23.4.17

Sonido realiza duas noites de música instrumental


O Mercado de Carne Municipal Francisco Bolonha, em Belém do Pará, ferveu nas noites de sexta e sábado, feriado prolongado de Tiradentes. Em pleno complexo do Ver-o-Peso, o Sonido, em sua 2a edição, reuniu grupos da música instrumental brasileira, bebidinhas e comidinhas num lugar que é também espaço de memória da cidade.

O projeto realizado pela Se Rasgum Produções vem ao encontro de um desejo de espaço para difusão e intercâmbio da música experimental e instrumental brasileira, na região norte, em suas diversas vertentes.

Na sexta-feira, 21, os tambores do Jardim Percussivo, projeto de Márcio Jardim, deram boas vindas, de forma visceral, ao público, que chegou no horário e, mesmo sob chuva, ou se esgueirando pelas laterais das estruturas de ferro do mercado de carne, permaneceu firme e atento até o fim.

Além do Jardim Percussivo, que reúne alunos de percussão, o professor Márcio Jardim (bateria), e ainda William Jardim (guitarrista) e Wesley Jardim (baixo), a sexta feira também reuniu no palco os trabalhos "E aí Negão", de Nego Jó (trombone e piano) e "Loxodonta", de Rafael Azevedo (contrabaixista). Tudo muito suingado, grande performance. Em seguido, vieram os shows do "Aeromoças e Tenistas Russas" (SP), com um som eletrônico experimental, e Esdras Nogueira, saxofonista de Brasília (DF), ex-Móveis Coloniais.

Último dia apresentou trabalhos de pesquisa e experimentos

Chega o sábado, 22. Mais chuva em Belém do Pará. Mais uma vez, o público chegou na hora e não arredou o pé. Paraense não é tapioca, costumamos dizer. Por conta do temporal, um pequeno atraso na passagem de som fez com que a primeira atração entrasse uma hora depois do previsto. Algum problema isso? Nenhum. 

O show de Albery Project foi vibrante na abertura da última noite do Sonido. O show do  grupo "Astronauta Marinho"(CE), veio em seguida e antes de Lucas Estrela, que eletrizou a moçada com sua tecnoguitarrada. 

A noite não acabou aí, só após os excelentes momentos da "Quartabê", banda paulista ligada diretamente ao projeto Claras e Crocodilos,  releitura do Arrigo Barnabé de sua obra-prima de 1980. Ana Karina Sebastião (baixo), Joana Queiroz (sax, clarinete e clarone), Maria Beraldo Bastos (clarinete e clarone) e Mariá Portugal (bateria), na Quartabê, ao invés de tocarem com Barnabé, se apresentam com o tecladista Chicão, formando assim um paredão sonoro experimental vibrante. O repertório do show trouxe músicas do maestro Moacir Santos, executado com novas leituras.

Albery Albuquerque emociona e surpreende público

A apresentação do violonista, compositor e pesquisador,  foi enérgica, com plateia plural como é seu trabalho. Albery Albuquerque agradeceu a presença de todos. "Como é bom estar aqui com o meu povo. Eu amo vocês", disse.

O repertório de 40 minutos, tempo que cada banda tinha de programação, trouxe "Canto da Semente", "Uirapuruzinho", "Encandeado", "Tucano", "Ritmo de Floresta" e "Trancelim de Tucano", músicas compostas a partir da pesquisa desenvolvida pelo violonista, já há 30 anos, baseada na vocalização de pássaros e outros animais da natureza.

Onça, Tucano, Uirapuru. Estavam todos lá, neste sábado de encerramento do Sonido. Na plateia, pessoas que já acompanham a trajetória do músico, e muita gente, talvez a maioria, de gerações mais novas, principalmente, que pode até conhecer um pouco da história do Albery, mas certamente ainda não conhecia ou tinha ouvido, ao vivo, a sua Música Transmórfica. Todos vibraram, muito!

Emoção no palco. Além de Albery e seus dedos ligeiros percorrendo o braço do violão, Tom Salazar Cano (guitarra), Thiago Albuquerque (teclado e samples), Príamo Brandão (baixo) e Carlos Canhão Brito (bateria) tocaram inspiradíssimos. Para completar, uma bela performance no palco, que entusiasmou a todos. 

O Albery Project promete nova apresentação no segundo semestre e novidades para o público, muito em breve. O grupo está gravando o Cd Música Plural, com lançamento de um EP, nas plataformas virtuais, ainda este ano.

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