalidades do projeto Territórios da Arte, realizado pela UFF e FUNARTE, quando o Conjunto Noites do Norte, que estava comemorando cinco anos, soube de nossa ida para aquele lado do país. Articulamos junto com Mig Martins esta participação que resultou em mais um momento emocionante.

Na sede do Flumineste no RJ, em outubro de 2017
(Foto: Donatinho)
Numa noite de lua cheia, Vieira foi recebido com muitos carinhos e cuidados na sede social do Fluminense.  

O público jovem vibrou muito e Vieira sentadinho, tendo na retaguarda, além do Conjunto Noites do Norte, os filhos Waldecir (bateria) e Wilson Vieira (teclado), e ainda Abel Luiz, músico instrumentista que conhecemos no lançamento de Guitarreiro do Mundo, no Teatro de Arena da Caixa Cultural, também no Rio.  Mig Martins articulou ainda a gravação de um clipe com participação do Mestre, nos altos de Santa Tereza, numa antiga mansão que hoje é um host estúdio de música. Ele me disse que está pronto, e em breve será lançado. 

Em 2015, Mestre Vieira produziu o primeiro CD de Os Dinâmicos. Autor de 7 das dez faixas, ele também executou as guitarras solos no disco, que saiu de forma independente, gravado no estúdio de Hobson Poça, filho do tecladista do grupo, Luiz Poça, e depois recebeu o selo Na Music para prensagem e distribuição. Indicação de Vieira, que já havia feito o mesmo com seu disco “Guitarreiro do Mundo”, que lançamos no mesmo ano.

2015 foi um ano intenso

Ensaios para lançamento do Guitarreiro do Mundo, 
no Fábrika Stúdio (Foto: Luciana Medeiros)
2015 foi um ano de muitos encontros, conversas e ensaios com Mestre Vieira e Seu Conjunto Musical, grupo montado especialmente para os lançamentos e circulação de Guitarreiro do Mundo. Primeira parada foi com o show case selecionado pelo Encontro Porto Musical, em Recife, e seguiu com o lançamento do novo álbum, Guitarreiro do Mundo, primeiro em Belém, e depois no Rio. Tudo no mês de junho. Na capital do Rio de Janeiro, a apresentação era contemplada pelo Programa Caixa Cultural. Foram três noites de apresentação, tendo na banda, com os filhos Wilson e Waldecir, além de André Macleuri (guitarra), Bruno Rabelo (baixo) e Carlos Canhão (percussão).

O cenário, assinado pela artista Roberta Carvalho, contou com projeção de recortes de imagens de capas de LPs, frames do mestre em movimento e muitas cores, que deram o tom certo à guitarrada, ritmo contagiante que inebriou a plateia. Três noites de casa cheia, além de um workshop ministrado pelo próprio mestre, com apoio de André e Bruno e ainda Pio Lobato, convidado para participar também do show de enceramento na capital carioca.

Últimos shows antes de adoecer

Acordes do Círio (Foto: Débora Flor)
No segundo semestre de 2015, em setembro, Mestre Vieira tocou no Festival do Abacaxi, em Barcarena e depois seguiu para Brasília e participou do Festival Ágora da Música Brasileira, no Teatro Plínio Marcos, da FUNARTE. 

Embora tenhamos colocado uma cadeira para ele tocar sentadinho, num esforço movido ao carinho que ele sempre teve pelo seu público, levantou e fez o célebre passeio com sua guitarra, entre o público. Não havia nenhuma suspeita do câncer, mas nesta última viagem nos preocupou muito as dores de que ele se queixava, quando chegou em Belém.

Mesmo assim, Mestre Vieira seguiu direto do aeroporto, com seus filhos, para Barcarena, pegando ainda umas duas horas de estrada. Ele costumava sempre voltar de seus shows em Belém, mesmo que de madrugada, para dormir em sua terra. Isso sempre nos enlouqueceu, na produção, pois queríamos que ele ao menos pernoitasse na capital para voltar a Barcarena, pela manhã. Mas quem te disse!

Cinema, música, futebol e a descoberta do câncer

Mestre Vieira no Forte do Castelo, em agosto de 2017 
(Foto: Luciana Medeiros)
O ano de 2016 começou e no dia 3 de janeiro fui até Barcarena para fazer as primeiras gravações do curta “Passe de Mestre - Histórias de Música e Futebol”, realizado pelo projeto Sonora Pará, da Cultura Rede de Comunicação. Curta de cinco minutos feito na base do cinema de guerrilha, refletido na qualidade de áudio que, uma pena, ficou aquém do projetado. O curta de 5’ de duração para a TV, teve versões de 30” e de 1’30” para as redes sociais. 

O foco está na fala de Vieira em relação a suas grandes paixões. A música, que com cinco anos ele já demonstrava interesse e talento, tocando banjo, e o futebol. Vieira fundou vários times na sua cidade, um deles o Clube Atlético Barcarenense, em que colocou todos os filhos para jogar. Kim, Tuta e Waldir, além de Waldecir e Wilson, que ainda jogam e seguem à frente do clube.

Nas filmagens percebemos que ele havia emagrecido e as queixas das dores continuavam e o levaram a exames mais minuciosos, incluindo um para checar a próstata, que então revelou a doença. Foram momentos de tensão na família e inquietações até que todos os procedimentos foram resolvidos e foi realizada uma cirurgia. 

Arraial da Guitarrada (Foto: Luciana Medeiros)
Quando o disco dos Dinâmicos foi lançado em 2016, Mestre Vieira já havia passado pela cirurgia e começado a tomar medicamentos quimioterápicos, sob a orientação dos médicos que o atenderam no Hospital Ophir Loyola. Foi o ano mais difícil em relação a aceitação do que estava acontecendo com ele, e ao mesmo tempo tínhamos que somar nas questões relacionadas ao tratamento que se iniciava. 

O show intitulado “Arraial da Guitarrada” foi realizado em junho, no Teatro Margarida Schivasappa, no dia 24, em plena noite de São João. A apresentação foi especial, de homenagem e arrecadação de recursos para apoiar a estadia de Mestre Vieira, em Belém, durante um período em receberia aplicação de radioterapia, dando continuidade ao tratamento do câncer descoberto entre março e abril. 

No palco, Os Dinâmicos mostraram músicas do disco novo e tocaram hits antigos recebendo como convidados, os guitarristas André Macleuri, Bruno Rabelo, Félix Robatto e Pio Lobato. Chimbinha levou uma banda para acompanhá-lo. Mestre Vieira não esteve fisicamente presente, mas gravou um vídeo de agradecimento ao público.

Em 2016, ele não fez mais shows e aos poucos foi deixando de tocar e precisou do apoio de uma cadeira de rodas para se locomover em distâncias maiores.  Não voltou a pedalar sua bicicleta que até pouco tempo antes, ainda o levava pra cima e pra baixo pela cidade em que nasceu. Gostava de ir à feira e ao mercado, onde geralmente era recebido com aplausos.

Mestre se recupera e ainda faz shows em 2017

Guitarreiro do Mundo no RJ (Foto: Rodrigo Romano)
Depois de um ano em meio, em 2017 surgiu oportunidade de levá-lo a um tratamento natural, em paralelo ao que já vinha sendo feito. O uso de várias terapias para limpeza orgânica e exercícios fisioterápicos ajudaram a aliviar as dores e lhe trouxeram de volta seus movimentos nas dedos, mãos e pernas. Em agosto os resultados já foram positivos, ele voltou a dedilhar sua guitarra, andava bem melhor e ele retornou a Barcarena, onde seria dada continuidade aos cuidados, mas em casa. 

Depois de um ano e meio sem tocar, ele fez shows no Rio e em Belém, e ainda na sua festa de aniversário dos 83 anos. Mestre Vieira demonstrava novamente os sinais de cansaço e de que voltara a sentir dores. Não estava feliz, obviamente, com a situação, inclusive de dependência em que ficou. Regrediu na recuperação e caiu numa depressão. Em seguida fez um quadro de anemia aguda, que foi sendo remediado com transfusões de sangue, até que seu estado foi piorando. Recebendo os cuidados em casa, desde então, nesta quinta-feira, 01 de fevereiro, ele foi hospitalizado num leito na UPA, Vila dos cabanos, em Barcarena.

Com Igor Capela e Sebastião Tapajós, no Acordes do círio 
(Foto: Debora Flor)
Antes disso tudo, quando estivemos no Rio de Janeiro, uma grande felicidade para ele foi ter reencontrado sua irmã mais nova, Dona Esmeralda Vieira, seus sobrinhos e sobrinhas, além dos sobrinhos netos. Foram dias de grandes encontros. Mestre Vieira conviveu no hotel com artistas como Lia de Itamaracá e Cátia de França, tão mestras quanto ele. Momentos de emoção também para o público carioca. O Teatro do Centro de Artes da UFF, em Niterói, lotou. Vieira ao ser aplaudido de pé, também levantou de sua cadeira e como um rei saudou e vibrou com o público.

Mais emoção ele deu também no show realizado ao lado de Sebastião Tapajós, Solano e Mestre Laurentino, a última vez que o público de Belém teve oportunidade de vê-lo tocar. Na plateia do Teatro do Sesi, cada rosto ali demonstrava um que de espanto, admiração e felicidade em estar ali, ouvindo, ao vivo, quatro ícones da música amazônica. O show foi gravado e a intenção é finalizar um DVD.

Tudo isso faz parte de um plano de manter viva sua memória. As pesquisas sobre guitarrada não têm como existir sem começar por ele. O que esperamos é ter contribuído para o acesso e estudo de sua obra. A certeza é de que enquanto homem, pai, avô e artista, ele teve momentos de felicidade e satisfação, iluminação criativa e muita vontade de viver, por tudo isso, pelos filhos, por amar sua cidade, seu Pará. Não realizou tudo o que quis, mas fez aquilo que sempre gostou. Um salve a guitarrada, todas as reverências a Mestre Vieira!

Mais informações nos links:

Site: www.mestrevieira.com.br (fotos, bio e discografia digitalizada - atualizado até 2014).

Trailers no Youtube:

DVD 50 Anos de Guitarrada

Estadão

1.2.18

Liège lança clipe “Cabelo” faixa do EP Filha de Gal

Gravado na casa Oiam, das fotógrafas Tereza Maciel e Aryanne Almeida, o clipe marca o lançamento dos projetos da artista para 2018, um single inédito e o primeiro disco solo, cuja pré-produção iniciou nos EUA. O show será no Núcleo de Conexões Ná Figueredo, neste sábado, 03 de fevereiro, às 19h. Ingressos R$ 15,00.

A carreira da artista tem como marca as temáticas de libertação e respeito, com letras leves e bem humoradas. “Essa é uma das músicas do EP que as pessoas mais se identificam. Ela fala de autoestima e a forma como as pessoas se manifestam através dos seus cabelos, instiga a liberdade de expressão e amor próprio, sendo um manifesto de liberdade com a forma de ser que cada um escolhe diante da sociedade”, explica a artista.

Foi esse discurso empoderado e divertido que chamou a atenção de Adrianna Oliveira, diretora do clipe, que criou um cenário bem colorido e peculiar. “O clipe é basicamente um fashion film cantado e a inspiração veio do universo kitsch dos anos 80, com visuais exagerados, cores vibrantes e modelagens excêntricas”, detalha a diretora. Premiada pelo curta-metragem “A Batalha de São
Braz”, Adriana contou com a direção de fotografia de Thiago Pelaes (Marahu Filmes).

Com o clipe, a artista também propõe fomentar o apoio a uma causa social da região amazônica: o escalpelamento por motor de barco em comunidades ribeirinhas. Ao término do clipe, terá um frame com os contatos da Organização dos Ribeirinhos Vítimas de Acidentes de Motor (ORVAM) para que as pessoas interessadas possam doar cabelos para a confecção de perucas.

Para o show que marca o lançamento do videoclipe, Liège se apresenta com sua banda “As Filhas de Gal”, formada apenas por mulheres e traz um repertório composto basicamente por canções autorais. Muitas delas feitas em 2017, quando a artista fez shows em Rio de Janeiro e São Paulo e uma turnê com seis shows pelo sul dos EUA, período em que a artista iniciou a pré-produção de seu primeiro álbum.

O EP digital "Filho de Gal" foi lançado em 2016. E traz, além de Cabelo, mais três músicas autorais, “Gira Sóis”, “Chega-te a Mim” e “Filho de Gal”, que dá nome ao EP. Lançado pela Editora Na Music e produção de Dan Bordallo, foi gravado em Belém/PA no estúdio Na Music, mixado no estúdio Casarão Floresta Sonora e masterizado no estúdio O Grito, em SP. 

Equipe Técnica
  • Direção e roteiro: Adrianna Oliveira
  • Direção de fotografia: Thiago Pelaes Assistente de fotografia: Lucas Domires Making of: Gabriel Portell
  • Atriz: My
  • Coordenação de produção: Thamires Veloso Produção: Laís Teixeira e Tiago Begot Maquiagem e cabelo: Neto Navarro Figurino: Vinny Araújo
  • Assistente de figurino: Ketlen Suzy Coreografia: Brendo Pinheiro Eletricista: Aldo Lima e Messias Garcia

Serviço
Show de lançamento do clipe “Cabelo”, de Liège, neste sábado, 03 de fevereiro, às 19 horas, no Núcleo de Conexões Ná Figueredo (Av. Gentil Bittencourt, 449). Ingressos a R$ 15,00 no Sympla (http://bit.ly/2BAr2EQ). Informações: (91) 98026-1595.

(Holofote Virtual com informações da assessoria de imprensa da cantora)

25.1.18

Baile do DJ DBL promete pista lotada no carnaval

Strobo,  Lucas Estrela e DJ Bernardo Pinheiro, do Baile Tropical, além do anfitrião DJ DBL, colocam todos para danças na pista do Baron Club, nesta sexta, 26, a partir das 22 horas. O ingresso é R$ 15,00, para os fantasiados, e R$ 20,00, para quem for à paisana. Isso só até meia noite. Depois , o ingresso custa R$ 25,00. 

O duo Strobo vai reativar seu modo carnavalesco para colocar na pista um repertório resultado dos testes feitos a cada show. “Estamos sempre testando músicas novas nos shows e para este estamos as mais de pista para fazer a festa. Fazemos música para dançar, no Carnaval todos estão com este intuito, então o resultado vai ser farra mesmo”, promete Leo Chermont, guitarrista com experiência de outros carnavais – literalmente. “Tocamos no carnaval de Ouro Preto, um dos maiores do país, com bandas de rua, e também em um festival sensacional de Belo Horizonte”, lembra.

Lucas Estrela, que também já embalou em 2016 o carnaval no Puxadinho da Praça, espaço badalado em São Paulo, acompanhado da também paraense Aíla, se prepara para essa experiência no baile de casa. “Tocar em casa é sempre bom demais, aqui as pessoas se entregam muito para o que está acontecendo. Sempre gosto de perceber essa relação da curtição coma música instrumental”, diz ele, sem, porém, revelar a fantasia que vai vestir para o baile. 

DJ DBL e Bernardo Pinheiro garantem pista lotada.  “A primeira festa foi incrível e a segunda teve ingressos esgotados. O melhor de tudo é que temos conseguido botar a galera para dançar, que é um dos nossos objetivos”, explica o músico Dan, que atende agora pela alcunha de DBL.  

Bernardo vai tocar novas tendências da música tropical, africana, latina brasileira e um pop linkando com sonoridades tradicionais e ritmos eletrônicos. “É legal ver um músico como o Dan, que começou a discotecar há pouco tempo, colocando uma pista abaixo, algo difícil de se fazer. Estou ansioso para tocar nesse festão”, completa Bernardo.

Essa é mais uma dica pra curtir o pré-carnaval em Belém. A cidade está repleta de programações diferentes. O objetivo do terceiro Baile do DBL, além divertir e colocar todo mundo para dançar, é arrecadar recursos para uma turnê internacional que  Storob, Lucas Etsrela e DBL pretendem realizar em 2018. 

Serviço
Baile do DBL: Carnaval, com Strobo, Lucas Estrela, DJ Bernardo Pinheiro e DJ DBL. No Baron Club (Av. Nazaré, 579). Nesta sexta-feira, 26, a partir das 22h. Ingresso: R$ 15,00 (fantasiados), e R$ 20,00 (à paisana). Depois da meia noite, valor único: R$ 25,00. 

24.1.18

Projeto Ver-o-Magic estreia no Casarão do Boneco

É isso mesmo, a magia que já envolve o Casarão do Boneco, vai ser intensificada, neste domingo, 28, com a estreia do projeto Ver-o-Magic. Antecipando as homenagens do Dia Internacional do Mágico, comemorado dia 31 de janeiro, a apresentação, que reúne quatro mágicos de Belém, começa às 10h, com a entrada na base do ‘Pague quanto Puder’. Anote o endereço: Av. 16 de Novembro, 815, entre Veiga Cabral e Praça Amazonas.

Quatro mágicos que amam e querem difundir sua arte prometem momentos de total atenção, encantamento e suspense, com números de magia que vão dos mais clássicos aos mais contemporâneos. Em aproximadamente uma hora de apresentação eles também prometem muita interação com o público. Em cada intervalo entre uma performance e outra, um apresentador conta um pouco sobre a história da magia no mundo.

“Faremos performances individuais e isso é muito bacana porque cada um de nós tem uma forma diferente de se apresentar. Tem os mais clássicos, que se apresentam de fraque, que fazem mágica com pombos, e tem outros que já fazem mais um formato de stand up, outros são mais cômicos e ainda tem os que trazem números mais infantis. São vários estilos de se fazer mágica. É um espetáculo para todas as idades”, explica o Mágico Nathan Corrêa.

Ele, Fabio Martins, Dalton e Oliver são mágicos profissionais, que vivem exclusivamente desse ofício e que costumam se apresentar em eventos particulares, mas buscam ampliar este mercado considerando que magia é arte e não apenas entretenimento.

“A gente viaja e faz cursos de aperfeiçoamento em magia, mas também aprimora canto, performance, faz aula de teatro e dança. Queremos que a magia seja vista como uma cultura e um grande espetáculo”, comenta Nathan.

A magia do circo em cena na capital paraense

A história do circo e seus personagens é presente em Belém, sob a lona de um circo ou não. Quem lembra aí do Palhaço Alecrim? Além dos famosos clowns, os números de mágica sempre chamaram atenção nos espetáculos. É vivo também, em nossa memória, por exemplo, o célebre Chamom, mágico sempre presente nos aniversários infantis nos idos anos 1970 e 1980.

Para além do imaginário infantil, muitos profissionais atuantes hoje tiveram contato com diversos mágicos, alguns internacionais, que chegavam com os circos, e ficavam por aqui formando artistas independentes enquanto se apresentavam em eventos e outras comemorações.

Cantarelli, famoso Ilusionista brasileiro nascido em Curitiba (PR), que percorreu com seu grande espetáculo os cinco continentes em 1934, também chegou a se apresentar na capital paraense. No ano 2000, o italiano Rafael Voltan passou por Belém e formou o Grupo Circulo Mágico. Deste saíram muitos dos mágicos atuantes hoje na cidade. 

A atividade circense enquanto companhia itinerante que traz junto vários artistas com números incríveis, picadeiro e lona, pode estar mais rara, principalmente nas grandes cidades, mas a cultura do circo não! Ela vem sendo resgatada, renovada e reinventada a partir do interesse de diversos artistas. 

Há grupos que misturam linguagens do circo a dança e a do teatro, e outros que se dedicam à cultura do clown. Entre estes artistas, a argentina Virgínia Abasto, radicada em Belém, vem desenvolvendo um trabalho de difusão e incentivo à arte circense há alguns anos. 

Foi assim que ela conheceu o grupo de mágicos do Ver-o-Magic, realizando o espetáculo “Varieté", do Vida de Circo, um dos coletivos que atuam no Casarão do Boneco. As apresentações do Varieté reuniam diversos grupos de circo e faziam sucesso, eram mensais, e traziam diversos números da linguagem circense. Em uma de suas versões foi criado um espetáculo só com números de mágica.

“O meu contato com os artistas circenses tem como foco manter as coisas do circo vivas e ativas. Já trabalhei com o Nathan algumas vezes e até desenvolvemos um número de mágica. Quando falamos neste projeto, o Ver-o-Magic, propus ao Casarão do Boneco, e fechamos esta apresentação de domingo. Esperamos que o público goste”, diz a atriz que também integra o espetáculo como a apresentadora que auxiliará os mágicos na interação com o público.

Serviço
Ver-o-Magic. Neste domingo, 28, às 10h, no Casarão do Boneco. Ingresso: Pague quanto Puder. O que for arrecadado será revertido à manutenção do espaço. Na Av. 16 de Novembro, 815, entre Veiga Cabral e Praça Amazonas. Mais informações: 91 9 82848739.

20.1.18

Cobra Venenosa segue turnê pelo Rio de Janeiro

"Baile dos Botos", na Lapa, sábado, 13 de janeiro.
Fotos: Marcelo Valle 
Prestes a lançar o primeiro CD, o Cobra Venenosa difunde seu trabalho no Rio de Janeiro. No último sábado (13), o grupo se apresentou no Baile dos Botos e fizeram um cortejo pelo bairro da Lapa. Ontem (19), realizou oficina e estreou o show "RIO - do Maguari ao de Janeiro", no Lapa Esquina. A partir de hoje, segue para Paraty.

Ganhar o mundo mostrando suas canções, quem não gostaria? Na década de 1970, Mestre Verequete e seu Conjunto Uirapuru, 11 homens e instrumentos, entraram numa Kombi e rumaram ao Rio para fazer um som e gravar um disco.  Hugo Caetano lembra do fato e se inspira nele. “Sempre tivemos vontade de vir pra cá e tocar para esse mar azulzão”, diz ele, um dos fundadores do Cobra Venenosa, que está marcando presença no Rio desde o dia 1o de janeiro. 

Flávio Gama, Antônia Conceição e Nea das Maracas, que também integram o grupo, chegaram esta semana no Rio. O músico e cineasta Matheus Moura também pelo Rio de Janeiro, ontem fez participação no show do grupo. 

Neste final de semana, o grupo chega a Paraty para ministrar oficinas e fazer novas apresentações.  A expectativa é de que a receptividade do público continue sendo tão boa quanto foi na Lapa. 

Inspirados e há dois anos mergulhados no carimbó pau e corda, a decisão de cair na estrada não foi repentina. “Estamos sempre prontos e sempre que dá a gente cai na estrada ou em algum Porto pra pegar o rio. Foi assim nesses anos tocando carimbó. Conhecemos várias regiões do nosso estado, como Marajó, Marapanim, Maiandeua, Maracanã, Bragança, Santarém Novo, Capanema e várias outras regiões”.

A viagem ao Rio é independente, realizada com a colaboração de uma rede de contatos feitos por Priscila Duque em viagem à cidade. “Contamos com uma galera super talentosa, que faz a 'zimba' rolar por terras fluminenses”, diz Hugo, citando os paraenses Arthur Lorran, Cleyton Caminha e Anderson Fortelezinha. “O Anderson é natural da ilha de Maiandeua, e tocava junto com Os Filhos de Maiandeua, um carimbó frenético”, comenta. 

O carimbó na pauta cultural do carioca

Para além de Pinduca, o carimbó parece ter entrado de vez na pauta cultural dos cariocas ou seria apenas um modismo lançado pelas novelas da Globo? Hugo chama atenção, para o fato de já existir no Rio, há algum tempo, uma cena da cultura paraense. 

“Existe uma cena nortista nesta cidade, como o coletivo Caboclã, que reúne músicos de várias regiões do Norte. Tem o coletivo Carimbolar, que trabalha com oficinas de danças numa metodologia que eu diria mística. Tem o Carimbloco, que é um bloco de carnaval organizado por um músico paraense, o Silvan Galvão. E tem a turma do Batuque do Igapó, que faz um carimbó pau e corda da pesada”, diz. 

Para ele, a novela aumentou a visibilidade de algo que já está rolando há algum tempo. “A Amazônia está na pauta do mundo, a gente aproveita a maré para jogar nosso veneno e divulgar o carimbó pau e corda”, completa.

Um disco com som de tambores e vida cotidiana

A Viagem ao Rio de Janeiro dá inicio ao projeto do grupo para 2018, o que inclui além da circulação com shows e oficinas, o lançamento de seu primeiro CD.  

“Tambores da África”, ainda está em processo de produção e gravação. O álbum deve ser lançado até o final deste ano e vai trazer composições de Hugo Caetano e Priscila Duque, parceiros fundadores do grupo e da SubVersiva Produtora, além de várias outras parcerias. 

“Queremos reunir as várias experiências que já tivemos, nesse disco. Ele vem cheio de participações”, adianta Hugo. À exemplo, cita a música "Flores pra Iemanjá", feita em parceria com Mestre Lourival Igarapé, na Praia do Cruzeiro, em Icoaraci. E "O Carimbó Vem de Bike", que terá participação do grupo “Os Africanos de Icoaraci”. “Essa música é uma parceria minha com Ney Lima, que fez o arranjo”, diz o músico. 

Há ainda "Tropical da Mata", parceria de Priscila Duque com Mestre Neves, de Marapanim. “Ele já confirmou a participação no CD, mas a ideia é estender o convite à Mestra Bijica, do Grupo Sereias do Mar, fazendo a conexão Icoaraci - Marapanim. O Mestre Jaci, do Caçulas da Vila, também participará”, afirma Hugo. 

A ideia é fazer um disco bem percussivo, explorar o tambor e deixar ele falar. Para criar os arranjos, foi convocado Flávio Gama. Rodrigo Ethnos assume os tambores e Nea, as maracas. “Tem ainda a Antônia Conceição, maracas e efeitos, Ugô, no Sax, e eu, no banjo, cantando junto com Priscila Duque”, complementa Hugo.

O conceito do disco é o carimbó urbano, mas não só a partir das letras, mas da sonoridade tirada de instrumentos confeccionados de forma consciente, artesanal e supreendente. Hugo toca num banjo feito de capacete de moto, confeccionado pelas mãos de Ney Lima. O tambor é de tubo de PVC, feito por Flávio Gama, e por aí vai. 

“Tradicionalmente, os instrumentos do carimbó são construídos de forma artesanal pelos mestres. No interior a natureza é abundante, diferente da cidade. Porém uma galera começou a buscar alternativas para construir seus instrumentos e fazer o batuque rufar, o que eu chamo de ‘Mestres Urbanos’. O lixo é abundante na cidade, por isso digo que a natureza da cidade é o lixo, e dessa natureza é possível explorar sonoridades, é o que vamos atrás nesse primeiro semestre de 2018”, promete o músico.

O carimbó do Cobra Venenosa traz na poética, o dia a dia urbano e ribeirinho. Fala das contradições dos centros urbanos capitalistas e da natureza. Traz em suas letras temas da violência, desigualdades e também da resistência da cultura ancestral negra e indígena. “A gente canta o que a gente vive e a nossa vida é resistência”, define Hugo.

Acompanhe o grupo:





18.1.18

Temporada de espetáculos premiados no Casarão

De portas abertas ao público, o Casarão do Boneco abriu o ano com uma temporada de espetáculos premiados pelo Programa Seiva de 2017. O primeiro espetáculo VerParacuri, resultado cênico da pesquisa “O Artesanato do Paracuri em Teatro de Formas Animadas”, da atriz e contadora de história Vandiléia Foro, foi mostrado nos dias 17 e 18. Nesta sexta-feira, 19, e sábado, 20, entra em cena, o "Jogo Oriental", primeiro trabalho da trilogia dos baralhos da Cia. Sorteio de Contos. A partir das 19h, ingressos R$ 20,00 (meia R$ 10,00).

O Jogo Oriental foi contemplado pelo prêmio SEIVA - Pauta livre, da Fundação Cultural do Pará. O espetáculo traz consigo a diversidade e a tolerância como palavras chaves, sendo uma homenagem aos que também construíram a sociedade nortista vindo de terras distantes a procura de um lar. O mote são as histórias das regiões de imigrantes orientais que aportaram no estado do Pará, vindos da Arábia Saudita, Japão e Líbano. 

“A partir de seus contos populares e as histórias de cada região mergulhamos nos ensinamentos do Zen Budismo, caminhamos sobre as pegadas na areia dos contos sufis e fomos levados a palácios por Nasrudim e a cavernas misteriosas em montanhas desérticas cheias de tesouros”, diz Lucas Alberto.
Foi o que inspirou a criação das contações das seguintes histórias: “Ali Bábá e os quarenta ladrões”, “Nasrudim e a História da grande mestra Yama”, “Savitre - a princesa que enganou a morte” e “Os contos das areias”. 

“Escolhi histórias de três regiões que durante minha infância me foram negadas as referências e que na idade adulta me maravilhei, que são de origem do continente Africano, Asiático e a América Latina”, finaliza o ator.

A Cia. Sorteio de Contos busca o encontro das artes cênicas com a cultura popular de raiz, para esse espetáculo aprofundou nas artes marciais e nos contos populares principalmente os Sufis. Como resultado trouxe para cena uma exigência física, rítmica do ator e um trabalho de narração muito vivido.

Mais jogo oriental e histórias do nosso carimbó

Na próxima semana, a programação ainda tem mais uma apresentação de “Jogo Oriental”, no dia 26, e encerra, dia 27, com a apresentação de “Carimbó Conta - Verequete”, performance artística, contada, cantada e dançada. 

Com o intuito de valorizar a importância da cultura popular na constituição de nossas matrizes culturais, que o projeto busca através da Arte de Contar e ouvir Histórias, sensibilizar o público presente e principalmente as crianças, contando a trajetória de vida de Augusto Gomes Rodrigues - o Mestre Verequete - um dos maiores representantes da Cultura popular do Estado do Pará.

Foram as idas à Comunidade de Careca em Quatipuru, região Bragantina onde Verequete nasceu, e da coleta oral de parentes e amigos do mestre, que a atriz e Contadora de Histórias, Marluce Araújo, traz a público, um exercício cênico e uma composição artística que reune linguagens como teatro, música e oralidade.  O projeto foi contemplado com o Edital Produção e Difusão Artística 2017- Edital SEIVA, da Fundação Cultural do Pará. 

Jogo Oriental
Direção: Paulo Ricardo Nascimento. Produção, dramaturgia e atuação: Lucas Alberto. Figurino: Nanan Falcão e Maria Angelica Alberto. Cenário: Mauricio Franco. Iluminação: Thiago Ferradas.

Conta carimbó
Direção: Leonel Ferreira Assistente de Direção: Marília Araújo Músico: Alê Nogueira. Iluminação: Thiago Ferradaes Produção: Marluce Araújo e Leonel Ferreira. Assistente de Produção: Bernard Freire. Figurino e adereços e maquiagem: Marília Araújo. Adereço de Cena: Mauricio Franco. Instrumentos: Zet. Vídeo doc: Tamara ka. Arte Final: Carol Abreu.

Serviço
Temporada Casarão do Boneco. Nos dias 19, 20 e 26 - Jogo Oriental -  e no dia 27 - Conta Carimbó  -Verequete. Ingresso: R$ 20,00 (R$ 10,00, meia).  A partir das 19h. Av. 16 de Novembro, 815 (entre Rua Veiga Cabral e Praça Amazonas). Mais informações: 91 9 89498021/ 32418981 / salvecasarao@inbust.com.br

Filhos de Glande realiza seu 3o baile de carnaval

Inspirada nos antigos bailes à fantasia, a festa será realizada neste sábado, 20, na Woods BelémAlém disso, o bloco prepara desfile em fevereiro, com homenagem à diva do carimbó chamegado. Dona Onete, a primeira mulher a ser homenageada pelo Filhos de Glande. O tradicional bloco de rua da cidade chega, este ano, ao 12º carnaval, espalhando folia, amor e respeito para os brincantes da Cidade Velha. 

À caminho de sua terceira edição, o Baile da Glande é um festa regada a marchinhas, sambas, axés, frevo, brega e músicas clássicas de todos os carnavais, celebrando a vida no estilo tradicional dos bailes. 

"O Baile da Glande é uma forma de resgatar a tradição dos grandes bailes carnavalescos. Como não fazemos festas fechadas em nosso desfile, criamos o baile pra que as pessoas possam incorporar o verdadeiro espírito do carnaval e se fantasiarem como quiserem", explica um dos diretores e fundadores do Filhos de Glande, Beto Silva.

A programação musical fica por conta de uma superbanda criada para o bloco e nomeada de Orquestra Carnafônica dos Filhos de Glande, que recebe no palcos somente cantoras paraenses: Nanna Reis, Sammliz, Luê, Mariza Black, Natália Matos e Letícia Moura, que comandam a festa e fazem uma homenagem à Dona Onete. Nas discotecagens, DJ Zek Picoteiro, residente da festa Lambateria, compartilha seu set carnavalesco e, claro, sempre bregueiro.

No último domingo antes do carnaval

Além do baile, o Filhos de Glande se prepara para o desfile pelas ruas da Cidade Velha, agendado para o dia 4 de fevereiro, último domingo antes do carnaval. Diferente dos outros blocos, o Filhos de Glande tem uma concentração a partir de 12h, com show do Sambloco e Feijoada da Glande no Insano Marina Club e, por volta de 15h, sai pelas ruas para fazer seu colorido e alegórico desfile. 

No trio, a Orquestra Carnafônica embala a festa mais uma vez, recebendo diversos convidados e fazendo um passeio pelo cancioneiro carnavalesco do Brasil, percorrendo músicas dos carnavais do Rio de Janeiro, Salvador, Recife e Belém, no estilo guitarrada e carimbó pau e corda, evocando o espírito chamegoso e a poeisa de Dona Onete, primeira mulher a receber homenagem do Filhos de Glande. 

"Escolhemos a Dona Onete não apenas porque somos fãs do talento, do carisma e da energia que ela tem. Mas porque ela simboliza toda a força da efervescência cultural que existe no Pará e está conquistando o mundo", justifica Renée Chalu, diretora do bloco de rua.

Mais informações:
Serviço
III Baile da Glande. No sábado, 20 de janeiro. Na Woods Belém, Av. Senador Lemos, 108.