28.8.14

O Campo e a Cidade brinda início da Turnê Lusitania com ensaio aberto

“Estamos a caminho de Portugal para nossa primeira turnê além mar. E gostaríamos de chamá-los para nosso brinde num ensaio aberto”, diz Neto Rocha, músico fundador da banda “O Campo e a Cidade”, no convite aos amigos via redes sociais. Formada também por Marcello Gabay e Carlos Canhão Brito, o grupo segue para uma série de shows em Portugal.  O ensaio geral será realizado neste sábado, 30, no Z7 Studio, na Vila Madalena, em São Paulo, na véspera da viagem para a Europa. 

A banda realizará dois shows em Lisboa, mais dois em Évora e um em Coimbra. Serão vinte dias de intensa atividade musical, que inclui tocar na rua, nas praças, interagir com artistas e músicos portugueses. 

Para isso, além do ensaio geral de sábado, outros vem sendo realizados ao longo desta semana, já na capital paulista, ganhando a direção artística da atriz e diretora Michele Campos. Após a turnê, já de volta ao Brasil, a ideia é centrar na captação de recursos para o primeiro disco, cujo projeto foi contemplado pela Lei Semear, prevendo ainda a realização de um mini documentário. 

“A ideia é gravar o álbum com o resultado deste último ano de trabalho junto, já que O Campo e a Cidade agora é um trio e ganhou nova força percussiva”, diz Gabbay. O show apresentado em Portugal será realizado também em Belém, no dia 4 de dezembro, no Sesc Boulevard.

Primeiro Andar, que recebe um dos shows, em Lisboa 
“O Campo e a Cidade” é uma banda de sonoridades mistas, reúne as essências do campo, a velocidade poética da cidade. É resultado de um trabalho de pesquisa musical e histórica, iniciado por Neto Rocha e Marcelo Gabbay, em 2008. Há dois anos, com a criação de canções inspiradas no formato tão brasileiro das duplas, e na interseção entre o Pará e São Paulo, o trabalho vem se solidificando, com a contribuição do percussionista e baterista Carlos Canhão Brito Jr. 

A opção pelo formato em dupla, inicialmente, foi uma forma de resgatar as estéticas sonoras que compõem a canção brasileira, na interseção entre os códigos mais regionalizados e as sínteses sonoras mais globais. Nilson Chaves e Vital Lima, Kleiton e Kledir, Sá e Guarabira, Toquinho e Vinícius, Simon e Garfunkel, Moraes e Pepu, duplas criativas que de alguma forma estão relacionadas com uma referência a terra, ao lugar de origem, a saudade e a vida nas cidades grandes, aos conflitos do contemporâneo.

No formato de trio, com Carlos Canhão Brito, a sonoridade pau-e-corda do projeto ganhou corpo com experimentações sonoras contemporâneas. As cordas dos violões, banjo, e do contrabaixo, dividem textura com pau de chuva, taças de vidro, objetos de madeira, um garrafão de água mineral, sintetizadores, samples, efeitos e o trabalho vocal do grupo. 

O resultado é algo entre a sonoridade brasileira “anos 70” e a aura confessional instantânea da música popular contemporânea, que se reflete tanto no estilo cancioneiro como na forma de gravação, que revela o movimento de reconfiguração estética por que passa hoje a canção popular paraense.

Trajetória – Neto Rocha conta que a canção que deu origem ao projeto foi Flores. “No segundo semestre de 2012, mostrei a trilha de Flores pro Marcelo, ainda sem letra somente violões. 

E aí começamos novamente um papo sobre música, mas sem compromisso. Em Janeiro de 2013, eu já tinha a letra e a música toda pronta e enviei por e-mail pro Gabbay, que logo em seguida me ligou e disse: vamos montar uma dupla e um disco. A música tá linda e tal. E assim começamos”, conta Neto. Assim, "Flores" foi o primeiro registro, feito em abril/maio de 2013 em homestudio, como ponto de partida para concretizar a ideia de canções guardadas e arranjar de forma quase artesanal, com cordas e percussão.

“Essa canção é do Neto Rocha, mas sintetiza o espírito de junção campo-cidade, porque tem uma pegada pop e algo regional, como a sonoridade banjo com cordas de náilon (referência extraída das andanças do Gabbay pelo Marajó). Quando ficou pronta, vimos que essa síntese era o ponto de partida”, diz Marcello. 

A partir daí, eles iniciam uma série de shows igualmente artesanais ou "homemade", realizados em apartamentos, com repertório de estéticas do cancioneiro marajoara e da cena paulistana contemporânea, e com o objetivo também de colaborar para a formação de plateias em espaços culturais alternativos.

Após uma temporada de apresentações em espaços alternativos e em palcos tradicionais, em 2013, “O Campo e a Cidade” lançou um EP em Belém, no Teatro Cuíra. O EP intitulado "Dia de São João", traz cinco faixas. O disco também foi lançado em São Paulo, o lançamento ocorreu no Espaço Cultural Alberico Rodrigues, na Praça Benedito Calixto, em Pinheiros.

Em novembro do mesmo ano, O Campo e a Cidade ainda foi selecionado para o projeto “Antessala”, da Dafiti, que visa lançar dez artistas independentes com apresentações no HSBC São Paulo, abrindo o show de Sandy Leah. Há mais informações sobre a banda, a circulação em Portugal, além de músicas e videos de ensaios para ver e ouvir, no blog  do grupo (http://ocampoeacidade.com.br/).

Serviço
“O Campo e a Cidade”. Turnê Lusitania. Dia 5 de setembro, no Espaço "Primeiro Andar"(22h)  - Rua das portas de Santo Antão 110, Lisboa. Dia 6, na "Casa da Zorra" (23h) - Rua Serpa Pinto 78, Évora. Dia 13, na "Galeria Santa Clara" (23h) - Rua António Augusto Gonçalves 67, Coimbra. Dia 17, na "SHE Sociedade Harmonia Eborense" (23h) - Praça do Giraldo72, Évora e dia dia 19, no "Ler Devagar" (23h) - Rua Rodrigues Faria 103, Lisboa. Mais detalhes sobre os espaços onde o grupo vai tocar, na agenda: http://ocampoeacidade.wordpress.com/agenda/

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