14.3.17

O “Bar do Parque” pelas lentes de Bruno Pellerin

Ele mora no 12º andar de um prédio situado na Presidente Vargas. O fotógrafo francês que escolheu Belém para viver, tem uma vista privilegiada da Praça da República e seu entorno. Mangueiras centenárias, trânsito intenso, um vai e vem de pessoas, prédios históricos, e uma de suas paixões, o Bar do Parque, que ele transformou em livro e lança no próximo sábado, 18 de março, na Casa do Fauno, a partir das 18h.

Apaixonado por Belém, e morando aqui desde 2003, Bruno Pellerin ainda tem dificuldades com o português, o que não se torna necessariamente uma barreira uma vez que ele, em compensação, se comunica muito bem através da música que segue e da fotografia que produz.

É fácil encontrá-lo no circuito artístico, geralmente onde a linguagem é  a música. Conhece os músicos de referência da cidade e descobre novos trabalhos pelos quais também vai se apaixonando. Muitas das amizades que fez em Belém, resultaram em fotografias de artistas e que estão em grande parte neste livro.

Além de trabalhos jornalísticos, Bruno cria poéticas visuais. E o Bar do Parque foi para ele um achado que traduz muito de sua sensibilidade e paixão por Belém. O quiosque centenário situado na Praça da República, ao lado do Theatro da Paz, nosso monumento à Bélle Époque, foi construído no período em que o charme da sociedade paraense era se sentir francesa. Com o passar do tempo se tornou uma verdadeira instituição da boemia e mais tarde, já numa certa decadência foi perdendo seus assíduos visitantes, artistas e intelectuais, que se misturavam a outros personagens noturnos dos mais inusitados.

Quem muito frequentava, e se ainda estivesse vivo teria sido certamente fotografado por Bruno, era o poeta Ruy Barata. Muita gente fala até que aquela estátua dele deveria mesmo era estar no bar do parque e não no Parque da residência. Concordo. 

Assim como ele, diversos artistas fizeram do Bar do Parque seu local de criação. Quantas músicas e poemas foram produzidos ali. Bruno Pellerin me conta que foi isso que o despertou. "Os artistas não podem abandonar o Bar do Parque", comenta. 

"Percebi que era um lugar importante para eles criarem músicas, ideias, mas que aos poucos foram deixando de frequentar"  diz ele que passou então aos registrar músicos, jornalistas, poetas que sentavam ali, de dia, tarde ou noite, durante anos e o resultado vamos ver no livro, "um sonho a ser realizado', diz o fotógrafo, que custeou o projeto sozinho e ganhou agora apoio para seu lançamento.

De Paris para o mundo e finalmente Belém

Bruno com Nego Nelson, no Bar do Parque
De Paris, na França, o fotógrafo saiu pelo mundo a fotografar pessoas e registrar paisagens em seu caminho. As impressões de lugares por onde trabalha, vagueia ou passeia, ficam nele, que percorreu a África, Índia, Turquia, Irã, União Soviética. 

Foi assim que ele desembarcou por aqui e se apaixonou, pela cidade e por uma mulher. Ficou. De 2005 a 2008, dividiu-se entre Belém e Paris, até se fixar na capital paraense, onde abriu um estúdio em que utiliza o gênero delicado do Retrato como forma de referenciar, entre outras coisas, a produção artística do Pará.

Bruno Pellerin tem formação técnica como fotógrafo, em escola na França. Desenvolve essa atividade há mais de 30 anos. Especializou-se em fotografia de moda e de artistas.  É ganhador do prêmio 'News' de reportagem fotográfico em 1982 em Paris, entre os principais trabalhos realizados, nessa fase, destacam-se a cobertura da Semana de Moda de Paris e a cobertura fotográfica de diversos desfiles das coleções de grandes estilistas de renome internacional como Givenchy, Ted Lapidus, Chanel, Dior, Paco Rabanne, Jean-Paul Gaultier, Guerlain entre outros.

Já publicou trabalhos em dois dos principais editoriais de moda da Europa: as revistas Paris Match e Gala. Em contato constante com uma agência de Paris, realizou uma série de reportagens sobre a fauna paraense em diferentes ilhas da Amazônia, sobre o artesanato e músicas da região e também sobre o Círio de Nazaré.

Boemia de quiosque suspensa por tempo indeterminado

É oportuno este lançamento de Bruno Pellerin para questionarmos a enorme demora para se concluir as obras que deveriam estar sendo realizadas no Bar do Parque, fechado para isso desde julho de 2016. 

Seriam apenas três meses para o serviço, mas se você passar por lá não vai nem mais vê-lo. Está fechado entre tapumes e sem nenhum serviço sendo executado. Na primeira etapa, em dois meses, se mexeria na reforma do subsolo, onde ficam banheiros e cozinha, e na plataforma onde ficam os clientes. Na etapa seguinte, o quiosque receberia as obras, que fazem pate do restauro do Complexo da Praça da República, que aliás está também com vários tapumes ao redor de seus coretos e lagos. O estado é de abandono. O Bar do Parque faz falta. Muita falta.

Serviço
Lançamento do livro “Bar do Parque”, de Bruno Pellerin. Neste sábado, 18 de março, na Casa do Fauno, a partir das 18h. Além de autógrafos, a noite contará com música ao vivo, e exposição de fotos do fotógrafo francês que escolheu viver em Belém do Pará. A programação integra a Semana de Francofonia, e é uma parceria com a Aliança Francesa de Belém. Tv. Aristides Lobo, 1061, entre Benjamin e Rui Barbosa. Mais informações: 91 98705.0609.

Um comentário:

Bruno Pellerin disse...

Opa , muito obrigado Luciana , bjs .