28.5.17

A Mostra de Cinema e Direitos Humanos em Belém

Vai começar mais uma edição desta que tem sido uma das mais importantes mostras de cinema realizadas no país. Trazendo filmes com abordagens sobre pessoas com deficiência, população LGBT, infância e juventude, idosos, negros, mulheres, combate à tortura, situação prisional, democracia, saúde mental, cultura e educação, a 11ª Mostra Cinema e Direitos Humanos chega em 27 cidades brasileiras e tem como tema principal, este ano, as questões de gênero.  De 1⁰ a 6 de junho, no Cine Líbero Luxardo da Fundação Cultural do Estado. A realização é do Ministério de Direitos Humanos, com produção nacional do Instituto Cultura em Movimento – ICEM e patrocínio da Petrobras e do Itaú. 

A programação é dividida em mostras: Panorama – com diversos temas ligados aos direitos humanos selecionados a partir de uma convocatória pública aberta no site do projeto, Temática – que abordará questões de gênero, e Homenagem – com foco na obra da cineasta Laís Bodansky (Bicho de Sete Cabeças, As melhores coisas do mundo, Chega de Saudade). Uma novidade este ano é a Mostrinha, realizada dentro de escolas públicas, voltada para o público infanto-juvenil, que exibirá curtas-metragens.

A Mostra Temática deste ano abordará a questão de gênero. Para esta categoria, foram selecionados 7 títulos que abordam temas relacionados às mulheres, orientação sexual e identidade de gênero, como, por exemplo, empoderamento feminino, violência contra a mulher, estereótipos de gênero, LGBTfobias, conquistas sociais, políticas e econômicas, o direito à igualdade e à não discriminação, dentre outros. 

O Mapa da Violência de 2015, sobre o homicídio de mulheres no Brasil, identificou que, entre 1980 e 2013, houve crescimento no número de mulheres vítimas de homicídio, com uma taxa de 13 homicídios diários em 2013. 

As estimativas sobre a violência baseada no gênero mostram uma relação com aspectos étnicos e de classe: o número de mulheres negras assassinadas aumentou no período de 2003 a 2013 e o perfil da população vítima de LGBTfobia no Brasil é de jovens gays e travestis/transexuais, pretos de média e baixa renda, moradores de periferias das grandes e médias cidades brasileiras. O racismo é um agravante nos casos de violência baseada em gênero. Por esse motivo falar sobre esse assunto através do audiovisual é tão fundamental.

No dia (3), às 16h30, no Cine Líbero Luxardo, após a exibição de Mulheres Olímpicas (Laís Bodansky), haverá um debate sobre a mulher negra, branca, cisgênera ou trans, no mercado de trabalho. Quais as dificuldades que ser mulher impõe na caminhada profissional ou na busca por uma profissão? 

As debatedoras serão Márcia Carvalho, jornalista, social media e pesquisadora feminista e Lorenna Montenegro, que é jornalista, crítica de cinema e roteirista, atuando há treze anos no mercado audiovisual, com a mediação da pesquisadora em gênero e escritora Monique Malcher. 

A Mostra Homenagem tem como tradição homenagear cineastas cuja filmografia explora a temática Direitos Humanos. A homenageada desta edição é a cineasta Laís Bodansky. A obra da cineasta aponta para o debate sobre um mundo onde todos possam se reconhecer e viver a igualdade e direitos de oportunidade. Serão cinco filmes: Bicho de Sete Cabeças, As Melhores Coisas do Mundo, Chega de saudade, Mulheres Olímpicas e Cartão Vermelho. 

PROGRAMAÇÃO COMPLETA
11ª Mostra Cinema e Direitos Humanos.
http://mostracinemaedireitoshumanos.sdh.gov.br/2015/programacao/
No Cine Líbero Luxardo. De 1 a 6 de junho. Gratuito.
Evento no facebook:  
Outras  informações: 91 983471698.

TV Cultura exibe doc sobre a paixão pela leitura

Nelson Sanjad
“Ler de Paixão" explora o universo lúdico da leitura na formação de leitores paraenses como crianças, jornalistas e professores, e as iniciativas vitoriosas de incentivo à leitura como bibliotecas alternativas e espaços culturais. A exibição é neste domingo, (28), às 21h.

"O documentário surgiu da ideia de fazermos pequenas matérias especiais relacionadas à paixão pela leitura para o jornalismo da TV Cultura. Mas o material começou a ficar grande e percebemos que tinha muito assunto a ser explorado. Basicamente queremos mostrar porque as pessoas gostam de ler. Porque é importante ler? Queremos desvendar esse mistério conversando com todos os tipos de leitores", explica o jornalista Júnior Braga, diretor do documentário.

Utilizando uma linguagem dinâmica e poética, a produção aborda com sutileza a diferença entre livros físicos e virtuais como forma de trazer para a discussão os dois tipos de leitores e suas sensações.  A leitura inclusiva também foi lembrada no documentário de forma singela, e mostra que no universo dos livros não há barreiras para o conhecimento.

O documentário levou dois meses para ficar pronto e envolveu uma equipe com mais de 15 profissionais da TV Cultura do Pará. Com 48 minutos de duração, gravado no ano passado, em Belém, tem produção de Marbo Mendonça, apresentação de Renata Ferreira, reportagens de Cláudio Lobato e texto final de Guaracy Britto Jr.

Edyr Augusto Proença
A produção percorreu vários espaços alternativos de leitura e bibliotecas de ilustres leitores paraenses como o jornalista Lúcio Flávio Pinto e o filósofo Benedito Nunes, falecido em 2011, e que tem o espaço mantido hoje sob a curadoria de Nelson Sanjad e Maria Regina Maneschy. A biblioteca do filósofo e escritor é hoje referência nos estudos em sociologia e filosofia no Estado.

"Não mostramos somente o hábito da leitura e nem pretendemos fazer um diagnóstico da leitura no Estado. Queremos mostrar a força da leitura como formação fundamental para o ser humano, mostrar a relação das pessoas com os livros, essa mágica da leitura. 

Por exemplo, o documentário mostra desde a criança que gosta de ler até um senhor de idade, que coleciona uns três mil livros. Então, conversamos com leitores como Lúcio Flávio que tem uns 50 mil livros, fomos visitar a biblioteca do Benedito Nunes, que deixou um legado muito grande em seu acervo e inúmeros outros leitores também", completa Marbo Mendonça.

Raimundo Oliveira, professor. Cláudio Lobato, na reportagem
Para o jornalista Guaracy Britto Jr., um dos entrevistados do documentário, a leitura é uma prática diária que começou desde muito cedo e que hoje faz questão de repassar para os filhos. 

Ele acredita que a prática como fator educacional constrói dentro do ser humano um campo enorme de conhecimento, seja do mundo, como de si mesmo.

"Sem leitura você não tem uma compreensão de mundo. Você tem a sua vivência, seu aprendizado diário, mas é importante você ter a leitura de qualquer coisa porque você cresce com isso. A partir da leitura você entra em contato com pessoas e pensamentos que no dia a dia você não teria. A leitura melhora o espírito, te evolui e aprimora como pessoa", finaliza Guaracy.

Serviço
O documentário "Ler de paixão" será reexibido no próximo domingo (4) na TV Cultura, às 21h, e vai ficar disponível no Canal do Portal Cultura no Youtube.

(Texto: assessoria de imprensa da emissora - edição do blog)

25.5.17

Gruta lança livro e um novo espetáculo em Belém

O Gruta de Teatro lança, nesta quinta-feira, 25, às 19h, no Teatro Waldemar Henrique, o livro "Ato-Paixão Segundo O Gruta", escrito por Adriano Barroso, que traz a trajetória do grupo. O lançamento chega acompanhado pelo espetáculo "A Casa do Rio", texto de Barroso, premiado pela Funarte, com direção de Henrique da Paz, fundador do grupo, que surge na década de 1970, em Icoaraci. A entrada é franca.

A Casa do Rio conta a história de três mulheres em um momento limite de encantamento. O espetáculo se utiliza de realismo fantástico, revelando sentimentos e as memória delas, que vivem há anos trancada em uma casa sobre o rio e precisarão encontrar suas luzes interiores para se encantar. Em cena, três grandes atrizes, Astrea Lucena, Monalisa da Paz e Waléria Costa, que reforçam um das marcas do grupo, o trabalho de ator. 

O livro “A Paixão segundo o Gruta” vem sendo escrito desde 2011, em paralelo às diversas atuações de Adriano Barroso pela literatura, televisão e cinema. Ator, Dramaturgo, Roteirista, Documentarista, Produtor de Elenco e Diretor de ator, ele traz vasta experiência como escritor de roteiros, dramaturgia de pássaros e outras investigações. Mais recentemente, entre outros trabalhos estão os roteiros de “Antigamente Não existia Dia” ( curta - 2017), “Paradoxos, Paixões e Terra Firme” (longa - 2017), “Ópera Cabocla” (média - 2013), e da série “Os Dinâmicos”,  animação com argumento meu, inspirado na trajetória do grupo “Vieira e Seu Conjunto”. O trabalho está na reta final e em breve estreia nas telinhas.

“O Gruta tem 50 anos na verdade ele é de 67, mas so foi homologado em 69”, diz ele. “A maior dificuldade de escrever o livro foi mesmo achar o tom, não sou um biógrafo, por tanto não poderia ser um livro técnico com metodologias de biografia. 

É um livro para contar história e o processo de trabalho do Gruta, esse foi o grande achado”, explica Adriano que pretende com isso contribuir com a memória da cidade e para que as novas gerações entendam como um grupo combativo e atuante trabalha.

“Há pouquíssima literatura sobre o teatro paraense do fim do seculo XX e a maioria são da academia. 

Quero também dar força para que os artistas possam contar suas histórias e engrandecer o paraense que não nos conhece, portanto não pode reconhecer. O Gruta também é um grupo que sempre se irmanou com outros artistas outros grupos. Há, por tanto, também, um pouquinho da história do Cena Aberta, do Cuíra, do Experiência”, diz o autor.


Entre idas, vindas e importantes produções

O Gruta já encenou grandes textos, alçando vôos ousados, que revolucionaram a cena teatral de Belém. São inesquecíveis “Auto da Cananéia” de Gil Vicente, em 1971; “Cínicas e Cênicas”, de Henrique da Paz e Marton Maués, um marco, em 1987; “Caoscomcadicáfica”, também de Henrique (adaptação de O Processo, de Kafka), em 1989; “A Vida que sempre morre, que se perde em que se perca?”, mais uma vez de Henrique, numa releitura de “Antígone”, de Sófocles; “Odeio Drummond”, de Barroso, em 1997, e na sequência “Hamlet Máquina”, de Heiner Müller, em 1998.

O diretor, Henrique da Paz, tem sua trajetória marcada pelo teatro, iniciada em 1967, na pequena vila de Icoaraci. Eram anos difícieis, talvez parecidos com o nosso tempo atual em que nos vemos retrocedendo um pouco no tempo no cenário político brasileiro. Vale dizer que em essência, o Gruta é um grupo atuante dentro desse contexto. 

“Foram anos difíceis. Ditadura. Censura. Mas nada disso me desanimou e continuei a fazer teatro, participando de todas as produções do grupo. Em 1969 comecei a participar de espetáculos não só em Icoaraci, mas também em Belém, no Grupo Experiência”, conotu Henrique ao Holofote Virtual, em entrevista realizada em 2011, sobre a temporada do espetáculo Aldeotas, um texto de Genro Camilo.

Ao longo de sua história, o grupo fez várias paradas em sua produção. E mais de 40 anos de existência, as dificuldades sempre foram muitas, mas os fundadores, integrantes nunca deixaram de produzir e sempre entre um hiato e outro, trouxe à tona grandes produções para Belém, viajou o país, e fez apresentações memoráveis em vários sentidos e que de certo são passagens que estão no livro de Adriano Barroso.

Outra marca do grupo também é sua etiqueta familiar. Profundidade eu diria. Adriano, que é casado com Monalisa, que são pais de Mariana, que é neta Henrique, que já foi casado com Waléria. Agregam em torno grandes amigos  e talentosos artistas. O que dizer de Astrea Lucena, atriz que tem trajetória tão longa quanto a de Henrique e ao do próprio Gruta, se não aplaudi-la. Inúmeros espetáculos de teatro encenados, textos lidos, e uma incursão pelo cinema e, mais recentemente, na televisão.

Eu tenho a melhor das expectativas, o maior dos desejos de ver agora e novamente o grupo em cena. Que tenham voltado para este e novos textos, reportagens de antigos espetáculos que de certo com releituras atualizadas devem novamente tomar conta de grandes palcos, aqui e outras cidades do país.

A CASA DO RIO
Ficha técnica

Direção: Henrique da Paz
Com: Astrea Lucena, Monalisa da Paz, Waleria Costa
Cenário: Boris Knez e Aldo Paz
Figurino: Jeferson Cecim
Maquiagem: Mariana Paz Barroso
Cabelos: Germana Chalu
Iluminação: Sonia Lopes
Assistente de iluminaçao: John Rente.
Produção: Belle Paiva Tati Brito
Apoio: Tv Norte independente.

Histórias que ajudam a contar o GRUTA

Na minha memória ficaram alguns de seus espetáculos encenados nos ano 1990 e, a seguir, disponibilizo alguns links com entrevistas e reportagens realizadas pelo Holofote Virtual que é bem novinho em relação ao grupo, surgiu em 2008, mas que já pôde registrar alguns momentos de sua produção. Evoé, Gruta, que vocês tragam a luz de sua dramaturgia a esta terra! 

Sobre A Casa e o Rio, leituras dramáticas realizadas na Da Tribu, em 2016! http://holofotevirtual.blogspot.com.br/2016/01/gruta-retorno-cidade-com-leituras.html

Entrevista com Henrique da Paz, sobre uma das retomadas em 2011
http://holofotevirtual.blogspot.com.br/2011/05/grupo-gruta-de-teatro-retorna-sua.html

Reportagem sobre Aldeotas
http://holofotevirtual.blogspot.com.br/2011/05/gruta-estreia-espetaculo-premiado-com.html

Entrevista com Genro Camilo, autor de Aldeotas
http://holofotevirtual.blogspot.com.br/2011/05/entrevista-gero-camilo-e-montagem-de.html

Super entrevista com Henrique da Paz, quando filmou a mini série Miguel Miguel, para Tv Cultura do Pará.
http://holofotevirtual.blogspot.com.br/2009/08/um-homem-de-teatro-desponta-no-cinema.html

Apanhado de textos sobre o Gruta, no Holofote Virtual
http://holofotevirtual.blogspot.com.br/search?q=Gruta

23.5.17

Breno Branches: EP entre livros e aromas de café

Breno Branches bate papo e apresenta “Enchanté”, o segundo EP, neste sábado, 27, lançando um novo projeto o “Vamos a um Café”, parceria com a Casa do Fauno. O convite vem revertido de sutilezas, ambientado com livros, em meio a um brechó e bistrô e ao som de folk. O sabor e o aroma serão de café, servido à vontade, a partir das 17h - grãos da marca Unique, produzidos na Serra da Mantiqueira, em Minas Gerais. É preciso ter um passaporte, mas corra, porque o 1o lote já esgotou e o 2o está sendo vendido exclusivamente pelo SYMPLA. Super bem humorado, o músico falou ao blog sobre a apresentação e os projetos de um futuro bem próximo.

Breno Branches é paraense, nascido em Belém, tem 24 anos, e está cheio de sonhos. É arquiteto, profissão que ele assume de dia (risos), mas a ideia em foco, como vocês lerão na entrevista com ele, é seguir a carreira artística, na música para ser bem mais específica. Para isso, muito investimento e alegria de viver nessa premissa de sucesso. 

“Se você quiser/Vamos a um café/Ou qualquer lugar/Deste planeta//Hoje eu acordei/Com vontade de ser/Mais que um sonhador/Quero partir/Vou partir de trem, meu amor/Vou partir de trem, meu amor/...Então faz assim/Você cuida de mim/ E eu cuido de você/Neste vagão”. 

O que diz a letra da faixa “Do Trem” traduz a meta, traçada desde que aprendeu a tocar violão, bem mais jovem, em uma guitarra de brinquedo, treinando também voz. O projeto de vida é compor e levar sua música a um público de sotaques diversos. Estudou, abraçou o primeiro violão de verdade e, sem conhecimento técnico algum, começou a compor e gravar seus discos, como Enchanté, cujo processo de gravação foi feito todo em seu home studio, por ele mesmo.

“Enchanté” traz músicas que podem ser muito bem apresentadas em voz e violão, mas no projeto Vamos a Um Café, a banda estará completa. É a mesma que gravou o EP. Gustavo Mesquita no baixo, Mateus Pereira na bateria, e Breno, violão e voz. As composições autorais, trazem influencias de trabalhos como o Beirut, Damien Rice e Vitor Ramil. 

Foi assim, cultivando cada etapa da carreira, que o compositor começou a se ouvir em rádios nacionais e internacionais. Em 2015, lançou seu primeiro disco em português, o "Que Bolero". Em 2017, iniciou a divulgação do mais novo trabalho, o EP "Enchanté", que traz  quatro músicas marcadas por poesia e lirismo em temas sobre uma jornada de libertação e reencontro de quem não tem medo de se expor e se permitir sonhar.

Nenhum dos dois EPs, porém, são "preview" do que virá no disco. “O que vai ser gravado ainda esse ano, não vai ser diferente desses trabalhos, mas as canções favoritas vão ficar. Coisas novas virão”, surpreende. O lançamento do EP em Belém chega depois de uma temporada de apresentações em Santa Catarina e Goiás com apoio dos amigos e muito foco.

Holofote Virtual: Como sobreviver da arte?

Breno Branches: De dia eu sou arquiteto, por enquanto! A música já vem cada vez mais me ajudando na sobrevivência, mas eu vou aproveitar enquanto ainda consigo tirar um dinheiro fora da música, pra investir ao máximo nisso. Vai chegar um momento em que eu vou me dedicar só a isso, 100% do tempo.

Holofote Virtual: As viagens para divulgar o trabalho possuem algum apoio ou você também embarca nesta nova concepção que diversos artistas têm adotado para levar sua arte onde o povo está? Ou seja, investindo e colocando o pé na estrada, contando apenas com apoios locais, em que chega?

Breno Branches: Eu já fiz umas viagens pra Santa Catarina e pra Goiás. Em ambas, a situação foi a mesma: Eu vou onde meus fãs estão! Eu entro em contato com os fãs, vejo a possibilidade de eu organizar um evento lá, se eles me ajudam a arrumar mais gente para o evento, e desse momento pra frente eu decido ir! 

É quando vou atrás de alguma casa de show ou outro artista pra me ajudar a montar um evento também. Se eu conseguir, ótimo. Se não, eu toco em uma praça sim, sem problemas. O importante é que a música vá até quem queira ouvir! Já passei por muitas situações em que contei com a sorte. 

Em Goiânia eu já me vi em uma situação que não tive dinheiro nem para o almoço. Mas por sorte consegui fazer um excelente show e vender bastante discos, o que me deixou seguro até a volta. E são nesses vai-e-vens que eu vou e sigo nessa jornada de fazer o que amo. Sempre levando meu exemplo como o maior caso pros meus fãs, de que é sim possível ser viver fazendo o que se ama!

Holofote Virtual: E como você trabalha essa produção, se dividindo como arquiteto?

Breno Branches: Meu investimento vem totalmente de mim. Eu mesmo invisto nas viagens, nos discos, e etc. Já estava até acostumado a seguir essa viagem só. Minha primeira parceria foi essa com a Casa do Fauno, que super abraçou o projeto do Vamos a um café, e agora está nos ajudando a proporcionar essa experiência, e o meu maior sonho também né (sorrisos).

Holofote Virtual: Que massa, mas já não houve uma apresentação sua em um hostel? Lembro que topei ir, mas tive um problema e acabei não indo...

Breno Branches: Sim. A primeira foi totalmente organizada por mim, e sediada no Amazônia Hostel! Eu mesmo organizei o evento, a decoração etc. Na verdade eu não né, a Yorranna (Oliveira) e o Mateus (Pereira), que agora fazem parte desse time de produção que existe por trás do Breno Branches. Inclusive criamos um grupo com todos os convidados daquele show, e agregamos os que já confirmaram presença desta vez. Cada vez mais a comunidade de sonhadores vai aumentando (risos).

Holofote Virtual: Como será conduzido o bate papo e as intervenções musicais do Vamos a um Café? Qual a dinâmica, digamos assim?.

Breno Branches: Na verdade eu quero que as pessoas fiquem à vontade, praticamente ninguém estará avulso por lá, mas se houver, eu mesmo serei companhia para todo mundo (risos). Depois disso, a banda entra em ação, e a gente vai fazer o show com as melhores dos dois discos (EPs), e algumas novas também. O show tem alguns eventos e momentos de interação com o público, o que é bem interessante!

Holofote Virtual: O show vai ser no quintal ? Ou é tudo na livraria ? Achei que era tudo dentro, mas achava que era só você. Com mais gente agora fiquei na dúvida (risos)...

Breno Branches: Isso é uma coisa que eu ainda vou saber hoje, na verdade (mais risos). Ao que tudo indica a gente vai botar a banda nem na livraria e nem no quintal, e sim no meio do bistrô, misturado à mini galeria. Fazer uma adaptação, porque como vai ter café à vontade, fica perto do bar, e não corre o risco de ter acidentes com os livros e roupas. E, ao mesmo tempo, a gente queria fugir do palco lá de trás, justamente por essa experiência nova que a gente quer proporcionar.

Holofote Virtual: Você já chegou em outros estados. E em municípios paraenses? Conheces alguma cidade? Tens vontade também de interiorizar?

Breno Branches: Eu, infelizmente, não conheço outras cidades do interior. Eu gostaria com certeza de interiorizar o projeto. Tenho fãs em Tucuruí e Marabá. Seria muito legal mesmo poder levar isso pra lá. Uma experiência e tanto!

Holofote Virtual: Eu boto fé, esse estado é riquíssimo em cultura e certamente isso é favorável aos trabalho musicais ou outra linguagem artística. Só mais uma coisinha... És uma pessoa mística ? Ou seria mais para algo como um romântico ? Qual seu signo (risos)?

Breno Branches: Sou Libra! Mas eu particularmente não me considero muito ligado ao universo dos signos e etc e tal. E apesar de 70% do público do show serem casais, eu gosto de pensar que faço uma música pra quem simplesmente aprecia um aconchego! Não voltado pra algo romântico. Até porque sou muito brincalhão e palhaço para me passar pelo estigmado "cancioneiro romântico" e tal (risos). É comum do libriano não se achar ligado com signos?

Holofote Virtual: Não sou nenhuma astróloga, mas é sim. Libriano tem este suposto desligamento. O arquiteto pelo visto é o Breno Ramos, teu sobrenome. Branches é nome artístico mesmo?

Breno Branches: Isso. É Breno Branches, o nome artístico (muitos risos). Eu gosto de brincar que de dia sou arquiteto mas à noite me visto de preto e combato o crime. (riso pra todo lado).

18.5.17

Li Divino e Arte lança coleção "Ponto Riscado"

A coleção é exclusiva. As peças em cerâmica e cor trazem influência da cultura afro-brasileira e indígena, nos contornos e formas, revelando também a questão religiosa presente neste trabalho. O lançamento será nesta quinta-feira, 18 de maio, a partir das 19h, na Casa do Fauno. A partir das 22h, tem show do músico Edu Dias. Rua Aristides Lobo, 1061, entre Benjamin e Rui Barbosa. Entrada franca, couvert R$ 15,00.

Eliana do Amor Divino, que assina a produção com Lana Lima, iniciou seu trabalho com bijuteria em cerâmica em março de 2015. “O que começou por curiosidade, tornou-se uma grande vontade de fazer algo ligado a arte”, diz Eliana. 

Nascida no Bairro do Jurunas, quando criança, ela acompanhava as avós, Luzia e Vitória, na entrega das roupas que lavavam para famílias abastadas portuguesas do centro da cidade. “Elas costumavam levar-me, quando iam entregar a trouxa de roupa lavada, passada (ferro à carvão) e engomada. Saíamos de manhã cedo, caminhando pelas ruas seguindo pela Tamoios, Padre Eutíquio, Ó de Almeida, Nazaré, Gentil, chegando aos casarões. Eu ficava deslumbrada com os móveis, azulejos e louças dessas casas”, lembra a artesã.

Na década de 1990, Eliana passou alguns anos indo e vindo da Europa, onde morava sua irmã Cristina, chegando a morar em 2012, na Suíça. Nesse período, ia frequentemente a galerias de arte, museus, festivais de música. “Coleciono até hoje, folders, ingressos desses lugares, fora os recortes de jornais e revistas que tenho dezenas, faço até hoje colagem com esse material”, diz ela.

Quando ainda era criança, Eliana descobriu que era médium. Já frequentou o espiritismo e a umbanda, a que se dedica atualmente. Outra grande influência vem da família, em que um tio era um excelente costureiro e alfaiate, e sua mãe também costurava, assim como uma irmã que reside em Manaus e que desenha e costura roupas, tendo um ateliê e uma loja. 

“Minha filha mais velha, que reside na Suiça, é formada em Design de Moda, tendo sua própria marca e ateliê, ela cria, desenha e costura as roupas. Essa influência familiar e principalmente espiritual são exatamente o que procuro em meu trabalho, aprendi nas oficinas um padrão de peça e cor, sendo que o que busquei foi e é sempre a cor na peça, firmando minha identidade no colorido e com a cultura afro-brasileira e indígena”, diz a artista.

Serviço
Lançamento da coleção “Ponto Riscado”, criada pela marca Li Divino Criação e Arte, com exclusividade para a Casa do Fauno. Nesta quinta-feira, 18 de maio, a partir das 19h, na Casa do Fauno. Rua Aristides Lobo, 1061, entre Benjamin e Rui Barbosa. Entrada franca. A partir das 22h tem apresentação com o músico Eduardo Dias (couvert R$ 15,00). Informações e reservas de mesa pelo telefone: 91 98705.0609.

Isabela do Lago abre sua 1ª exposição individual

Isabela do lago abre nesta sexta-feira, 19, a exposição “Terra sobre Fogo – ventanias que teus olhos não viram”, sua primeira individual, na Galeria Theodor Braga – Subsolo Centur. Projeto premiado no edital Pauta Livre 2017, a mostra poderá ser visitada até 14 de junho, com visitação de segunda a sexta, sempre das 9h às 18h. Entrada Franca.

A exposição conta com uma variação de suportes entre pintura, instalação e vídeo, contendo ao todo 11 obras nascidas da fala, a oralidade, a escuta de pessoas idosas, registrando essas pessoas em retratos e na memória dos relatos de momentos importantes de suas vidas, vivências de lutas e de tréguas, memórias políticas, experiências de fé, amores, dores, fatalidades e outras situações, onde tudo o que resta de documentação é uma imagem, um som, um símbolo.

A artista que completa 20 anos de trajetória artística, diz que buscou imagens que fazem parte de suas memórias afetivas e outros caminhos que apontam futuras armas de luta, “nesta terra onde a violência incendeia as ruas e apaga os corações, andei muito em busca de caminhos onde pudesse transmutar o tempo perdido em tempo redescoberto”, explica.

Terra sobre fogo antes de ser uma afirmação é um caminho de busca poética de uma visão muito íntima sobre a memória de diversas pessoas idosas com quem a artista conviveu, e ainda convive, aliadas à construção de pensamento da cultura tradicional de matriz africana, onde terra, fogo e vento transcendem dimensões temporais e espaciais nos acontecimentos.

“São fragmentos de lembrança e algumas poucas palavras onde a fala ecoa a historicidade e sacralidade dos anciãos e anciãs que vem sendo desqualificadas pela juventude, gerando incompletudes de memória e prejuízos para a preservação de muitos saberes ancestrais que ainda caminham por cima da folha, por baixo da folha, em qualquer lugar”, ressalta Isabela.

“Como diz o ditado popular, “palavras o vento leva”, é a essas palavras sopradas para longe que quero oferecer alguma vida, e buscar as ventanias que teus olhos não viram que falam as imagens produzidas para essa mostra, mas assim como o vento pode levar a memória para lugares distantes, o fogo pode queimar os corações e a terra pode acolher e germinar as cinzas, incorporando nessas memórias novas paisagens, retratos, objetos, instalações, cânticos e sabores dotados de poética e sentimento”, finaliza.

Poesia, memória e resistência

Isabela do Lago nasceu em 03 de maio de 1977, é Artista Visual e realiza ações urbanas, fotografia e pintura, também professora de arte formada pela Universidade Federal do Pará em 2003, é ativista atuante de diversos coletivos de arte e cineclubismo. Em sua trajetória, está a Antimoda - Ação urbana de 2006, com desfile de indumentária produzida com detritos urbanos. No mesmo ano ela recebeu Menção honrosa com instalação urbana no “Corta! - Festival Internacional de curta metragens do Porto”- Portugal. 

A moça também trabalhou como Arte terapeuta no Centro de Referência Maria do Pará – Secretaria de Justiça do Estado do Pará atuando no combate e prevenção da violência contra a Mulher e, em 2009 apresentou Amor Venéris - ou um colar de brilhantes para uma pobre donzela 

Fez co-produção de performance e vídeodança apresentada no projeto Casa de Caboco de intervenções artísticas para o Fórum Social Mundial 2009. Neste período até 2010, foi coordenadora do Projeto Resitência Marajoara, premiado pelo Edital de Interações Estéticas Funarte. Em 2012 realizou o projeto “Mulheres Líquidas – Exposição Coletiva de Mulheres Artistas Amazônidas”, também na  Galeria Theodoro Braga- Belém Pará.

M.A.N.A. abre inscrições para oficinas em Belém

Djamila Ribeiro, feminista, pesquisadora
e mestre em Filosofia Política
O festival M.A.N.A. (Mulher, Arte, Narrativas, Ativismo) abriu inscrições online para oficinas gratuitas, que serão realizadas nos dias 1º e 2 de junho, no Sesc Boulevard, em Belém. O evento vai reunir artistas de diversas linguagens, do hip hop, a poesia, audiovisual e música, em quatro dias de encontros sobre os desafios e a potência do protagonismo feminino na arte. O patrocínio é da Vivo, via Lei de Incentivo à Cultura Semear, Fundação Cultural do Pará e Governo do Estado do Pará, com produção da 11:11 Arte Cultura e Projetos.

A cantora e compositora Aíla, idealizadora do projeto ao lado da artista visual Roberta Carvalho, explica que o M.A.N.A. é uma iniciativa de afirmação artística das mulheres, uma resposta à lógica da produção cultural que as mantém à margem, não apenas da programação dos eventos, mas também de sua concepção.

“Na verdade, entendemos que essa lógica ainda não nos coloca nos lugares que merecemos ocupar. Queremos que a nossa arte ecoe, que a arte de todas as mulheres ecoe e esse festival é a forma que encontramos de fomentar isso”.

Voltadas exclusivamente ao público feminino, a série de oficinas começa com Renée Chalu, sócia da Se Rasgum Produções, responsável pela realização do Festival Se Rasgum e pelo Festival Sonido – Música Instrumental e Experimental. Ela ministra o workshop “Editais e Leis de incentivo: como impulsionar sua carreira com eles?” (vagas esgotadas), no dia 1º de junho. 

A oficina vai abordar formas de estruturar projetos culturais para participar de editais e leis de incentivo, que podem viabilizar e impulsionar a carreira de mulheres artistas no Pará, um estado rico em talentos, mas que enfrenta grandes desafios em relação à produção cultural.

DJ TatáOgan
Carolina Matos ministra a oficina “Direção Audiovisual: faça o que você quer ver!” (vagas esgotadas). Neste workshop, as participantes serão estimuladas a potencializar sua criatividade, entendendo como combinar sua liberdade de criação com projetos comercialmente viáveis. Carolina é uma das principais diretoras e roteiristas da cena musical contemporânea do Pará, assinando trabalhos para artistas como Aíla, Felipe Cordeiro, Gaby Amarantos, Natália Matos, entre outros.

No dia 2 de junho, o Slam das Minas, a primeira batalha de poesia falada/performada com participação exclusiva de mulheres do Brasil, compartilha a experiência do coletivo na oficina “Poesia é resistência”. O “slam” é uma batalha de poesias e, em sua maioria, tem eventos idealizados e ocupados por homens. 

Para questionar esta lógica e promover a presença de mulheres nas competições, surgem todo o país movimentos como o Slam das Minas SP, que vem a Belém com seu time completo: Mel Duarte, Carolina Peixoto, Pamella Soares e Luz Ribeiro, que este ano foi finalista do Campeonato Mundial de Slam, realizado em Paris, na França.

A DJ TataOgan comanda o workshop “É com elas! Produção de beats e discotecagem”, que vai abordar conceitos e contextos da discotecagem, técnicas para seleção de músicas e como utilizar os programas disponíveis na internet para a produção de beats. TataOgan é percussionista e produtora musical, e dá destaque para a discotecagem da música afro brasileira, nordestina, Africana, Latina, MPB contemporânea e o underground eletrônico europeu.

Fomentar e fortalecer o protagonismo feminino

Slam das Minas SP
A programação traz shows, oficinas, painéis, arte urbana, intervenções e workshops. A ideia é fomentar um intercâmbio entre as artistas do Pará e artistas de diversas cidades do país, para fortalecer o protagonismo da mulher na arte, além de fortalecer a cena local.

Um dos destaques do evento é Djamila Ribeiro, filósofa e feminista negra de voz potente, que vem ao festival para falar sobre a intersecção do feminismo com as artes. Outro destaque é a oficina com o Slam das Minas SP, que traz à Belém Luz Ribeiro, primeira mulher a vencer o SLAM BR, e representante do país na Copa Mundial de Poesia, na França. Mel Duarte, Carolina Peixoto e Pamella Soares se juntam a ela para trocar com as rappers iniciantes e slammers paraenses sua experiência bem sucedida na organização do Slam das Minas em São Paulo.

A programação ainda contempla uma mostra audiovisual no Cine Líbero Luxardo, com curadoria da cineasta Jorane Castro, painéis que vão debater o empreendedorismo das mulheres nas artes, a relação das marcas com a música, as mulheres na guitarrada, o assédio sofrido por elas na produção cultural, entre outros temas.

Uma grande festa encerra o Festival, que levará ao palco, as performances das cantoras paraenses Sammliz e Aíla, além de convidadas especiais, e um encontro emblemático entre o Slam Dandaras do Norte e Slam das Minas SP. A DJ TataOgan vai comandar a pista durante os intervalos.

Serviço
Festival M.A.N.A. De 29 de maio a 3 de junho. Inscrições online para oficinas gratuitas (http://goo.gl/pblswP). Confira a programação completa do festival no Facebook do evento (Festival MANA). O evento tem patrocínio da Vivo, via Lei de Incentivo à Cultura Semear, Fundação Cultural do Pará e Governo do Estado do Pará.

Café Fotográfico recebe artista pernambuncano

Paulo Meira vai apresentar obras realizadas nos últimos 20 anos. Escultura, vídeo, performance, fotografia, pintura e áudio, tendo como suporte, o rádio. Serão exibidas imagens e vídeos, a partir de uma abordagem norteada pelos conceitos de permanência. Nesta segunda, 22, às 19h, na Associação Fotoativa.

"Não se trata da permanência do sobrevivente, e sim do que luta por outras formas do viver, sobretudo, a forma do viver artista", afirma Paulo Meira. O rádio tem para o artista uma importância de afeto. 

“Cresci escutando rádio”, conta Paulo, que nasceu na pequena cidade de Arcoverde, no interior de Pernambuco. Essa relação foi transformada pela arte, na experimentação do artista com a linguagem do rádio, em 2001, em videoperformances de interferências com rádio. Isso se reforçou durante a residência artística Poema aos Homens do nosso Tempo, no Instituto Hilda Hilst/Ateliê Aberto Arte Contemporânea, em 2013, em que teve contato com as gravações feitas por Hilda, em momentos de isolamento da escritora.

“Não conhecia essas escutas plugadas de Hilda, e que depois me inspiraram para pensar programas de rádio”, diz Paulo. Em 2014, recebeu o Prêmio Marcantônio Vilaça-Funarte e em 2015 o prêmio Bolsa Funarte de Estímulo a Produção em Artes Plásticas, em que produziu e circulou com a mostra Mensagens Sonoras, que esteve também no MAMAM- Museu de Arte Moderna Aloízio Magalhães, Recife-PE. Neste trabalho foi possível ver a tecnologia e o símbolo do rádio.

As performances radiofônicas foram então inspiração para o projeto Catimbó, de implantação de rádios comunitárias com conteúdo exclusivamente voltado para a Arte e a Educação. Com um nome originário da matriz africana, que significa magia em que várias crenças se encontram, o projeto está em fase de implantação por meio de parcerias com museu Bispo do Rosário (RJ) e da Usina de Arte (PE).

“São rádios independentes que veiculam arte, implantadas em comunidades com problemáticas sociais: um contraponto com a evangelização que realmente ocorre nessas áreas. O nome do projeto é uma forma de aproximar e quebrar a mística em torno de religiões de matriz africana”, comenta o artista. Na comunidade de Pernambuco, segundo Paulo, são visíveis os impactos dessa colonização religiosa europeia e a economia da indústria da cana sobre a cultura dessas gerações.

A ideia é dar suporte para que essas comunidades façam a gestão da rádio, “Pensei muito neste projetos para os interiores aqui do Pará”, afirma Paulo, que irá realizar o projeto em cidades paraenses. 

Premiações e investigações artísticas

Paulo Meira nasceu em Arcoverde - PE, em 1966, e se formou-se em Design Gráfico, pela UFPE. A primeira exposição individual no Museu do Estado de Pernambuco foi no inicio dos anos 1990, época em que também participou de residência artística no Museu Het Domein na cidade de Sittard, Holanda e realizou exposição outra individual na Galeria Vicente do Rego Monteiro do instituto Mauro Motta, Fundaj. 

Fundou, junto com Oriana Duarte, Marcelo Coutinho e Ismael Portela, o Grupo Camelo. Participou do 1º Rumos Visuais Itaú em diversas mostras pelo Brasil. Em 2002 participou da residência Faxinal das Artes - PR. Recebeu prêmio aquisição no VII e X Salão MAM – Bahia de Arte Contemporânea - BA. Em 2004 realizou exposição individual no Observatório Cultural Torre Malakof - PE e em 2005 no Paço das Artes em São Paulo (projeto Hermes e Três Sambas). 

Neste mesmo ano participou do Panorama da Arte Atual Brasileira. Em 2006 foi premiado com Bolsa estímulo no 46º Salão de Arte contemporânea de Pernambuco. Em 2007 realizou exposição individual na galeria Marília Razuk, pela qual recebeu indicação ao Prêmio Bravo de melhor exposição do ano. 

Recebeu o Prêmio Sergio Motta de Arte e Tecnologia (7°edição) e, em 2009, participou de residência no MIS (Museu da Imagem e do Som de São Paulo), onde desenvolveu obras em vídeo, vídeo instalação e vídeo game. Em 2010 recebeu o Prêmio para Realização de obras cinematográficas de curta metragem do MINC (Ministério da Cultura do Brasil). Em 2013 participou da residência artística Poema aos Homens do nosso Tempo (Instituto Hilda Hilst/Ateliê Aberto Arte Contemporânea). 

Em 2014, recebeu o Prêmio Marcantônio Vilaça-Funarte e em 2015 o prêmio Bolsa Funarte de Estimulo a Produção em Artes Plásticas, através da mesma realizou a Mostra Mensagens Sonoras no MAMAM- Museu de Arte Moderna Aloízio Magalhães, Recife-PE. Em 2016 participou do programa de residência CasaB, Museu Bispo do Rosário, Rio de Janeiro-RJ. E em 2017, ele chega a Belém e participa do Café Fotográfico. Vamos lá!

Tradição que valoriza o debate e a interação

O Café Fotográfico iniciou em 2008 como uma atividade que valoriza o pensamento crítico sobre a fotografia – ou que é gerado a partir dela – e os seus diálogos com a imagem, reunindo quem atua ou se interessa pelo assunto em suas mais variadas possibilidades e abordagens. 

Sob coordenação de Irene Almeida, do Núcleo de Pesquisa e Documentação da Fotoativa, o Café recebe mensalmente artistas e pesquisadores para refletir sobre a produção e veiculação da imagem a partir de relatos de experiências e apresentações de pesquisas no campo das artes visuais.

A programação valoriza tanto a participação de autores locais, para divulgar as suas obras, como o diálogo com produtores de outros lugares, o que permite a articulação com o que é pautado nas discussões realizadas em outras regiões do país. 

No decorrer dos últimos anos, o Café fotográfico incentivou a discussão de temas os mais diversos possíveis, ligados tanto à fotografia quanto à produção artística visual. Outra marca do evento é a pluralidade de participantes. Os palestrantes convidados não se restringem a fotógrafos, o que favorece também a inclusão de outros grupos, como estudiosos, curadores, estudantes e profissionais de diversas áreas.

Serviço
Café Fotográfico com Paulo Meira, segunda, dia 22, às 19h, no Casarão Fotoativa – praça das Mercês, 19. Participação gratuita. Mais informações no www.fotoativa.org.br

16.5.17

Expedição Imerys ganha mostra na Galeria Fidanza

Contagem regressiva para a abertura da exposição da Expedição Imerys 2017. Ao todo 26 imagens farão parte da mostra, que será aberta no dia 9 de junho, às 19h, na Galeria Fidanza, do Museu de Arte Sacra na Cidade Velha. A entrada é franca.

As imagens foram selecionadas por uma comissão julgadora formada por Marcos Moreira,Imerys, Emanuel Franco, curador e artista visual; Alexandre Sequeira, artista visual; e Rafael Araújo, fotógrafo e produtor cultural. As fotografias escolhidas pela comissão retratam com criatividade e sensibilidade as atividades da Casa Imerys, projeto social da mineradora no Pará. 

A sutileza na ponta dos pés da bailarina, a timidez de alunos do reforço escolar no primeiro contato, a energia da terceira idade na hidroginástica, os dribles da criançada nas aulas de futebol, o talento de artesãs e a força dos alunos do karatê poderão ser conferidas na abertura da exposição.  

Durante o vernissage, também serão conhecidos os dois vencedores que receberão como premiação uma viagem de seis dias, com todas as despesas pagas, para participação no Valongo Festival Internacional da Imagem 2017, em Santos/SP.

Este ano, Marcelo Vieira Lima completa 20 anos de carreira na fotografia. Para ele, participar da Expedição Imerys foi um grande presente. “O evento trouxe interação entre fotógrafos profissionais e amadores, gerando troca de experiências e aprendizados. Estou feliz só de participar e ter a oportunidade de contribuir com esse grande projeto”, afirma.

O engenheiro e fotógrafo amador, Pedro Paulo Freitas, conta que a paixão por fotografia vem desde pequeno, mas só depois que investiu em máquina profissional é que começou a se aventurar mais na captura de imagens. “Leio muitos livros de fotografia e busco sempre me aprimorar. Gosto de registrar a espontaneidade das pessoas. Estou super feliz de ter sido selecionado. É a segunda vez que participo. Gostei da experiência de fotografar o projeto Casa Imerys, que é espetacular”.

“Esta segunda edição da Expedição Imerys tem nos surpreendido, não só pelo fato de ter tido o maior número de participantes, com mais de 170 inscritos, mas em perceber a dedicação com que os fotógrafos abraçaram o desafio. Realmente, é muito emocionante ver o maior projeto social da empresa sendo retratado por lentes artísticas. Acreditamos que o público também vai se surpreender com a mostra”, diz Juliana Carvalho, coordenadora de Comunicação & Relações com a Comunidade da Imerys.

Júri Popular – Este ano, além das premiações principais, os fotógrafos também podem concorrer à premiação na categoria “Júri Popular”. 

Basta escolher uma imagem e postar no Facebook com a hashtag #expedicaoimerys. A postagem que obtiver o maior número de compartilhamentos no Facebook será a vencedora, que receberá um “Vale Workshop” da Associação Fotoativa. O prazo para o participante atingir essa meta é até às 23h59 do dia 30 de maio.

Serviço
Abertura da Exposição Expedição Imerys 2017. Dia 9 de junho, na Galeria Fidanza, do Museu de Arte Sacra na Cidade Velha. Hora: 19h. Entrada franca.

Arthur Nogueira apresenta show acústico no Sesc

Em formato intimista, o show “Só” foi apresentado em Belém em fevereiro e teve ingressos esgotados, mas Arthur Nogueira está de volta à terrinha nesta quinta-feira (18), com show acústico, às 19h, no Sesc Boulevard. A entrada é franca. 

No palco, o artista. “Minha voz e eu, a serviço da poesia, dos poetas que eu admiro e que me movem a fazer música”, define. Arthur, que está em São Paulo trabalhando na finalização do novo disco, volta à cidade natal para uma representação do projeto acústico, que já circulou por São Paulo e Salvador.

“Muitas pessoas não conseguiram ir ver na primeira apresentação aqui, então resolvi voltar em um espaço maior”, diz. “Esse é um show que me dá muito prazer em fazer. Sinto uma emoção muito forte, porque rola uma conexão. Sou eu, sem artifícios, e o público”.

Com três discos lançados, o cantor paraense, de 29 anos, vive uma fase efervescente. Após ter sua música “Sem medo nem esperança” gravada por Gal Costa, e lançar disco em homenagem ao poeta e compositor Antonio Cicero, o paraense teve clipe dirigido por Ava Rocha, e foi indicado a prêmios nacionais de música. Além disso, recentemente teve sua composição “Preciso Cantar” no repertório do mais novo show de Ana Carolina, e trabalha no seu quarto disco, contemplado pelo edital Natura Musical.

Interessado no elo entre música e poesia, Arthur dedica-se a traduzir poemas de autores como Walt Whitman. “O exercício de traduzir poesia é quase o mesmo de fazer um novo poema, porque o idioma em que foi escrito é determinante em todos os aspectos”, comenta Arthur sobre o burilar das palavras. 

O artista acaba de dar vida a uma versão, em português, para uma canção de Bob Dylan. Toda essa atmosfera literária virá à tona no show. O repertório traz músicas dos discos anteriores de Arthur e suas canções de afeto. “Reuni canções dos meus discos e outras que gosto de cantar em casa, quando pego o instrumento por prazer, por exemplo, "Anywhere I lay my head", do Tom Waits”, conta o músico.

Artista trilha sua carreira à todo vapor

Depois de morar no Rio de Janeiro e São Paulo, fazer shows em Salvador e em Lisboa, e ter seu caminho atravessado por parceiros como Antonio Cicero, Eucanaã Ferraz, Ava Rocha, Zé Manoel e Cida Moreira, Arthur Nogueira busca um trabalho “o mais vivo possível”.

Contemplado no mais recente edital Natura Musical, o paraense finaliza o quarto disco. Mais orgânico, O novo álbum foi gravado ao vivo em um estúdio no interior de São Paulo, com produção de Arthur Nogueira e dos músicos Zé Manoel (piano e teclado), Allen Alencar (guitarra), João Paulo Deogracias (baixo e sintetizadores), Filipe Massumi (violoncelo) e Richard Ribeiro (bateria). No repertório, novos e antigos parceiros a serviço de uma sonoridade que o artista considera "diferente de todos os outros trabalhos".

“Meus dois últimos discos foram eletrônicos, mas eu sempre fui muito ligado à canção, à música brasileira, quando descobri poetas ligados à canção”, diz Nogueira, que além do show “Só”, também tem se apresentado ao lado do poeta Antonio Cicero, que homenageou com o disco “Presente - Antonio Cicero 70”. 

O álbum, lançado em 2016 pelo selo Joia Moderna, traz dez canções de Cicero em parceria com artistas como Adriana Calcanhotto, Frejat e Lulu Santos, além de uma música inédita, realizada com Arthur Nogueira.

“É um momento muito produtivo. Tenho me apresentado em show com o Cicero, tenho feito esse acústico e finalizo o novo álbum”, conta o artista, que dá alguns detalhes do que está por vir. “O lançamento do disco deve ser em setembro ou outubro, e será um momento inédito. Pela primeira vez, irei fazer a estreia de um novo trabalho em Belém com banda completa, assim como apresento em outras cidades, o que ainda não havia conseguido fazer. Estou animado com isso”.

Serviço
Arthur Nogueira faz show acústico nesta quinta-feira, 18, às 19h, no Sesc Boulevard, localizado na Avenida Boulevard Castilhos França, 522, bairro da Campina. Entrada franca.

(Holofote Virtual com Assessoria de imprensa)

15.5.17

Cia Sorteio de Contos estreia cena no Amostra Aí

O Casarão do Boneco avisa que neste sábado, 20, os portões abrem às 18h e a programação começa às 18h30, com estreia da cena curta: “O Massacre do Eldorado do Carajás”, da Cia. Sorteio de Contos. Além de contação de histórias e espetáculo, tem exposição com bonecos do acervo do grupo In Bust, loja com CD’S e DVD’S de conteúdos infantis, comidas saudáveis e chopp da Dona Simone do bairro de Fátima. Vai ver e pague quanto puder, o lema da sustentabilidade.

A encenação da Cia Sorteio de Contos  abre a programação. “O Massacre do Eldorado do Carajás” é resultado da pesquisa prática do sapateado e da música do Coco Raízes do Arco Verde, grupo tradicional de coco residentes do bairro de Amaro Branco, em Olinda - PE, e a marcante história do massacre envolvendo o Movimento do Sem Terra e o estado brasileiro. 

E para quem acha que a temática não é para um público infantil, se engana. A linguagem da Cia. Sorteio de Contos é voltada para o teatro de rua e é para todas as idades, principalmente as crianças. O foco é trabalhar com assuntos que usualmente são escondidos dos pequenos, como a diferença de classe, os conflitos por conta de terras, dinheiro e a desvalorização de minorias e dos excluídos socialmente. 

A cena é curta mas a poesia é gigante

A cena curta “O massacre do Eldorado de Carajás”, por exemplo. aborda o homem chamado agricultor, para quem plantar é sinônimo de amor e de força para mudar o mundo a sua volta.

“Quando esse agricultor se depara com forças que desaprovam sua crença e luta, a esperança humana prevalece no filho do agricultor, que canta a mesma música do pai: Eu vou plantar, amor/ Eu vou plantar paixão/ Eu vou colher beijos abraços e carinhos dentro do teu coração/ amor eu vou plantar o amor”, diz o ator.

A ideia trazer informação de forma lúdica e poética para formar pequenos cidadãos, munidos de pensamentos que possam mudar sua própria realidade. “Queremos que, ao tratar de assuntos delicados, a criança possa entender que existem tais problemas e que existem soluções, baseadas no amor, na compaixão e no espírito de divisão humano”, conclui Lucas. 

Leonel Ferreira e Cia Girândola: histórias

Leonel Ferreira conta "Mel e Kiko"
Logo em seguida o ator Leonel Ferreira da Cia de Teatro Madalenas traz “Mel & Kiko ou a história de borboletas e muitos nós”, uma Livre adaptação do livro Nós, de Eva Furnari, esta é a história de Mel, uma garota que morava na pequena cidade de Pamonha e vivia rodeada de borboletas, um dia Mel vai embora de sua cidade e conhece Kiko, um garoto que tem muito em comum com ela, ele mostra um jeito diferente de viver a vida.

Finalizando a noite a Cia. Girândola de Contadores de Histórias, apresentará suas histórias, o companhia nasceu este ano de 2017, é formada por Alci Santos, Ariel Benício, Evanildo Mercês, Inaía Paes, Katulo Gutierrez e Vandiléia Foro, artistas, educadores, brincantes de boi, pássaros junino, todos contadores de histórias vindos da Vila Sorriso (Icoaraci). A companhia traz em seu repertório diversas narrativas: Mitos e lendas, parlendas, lendas urbanas e histórias clássicas que tecem encantarias aos ouvintes.

É para crianças de todas as idades

Cia Girândola de Contadores de Histórias
O Amostra Aí acontece mensalmente do Casarão do Boneco, um espaço situado em um prédio histórico, na Avenida 16 de novembro- 815, onde diferentes coletivos de teatro, dança e circo realizam diversas atividades culturais. 

A programação é bem diversa e cheia de ludicidades para os pequenos se divertirem, e o público poderá contribuir com a manutenção das atividades da casa e para os artistas com Pague Quanto Puder, uma política que o coletivo mantém para dar acessibilidade a todos que queiram ver teatro.

A equipe responsável por esta edição é formada por Fátima Sobrinho, Andrea Rocha, Nanan Falcão e Marina Trindade, na produção, e ainda Thiago Ferradaes e Paulo Ricardo na técnica. Apoio da Cultura Rede de Comunicação e blog Holofote Virtual, na divulgação.

PROGRAMAÇÃO

  • 18h Portas abertas
  • 18h30 “O massacre do Eldorado do Carajás”
  • 19h “Mel & Kiko ou a história de borboletas e muitos nós”
  • 19h30 Cia. Girândola de Contadores de Histórias

Serviço

  • No Casarão do Boneco, Av. 16 de Novembro-815. PAGUE O QUANTO PUDER. Informações: (91)32418981.

14.5.17

Rafael Lima fala sobre álbuns que lança em 2017

Rafael e MG Calibre (Fotos: Holofote Virtual) 
Num rápido papo com Rafael Lima, a gente fica sabendo que ele está produzindo muito, como sempre, voltou aos espaços da cidade e que vai lançar novos álbuns "Nossas Ladainhas Marajoaras" e "Sinal Aberto". Depois do susto que o compositor nos deu, ano passado, ao ser internado em estado de emergência com pneumonia aguda, as notícias não poderiam ser melhores.

Foi assim. Três meses entre internação, alta e volta pro palco, ainda se recuperando. Pasmem, em dezembro do ano passado, Rafael Lima fez uma bela apresentação mostrando as canções que estarão no álbum, ainda inédito, "Nossas Ladainhas Marajoaras". No Teatro Waldemar Henrique estavam com ele, a filha Juçara Abe, MG Calibre, no baixo e Zé Macedo, na percussão, além da participação de Andrea Barbosa, que também gravou no CD.

“Até o último final de semana, em setembro, antes deu cair doente, eu estava em Ponta de Pedras, fazendo a última etapa de recolhimento da pesquisa para o Ladainhas, que fiz com o prêmio do Edital Seiva, pela Casa das Artes, da Fundação Cultural do Pará. Durante a minha recuperação, a partir de dezembro, comecei a gravar gradativamente, incentivado e produzido pelo meu irmãozinho, Dako, que tem um home estúdio chamado carinhosamente de Alvi-azul”, conta Rafa.

Apresentação na Casa do Fauno, no final de abril
O CD traz várias participações, como  Nilson Chaves, Kleber Benigno (Manari), Nazaco (Manari), Ana Selma, Luis Pardal, Louis Boyerre, MG Calibre. Juçara Abe colaborou nas pesquisas.

“As Ladainhas são todas do povo, dos mestres e mestras de Cachoeira do Arari, Ponta de Pedras, Comunidade de São Miguel, no entorno de Soure. Posso citar os mestres Luís dos Santos, Raimundo Barbosa, Dona Jacirema, nossa tem tanta gente”, explica Rafael.

O artista diz que o CD está pronto, mas falta produzir a capa, masterizar e prensar. “É que pra isso, preciso de um parceiro financeiro (risos)”, ressalta Rafa, que pretende lançar o disco até o final de junho.

Sinal Aberto na música e para a vida

Rafael, com Canhão, MG Calibre e a família Jardins
Rafael Lima também está captando para finalizar outro álbum, o "Sinal Aberto", cheio de músicas inéditas, além de três que já estão gravadas, mas nunca foram editadas ou tocadas. São parcerias com Joãozinho Gomes, Antônio Moura e Fernando Dako.

As canções inéditas já gravadas com Mini Paulo, Magrus Borges, João Marcos Mascarenhas, além dos amigos que moram na e alguns amigos da Suíça. Guiom S, saxofonista que mora atualmente em Paris, e Mauro Martins, um baixista que toca bateria.

"É um material que já está pronto, foi gravado num puta estúdio, na Suíça, mas falta mixar todo e masterizar etc. As músicas com Mini Paulo, Magrus, Aritanã e João Marcos foram gravadas aqui mesmo em Belém, na primeira metade dos anos 2000", conta.

A composição em parceria com Antônio Moura chama-se “Serenata para o que não tive”, uma canção antiga, defendida por Rafael, no Projeto Pixinguinha no Rio, na mesma leva em que estava nada menos que Belchior. "Fiz uma tour com ele de uns 40 dias, o professor como a gente o chamava. Belchior era muuuuuito fooooodaço”, relembra Rafael Lima.

Rafael Lima segue carreira, atento ou mais atento hoje do que nunca. Embora diga que as coisas não estejam fáceis do ponto de vista financeiro, sabe que tudo pode ser diferente. A saúde vai bem e, dentre seus planos, está o de viajar para divulgar os novos trabalhos. "Deus me deu outra chance e disse pra eu não vacilar”, finaliza.

13.5.17

Cláudio Cardoso: o cordel na Feira Pan Amazônica

O VII Encontro de Cordelista da Amazônia será realizado dentro da XXI Feira Pan Amazônica do Livro, que abre dia 27 de maio, no Hangar. A programação completa da feira será divulgada na próxima semana e poderá ser acessada pelo site do evento, mas o editor e escritor, cordelista, Cláudio Cardoso, que já vem divulgando o encontro pelas redes sociais, nos deu mais detalhes e em entrevista ao blog, bateu um papo sobre o movimento literário paraense.

Cláudio Cardoso de Andrade Costa é de Belém. Poeta, escritor e compositor, publicou seu primeiro livro de forma artesanal, aproveitando suas habilidades de artista gráfico. Incentivou outros escritores a buscarem iniciativas mais independentes para divulgar suas obras.

O autor já participou nas antologias “Poesias reunidas pelos mortais da vida”, organizada pelo Clube do Escritor Paraense, “Poesia do Brasil” – Volume 6 e “Poeta, Mostra a tua Cara”, volume 5, publicadas pelo Congresso Brasileiro de Poesia. Publicou  “Simbiose” (poemas e pensamentos), “Filha do Oriente”, e “Sina Nordestina”.

Mais recentemente, dentro de sua trajetória, se envolveu com a literatura de cordel, como escritor e declamador. “Já publiquei, somente este ano, oito livretos dos mais variados assuntos, sempre primando pelo humor e pela crítica social”. Ele é um dos coordenadores do Estande do Escritor Paraense dentro da Pan Amazônica e o encontro que reunirá vários cordelistas, no dia 3 de junho, no Hangar.

Está confirmada a presença do cantor, compositor e também cordelista, Moraes Moreira, que virá à feira como convidado do "Conversa de poesia", e Dr. Lourival de Andrade Junior, da UFRN (Caicó-RN), que abre o encontro com uma palestra. Também será lançada no encontro a coletânea Cordelistas Contemporâneos 2017, com obras de mais de 52 cordelistas do Brasil, sendo seis deles, paraenses.

Mestre da literatura de cordel pernambucano Chico Pedrosa também estará presente, e ministrará uma oficina de produção de cordel. Cláudio divulgou um video falando um pouco mais sobre o poeta. Ele e Pedrosa participarão de uma apresentação junto aos meninos Kalil e Kauê Casseb e os músicos Val Fonseca e Vinicius Leite.

Literatura nordestina na Amazônia

Este ano, o Encontro de Cordelistas da Amazônia está mais do que contextualizado dentro da Pan Amazônica, que além de trazer como tema central a poesia, está homenageado, Mário Faustino, nordestino de nascimento mas que se tornou um grande paraense por adotar Belém, como morada e onde iniciou sua carreira literária.

Cláudio Cardoso ressalta que a cultura típica daquela região aflorou por aqui com a vinda de trabalhadores nordestinos para a Amazônia. “O cordel é velho conhecido da região norte, chegou aqui em três momentos, ou das grandes migrações, provocadas pelo ciclo da borracha, abertura da Transamazônica e da Serra Pelada, com a vinda dos nordestinos, fugidos da seca, pobreza e viam na Amazônia a grande oportunidade de mudar de vida”.

O escritor reconhece que o Cordel é um legado deixado porestes nordestinos, por aqui, sendo assimilado e fazendo surgir autores amazônicos, o que não passou despercebido pelo grande historiador paraense Vicente Sales. 

“Ele foi um dos grandes colecionadores de Cordel, com uma biblioteca de folhetos invejável, material este que está conservado no Museu da UFPA, como a grande maioria de folhetos lançados pela editora Guajarina, que havia em Belém e foi uma das maiores do Brasil”, diz Cláudio.

Integrante do movimento de escritores paraense, realiza e se faz presente em diversas atividades e ações voltadas à difusão e troca de saberes a partir da literatura paraense, junto a Antônio Juraci Siqueira, Raimundo Sodré, Heliana Barriga, Alfredo Garcia, Michel Sarmento, Maciste Costa, Walcyr Monteiro, Flor de Maria e Ed Pessoato, entre tantos outros que costumam se reunir aos domingos, na banca do Escritor Paraense, na Praça da República.

Na entrevista a seguir, falamos mais sobre o movimento literário, das iniciativas que existem como espaço à literatura local, como feiras, salões, entre outras ações que existem atualmente nesta área de produção, pesquisa e criação, que estejam estimulando um mercado editorial paraense.

Em busca de espaço e independência literária 

Holofote Virtual: Estamos a poucos dias da feira do livro, uma das iniciativas que abrem espaço para o autor local, mas quais têm sido os caminhos tomados para produzir e publicar autores paraenses?

Cláudio Cardoso: Junto com outros editores, uns até independentes, a peso de acreditar, é que se vem mantendo, mas com muito custo, a literatura ainda ativa. 

A Feira do Livro é um importante termômetro para se mensurar este movimento. Observo que a cena atual ainda desperta nas pessoas interesse  na publicação de obras de todos os gêneros. À despeito das dificuldades de publicação, as novas tecnologias permitem que se publique com pouco custo e há os sites de patrocínios coletivos, como novos canais e possibilidades.
  
Holofote Virtual: Existe a Banca do Escritor Paraense na Praça da República, funcionando aos domingos. Além da exposição e venda de livros, vocês realizam alguma outra atividade nestas domingueiras?

Cláudio Cardoso: A banca, segundo o cronista Raimundo Sodré, é nosso posto avançado, fora do evento literário anual da Pan-Amazônica e salões de livros. É uma forma de ter o livro, o escritor e muitos contatos todos os domingos na democrática Praça da República. Alguns lançamentos já aconteceram naquele espaço de um metro quadrado, que já existe há quatro anos e se tornou ponto de encontro de quem se interessa pela literatura Paraoara. 

Este ano vamos homenagear a banca dentro do Estande do Escritor Paraense, que inclusive influenciou outros escritores a realizar este tipo de encontro em outras localidades como o Airton Souza, em Marabá, e o Gilvan Pinto, em Monte Alegre.

Holofote Virtual: Quais encontros, feiras e outros eventos temos de literatura paraense no estado, não só em Belém?

Cláudio Cardoso: Além da Pan-Amazônica, há outras iniciativas de escritores como a FLIPA - Feira Literária do Pará, organizada em parceria com uma livraria local; o projeto A Noite é Uma Palavra, que acontece uma vez a cada dois meses, do CENTUR, e agora com novo formato, em bairros da cidade; o Salão do livro de Santarém e as feiras e semanas literárias em escolas, onde sempre participamos, como escritores convidados.

Holofote Virtual: Vocês estão com algum novo projeto? 

Cláudio Cardoso: Com relação ao Cordel, nosso objetivo é que este gênero literário seja reconhecido como disciplina escolar, como importante instrumento de apoio pedagógico, formador  de novos escritores e leitores. Futuramente esperamos realizar a I Feira de Cordel da Amazônia, com programação própria e calendário anual para sua realização.